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26 Fev 2017
Família, fonte natural de amor
Sobre um estudo realizado a cerca de 7.000 casos reais de eutanásia na Holanda. Em 41% destes, a iniciativa da concretização da morte do idoso pertenceu à família e não aos eutanasiados. Ou seja, 2.870 pessoas foram mortas, não por iniciativa sua, mas porque os seus familiares acharam melhor tirar--lhes a vida.
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por Rui Rosas da Silva

Há pouco escrevi um artigo sobre a Eutanásia. Alguém ficou escandalizado com uma informação que aí se dava, a respeito da investigação feita pela universidade alemã de Gottingen, sobre um estudo realizado a cerca de 7.000 casos reais de eutanásia na Holanda. Em 41% destes, a iniciativa da concretização da morte do idoso pertenceu à família e não aos eutanasiados. Ou seja, 2.870 pessoas foram mortas, não por iniciativa sua, mas porque os seus familiares acharam melhor tirar--lhes a vida.

Certamente, que é possível pensar na existência de casos em que a situação de saúde do parente estaria muito perto do seu final. No entanto, esse mesmo estudo revela que 14% dessas pessoas estavam numa situação de lucidez objectiva. Mesmo assim, a sua família achou por bem apressar-lhes o fim. 14%, acrescente-se, são cerca de 400 seres humanos que partiram desta vida sem terem pedido para o fazer. Por isso, foram verdadeiramente condenados à morte. Como é que isso é possível? Perguntava, atónito, o “meu” leitor sobre esses números e o que eles significavam. Concluía que até parece que nos encontramos numa sociedade em que a família pode tornar-se uma instituição negativa, quando a lei permite – ou pelo menos, facilita de forma mais ou menos sub-reptícia – que ela tenha um poder de decisão quase total sobre a vida ou a morte dos seus membros mais idosos e, portanto, mais indefesos.

Comentava ainda, com amargura, que tais factos a levavam a compreender melhor o que acontecia em alguns hospitais portugueses, não porque tivesse notícias sobre a existência de aí haver práticas eutanasianas legalizadas, mas por não ser “tão infrequente como isso”, o aparecimento de anciãos “gagás”, no meio dos corredores imensos dessas instituições de saúde, completamente indocumentados e sem qualquer capacidade de comunicação. Ora, como vão aí parar? E a resposta dos que lá trabalham é praticamente unânime: é a família que os despacha e os larga, convicta de que haverá alguém que se encarregue de os acolher. E assim, com encapotada finalidade, esquecem a “mercadoria” incómoda que tanto a afadigava, na esperança de a deixarem em boas mãos. 

Felizmente, que este último caso pode e deve ser punido pela lei. Mas com a prática holandesa da eutanásia o que se conclui é que a vida humana não é um valor absoluto, mas relativo e que, a partir de certo momento, a condenação à morte, ainda que proibida legalmente, volta a ser uma prerrogativa de certas pessoas que têm laços mais estreitos com os que sofrem de velhice e são um estorvo incómodo para quem tem obrigação moral de os tratar. Neste aspecto, o nosso leitor manifesta uma certa razão ao falar sobre o futuro da família, embora o que se passou relativamente aos números tão tristes do artigo referido, possa ser consequência de uma facilitação da lei e, sobretudo, do modo como se pratica a eutanásia, se se fecha os olhos a alguns procedimentos que deviam ser mais cuidadosos.

Mas para que servem as leis? Não é para serem cumpridas com rigor? E quando se verifica que não estão a ser bem cumpridas? Ignora-se olimpicamente o que elas determinam? Entre isto e a hipocrisia mais bronca que diferença existe? A “morte assistida”, que os defensores da eutanásia tanto apregoam, não se torna em “morte compulsiva”? Lembremos que a família é a grande defensora dos valores que devem viver- se na sociedade humana. A família, instituição natural, não dá o direitode condenar à morte um seu membro.

Pelo contrário, o amor que nela se gera leva naturalmente os que lhe pertencem a tratar, da melhor maneira e de um modo totalmente afectuoso, quem está mais necessitado até que a morte aconteça. Um idoso ou um doente grave não é, no seio de um agregado familiar verdadeiro e são, um empecilho ou alguém incómodo e indesejável de quem é preciso ver-se livre, mas um elo de união do amor objectivo, apesar dos trabalhos a que pode obrigar.
 

Fonte: Diário do Minho, 26_02_2017, p. 2


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Palavras-Chave:
Eutanásia  •  Família  •  Debate  •  Rui Rosas da Silva  •  Luc Tesson
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