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Pe. Jorge Vilaça | 20 Set 2018
Quem cala (nem sempre) consente
Artigo de opinião do Pe. Jorge Vilaça na edição de 20 de Setembro de 2018 do Igreja Viva.
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1. “Quando me deram a notícia da morte da minha esposa senti que o mundo me caiu em cima; apesar disso, à medida que o tempo passa, vejo as coisas de outra maneira. Contudo há momentos e dias em que penso que é melhor não levantar-me da cama; assim é a vida e há que enfrentá-la como ela é. Há momentos em que penso que a vida não é justa e zango-me com ela e comigo mesmo. Vejo a face obscura da realidade da vida e pergunto-me: porquê a mim? porquê agora? E estas perguntas magoam-me…”

2. As perguntas magoam. Sobretudo quando não temos a quem dirigir a pergunta ou que nos escute a história. Quando as perguntas magoam estamos de luto, esse processo natural e universal diante de uma perda. Perdas às vezes ancoradas por medicamentos, tantas vezes silenciadas por frases feitas de pessoas cheias de boas intenções: “sei o que isso é” (não sabes!); “tens de ter força!” (não tenho!); “pensa noutra coisa” (não penso!); “tens de andar em frente” (não consigo!); “está no céu” (mas eu estou aqui!). Sim, precisamos de viver o luto, de nos desarranjarmos por dentro. Luto pelos que morrem; luto pelos que, continuando vivos, partem da nossa vida; lutos antes do tempo da partida; lutos prolongados e lutos bem ritmados; lutos que viram doenças e lutos que geram oportunidades; lutos que põem em causa a fé e lutos que redobram a confiança em Deus; lutos pela pátria que deixamos e luto pela saúde que perdemos; luto pelo divórcio ou luto por um filho perdido; luto pela traição, pela falta de emprego e de sentido; luto pela imagem perdida ou pelo animal de estimação que morreu; luto pela fé que sentimos ter perdido. No fundo, há sempre um luto a morar em nós. E perder é verbo de difícil conjugação. 

3. A palavra “luto” vem de lugere, que quer dizer “chorar”, e expressa a dor natural pela perda de algo ou de alguém. É a consequência da perda de um vínculo. Manifesta-se em sinais de sofrimento (físico, psíquico, social, espiritual), em comportamentos (vestir...) e, frequentemente, em rituais (ida ao cemitério...). É um processo lento que passa por diferentes fases, muitas vezes fases que vão e voltam. Quando a sua resolução é adaptativa, a integração da perda leva à possibilidade de uma nova vida, de novos projectos, de uma vida reconfigurada. Outras vezes, se a perda não é assumida, conduz a doenças físicas, psíquicas, espirituais... Não é garantido que quem cala consente. 

4. “É praticamente impossível sobreviver a uma situação de sofrimento se não formos capazes de conseguir contar uma história articulada sobre a mesma, pelo menos a nós próprios”. O Departamento Arquidiocesano da Pastoral da Saúde quer proporcionar um lugar para quem está em luto. Além do Centro de Escuta e Acompanhamento Espiritual, serviço gratuito ao dispor de todos, nos dias 26-28 de Outubro realizará o primeiro retiro espiritual para pessoas em luto. Um lugar que se espera de encontro, de escuta, de fraternidade, de oração, de misericórdia, de perfume e de esperança cristã... no caminho de Emaús! Se está em luto, se conhece alguém em luto, seja esperança e dê um “empurrãozinho” para esta experiência. O luto é “terra de missão”. 

5. “na hora de pôr a mesa, éramos cinco:
o meu pai, a minha mãe, as minhas irmãs
e eu. depois, a minha irmã mais velha
casou-se. depois, a minha irmã mais nova
casou-se. depois, o meu pai morreu. hoje,
na hora de pôr a mesa, somos cinco,
menos a minha irmã mais velha que está
na casa dela, menos a minha irmã mais
nova que está na casa dela, menos o meu
pai, menos a minha mãe viúva. cada um
deles é um lugar vazio nesta mesa onde
como sozinho. mas irão estar sempre aqui.
na hora de pôr a mesa, seremos sempre cinco.
enquanto um de nós estiver vivo, seremos
sempre cinco” (José Luís Peixoto).

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