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Pe. João Aguiar Campos | 1 Nov 2018
Olhares - 15
Artigo de opinião do Pe. João Aguiar Campos.
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A frase escrita na parede, como a foto documenta, falou-me alto. Gritou-me, aliás, como se o fizesse, agreste, a partir de uma esquina.

Ouvi o grito que os olhos descobriram. Ouvi-o porque, há muito, uma surdina me percorre, dizendo-me que andamos por aí, agitados e distraídos, a empurrar, para um qualquer depois, pessoas e afectos.

“Agora não tenho tempo”. “Um dia destes dou aí um salto”. “Sim, vou passar a telefonar mais vezes”. 

A promessa é fácil. Difícil é encontrar o quando!...

Não me considero limpo deste pecado da amnésia e do adiamento; mas a sensibilidade aguça-se quando, por exemplo, vivemos na pele um incerto momento de vida: quanta gente desaparece logo na primeira manhã em que a neblina nos cerca!...

Com ironia, chego a pensar que alguns, omitindo visitas ou telefonemas, começam logo a poupar para uma coroa de flores pessoal ou institucional, a oferecer nesse dia em que, mortos, de repente todos somos declarados — em homilia ou discursos laicos — “boas pessoas” e abrimos “uma lacuna difícil de preencher”...

É duro o que escrevo? Sei que é!…

O facto é que precisamos, urgentemente,  de um coração em carne viva. Um coração capaz, por exemplo, de visitar um hospital, um lar ou a casa distante de amigos e familiares; capaz de olhar reconhecidamente quem já não nos reconhece; capaz de sorrir perante o nosso nome trocado e os diálogos sem sentido ou o silêncio mal respirado. Capaz, enfim, de amar!...

Volto à frase que a parede me gritou: “Dê flores aos vivos”.

Longe de mim repeti-la como censura aos afectos visíveis e perfumados que, neste Dia de Todos os Santos, antecipadamente levamos aos cemitérios como memória dos nossos defuntos. Longe de mim — porque a gratidão e a saudade têm de mostrar-se audivelmente; têm de rezar-se e chorar-se…

Aceito-a, porém, como alerta para o que deve dizer-se a tempo e horas!...

Hoje, em quase todas as campas rasas ou jazigos dos nossos cemitérios haverá gente de olhar dorido e discreto; conversas pausadas e palavras sobre quase nada; lágrimas sinceras e suspiros de pressa; presenças de corpo alma e visitas obrigatórias.

Este dia — antecipando a efeméride de amanhã sem horas livres — é, repito-o, relevante para quem considera e agradece a importância dos seus mortos. Rezando um “obrigado” afirmativo e ensinando a lucidez do amor às raízes — um amor que nem a morte mate!...

Mas que diriam, se os escutássemos, alguns dos nossos mortos?...

Talvez o que nos dizem muitos vivos: “Sabes que vivo e amo?... Então, por onde tens andado, que ninguém te põe os olhos em cima?”

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