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13 Abr 2017
Presbitério com novos horizontes
Homilia na Quinta-feira Santa
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  © Avelino Lima/DM

Iniciamos, há pouco mais de um ano, um profundo trabalho de revisão pastoral. O modelo tridentino de paróquia e os tempos da cristandade chegaram ao fim. Vivemos dias desafiantes, tempos que despertam entusiasmo e esperança a uns e desorientação a outros. Creio não existirem razões para nos angustiarmos. Os processos de renovação e de conversão pastoral são normais numa instituição milenar como é a Igreja e são, sobretudo, uma exigência do Espírito Santo que, desde sempre, a orienta ao longo da História. Sabemos que a Igreja foi, durante séculos, um edifício confortável e estável. Hoje tem os alicerces abalados e os seus muros já não são consistentes como eram. Tornou-se para muitos um espaço inabitável. Dizem que já não corresponde às exigências do tempo actual. As perguntas e interrogações são totalmente novas e as simples adaptações já não satisfazem. Só algo de novo garante a consistência capaz de aguentar as intempéries.

Não é casual o uso da palavra paradigma no documento de trabalho. Paradigma é um modo concreto de interpretar a realidade segundo determinados critérios. No nosso caso, a realidade pastoral e pessoal deve ser encarada segundo critérios evangélicos e nunca, mas nunca, segundo critérios de benefício pessoal.

Para quando esta renovação pastoral? Creio que devemos regressar ao Evangelho de hoje e, se cada um de nós tiver abertura de Espírito, dizer “hoje cumpriu-se esta passagem”. Hoje é tanto um tempo cronológico como kairológico. Porquê adiar para um futuro incerto? É hoje o dia da mudança. E este hoje temporal trará então um novo hoje de salvação.

Peço a Deus que, particularmente neste ano mariano, aprendamos de Maria a atitude e a coragem de estarmos junto da cruz de quem sofre. No tempo de Jesus, os essénios consideravam-se, como sabemos, uma comunidade separada, os eleitos de Deus. Muitos dos nossos contemporâneos sentem-nos do mesmo modo: separados das vidas e preocupações. Connosco isto não deve acontecer. Estar junto à cruz significa, por isso, abraçar a vida de todos os que Deus coloca no nosso caminho. E, para estarmos juntos, precisamos de tempo, disponibilidade mental e leveza espiritual. 

Que este tríduo pascal e a protecção de Maria nos dê a coragem de uma conversão pessoal para a tão desejada renovação pastoral. Sem padres renovados, sem homens novos, tudo permanecerá velho. Caros sacerdotes, diáconos e seminaristas, podeis contar comigo para caminharmos juntos. E permiti que vos deixe um pedido que pode transformar toda a pastoral: sejamos amigos entre nós para vivermos sinceramente ao serviço de todos, particularmente dos mais carenciados e débeis. Se todos abrirmos o espírito à renovação, então podemos, neste dia do sacerdócio, repetir em conjunto “hoje cumpriu-se esta passagem” e, com Maria, “grandes coisas realizou em mim o Omnipotente”.

† Jorge Ortiga, Arcebispo Primaz

 

Pode descarregar abaixo o PDF da homilia na íntegra.

 

 

 

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