Arquidiocese

Ano Pastoral 2018/2019
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23 Jan 2018
Cabido, conselheiro e promotor do património
Homilia na Tomada de Posse dos novos cónegos
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O Documento Conciliar Presbiterorum Ordinis sublinha a comunhão dos bispos diocesanos com os sacerdotes ao mencionar que “todos os sacerdotes participam de tal maneira com os Bispos do mesmo e único sacerdócio e ministério de Cristo, que a própria unidade de consagração e missão exige a sua comunhão hierárquica com a Ordem Episcopal”. Participando do mesmo sacerdócio, o presbitério vive, deste modo, uma contínua comunhão espiritual que transborda para uma cumplicidade no ministério, fazendo dos sacerdotes “ajudantes e conselheiros indispensáveis no ministério e no múnus de ensinar, santificar e apascentar o povo de Deus” (PO 7). Esta comunhão faz com que os “bispos estejam sempre dispostos a ouvir, consultar e trocar impressões acerca das necessidades do trabalho pastoral e do bem da diocese”.

Ao sublinhar esta íntima fraternidade sacerdotal, o Concílio espera que o presbitério cresça na consciência de que está envolvido na condução do povo de Deus. O sacerdote é, deste modo, um conselheiro que vê as problemáticas arquidiocesanas e colabora activamente para que se encontrem soluções. É uma experiência vital que dá sentido ao sacerdócio e permite que o bispo vá discernindo, na fidelidade, o que verdadeiramente interessa. Hoje, não só não é possível conduzir o povo de Deus de modo solitário como é anti-evangélico. Como nos recordou Paulo, somos um único corpo interdependente.

Para que a comunhão se torne eficaz, importa constituir “um grupo ou senado sacerdotal, representante do presbitério, que, com os seus conselhos, possa ajudar eficazmente o bispo no governo da diocese”. Assim nasceu o Conselho Presbiteral, que tem desempenhado esta tarefa. Para determinados assuntos, deveria ser constituído o Colégio de Consultores enquanto instituição estável e necessária para o governo da Arquidiocese. Acontece, porém, que “a Conferência Episcopal pode determinar que as funções do Colégio dos Consultores sejam cometidas ao Cabido Catedralício” (cân. 502 §2). Foi o que aconteceu em Portugal, e concretamente em Braga, reconhecendo-se, assim, a história de grandes iniciativas e responsabilidades que caracterizou os cabidos ao longo dos séculos.

Compete ao Cabido o cuidado da Catedral com a celebração “das funções litúrgicas mais solenes”, assim como acompanhar o Prelado em decisões de particular relevo, algumas estipuladas pelo Código do Direito Canónico e muitas outras que lhe são apresentadas. Tudo com o intuito de uma Arquidiocese que caminhe sinodalmente e nunca apoiada nas decisões, por muito bem fundamentadas que sejam, exclusivas do Arcebispo.

A renovação do Cabido com três novos cónegos é, deste modo, e nas pegadas do programa pastoral, motivo de esperança para a renovação e rejuvenescimento da vida arquidiocesana. Espero que continue na linha da coloração e, particularmente, no compromisso de sugestões que permitam a Arquidiocese ser fiel a Deus servindo esta terra do Minho com o anúncio da alegria do Evangelho. 

Somos fiéis à história e orgulhamo-nos do que os nossos antepassados nos legaram. Mas isso não é suficiente. Temos muito mais para fazer e os nossos contemporâneos não permitem que nos resignemos a ser referência do passado. O bom povo do Minho espera e merece que lhe ofereçamos a vida em abundância que Cristo veio trazer. Cristo não é simples memória. É um vivente que pede um encontro festivo consigo mesmo e com a Sua mensagem. Não podemos desiludir o povo nem trair a confiança que Cristo e a Igreja depositou em nós.

Neste dia, olhando para o muito trabalho realizado, quero salientar um aspecto relevante para a cidade de Braga e para toda a Arquidiocese: cuidar do património. O Cabido tem a responsabilidade de cuidar da Catedral com tudo aquilo que ela significa. Ela possui um valor incalculável e está orientada para o culto e para a cultura. Como Igreja mãe, penso ser seu dever tornar-se paradigma de conservação e usufruto. Sabemos que o Parlamento Europeu proclamou este ano como o “Ano Europeu do Património” sob o lema “Património, onde o passado encontra o futuro”. Ideia interessantíssima para toda a pastoral da Arquidiocese e, consequentemente, para o cuidado a ter com o património. Face à riqueza de património que detemos, temos a responsabilidade de o conservar e valorizar para que possa ser usufruído pela comunidade e ser também um meio para anunciar o Evangelho através da beleza e da arte.

Este ano Europeu deve ainda ser aproveitado para continuar a responsabilidade de preservar e potenciar o que possuímos. Podemos e devemos participar em iniciativas que venham a ser programadas na cidade de Braga ou em qualquer concelho que integre a nossa Arquidiocese. Da nossa parte, intensificaremos a nossa actividade através do Instituto de História e Arte Sacra. Menciono apenas algumas iniciativas, tais como a inventariação e publicação em livro do património das paróquias. Tenho, também, o sonho de um arquivo construído de raiz para recolher os documentos ligados directamente à diocese, assim como aqueles espalhados pelas paróquias e instituições. Por outro lado, sabemos que tanto a história de Braga como da Arquidiocese remontam ao tempo dos romanos. Temos, por isso, a vontade de mostrar o nosso património arqueológico, desconhecido do público, e criar condições para visitas guiadas num local nevrálgico da cidade romana. Braga impôs-se, no contexto nacional, como a cidade da arte litúrgica. Queremos implementar esta vocação e prestar memória a muitos pintores de Arte Sacra que não podem passar despercebidos.

A primeira leitura, retirada do Segundo Livro de Samuel, revela-nos, de algum modo, a importância que alguns objectos sagrados possuem. Conta o livro que David foi buscar a “arca de Deus” e trouxe-a para a cidade entre manifestações de alegria. Como sabemos, há objectos que nos ligam directamente a Deus, que enlevam o nosso espírito, e por isso é importante cuidar deles. Não só pelo seu valor patrimonial mas também pelo seu valor espiritual. O Evangelho, por seu lado, recorda que somos irmãos empenhados em cumprir a vontade de Deus. É uma vontade universal que compromete a todos. Importa que sejamos capazes de a discernir, em termos pessoais e pastorais, para no meio do mundo mostrarmos a credibilidade da Igreja.

Por isso, nesta tomada de posse, procuremos recordar a comunhão presbiteral como exigência de uma responsabilidade eclesial que nos diferencia de muitas instituições ou partidos. Trabalhemos para que o Cabido da Sacrossanta e Primacial Arquidiocese de Braga continue a missão de ser um senado do Arcebispo e, cuidando do património e dando sugestões sobre o seu uso, se torne guardião da memória do passado e da esperança no futuro. Como dizia o filósofo Kierkegaard, “a vida pode ser compreendida olhando para trás, mas só pode ser vivida olhando para a frente”. Toca-nos a responsabilidade do presente. Mergulhados no dinamismo deste tempo e do lugar onde vivemos, teremos de nos enraizar sempre no passado, diante de muitos que pretendem desconsiderá-lo ou colocar-lo à margem da vida, e olhar com esperança para o futuro. 

Que Santa Maria de Braga nos ajude a mostrar a força do Evangelho, assim como a história de todos os cristãos que nos precederam.

† Jorge Ortiga, Arcebispo Primaz

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