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4 Mar 2016
Olhares sobre a Educação
Discurso no encontro “Olhares sobre a Educação”
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Neste novo momento da Nova Ágora queremos, em conjunto, dirigir os nossos olhares para a educação. Somos unânimes em reconhecer que, na sociedade contemporânea, nada condiciona tanto o futuro quanto esta problemática. A educação é, inevitavelmente, a via que prepara as pessoas para guiarem o mundo com suas mãos. As crianças e os jovens de hoje ocuparão os lugares de responsabilidade e de construção da sociedade de amanhã. Já o Concílio Vaticano II considerava “com especial atenção a gravíssima importância da educação na vida do homem e o influxo cada vez maior que ela exerce no progresso social do nosso tempo” (Gravissimum Educationis, proémio).

São variadíssimas as perspectivas sobre as quais nos podemos centrar. Urge uma reflexão capaz de envolver todos os cidadãos com o seu original e insubstituível contributo. Fala-se muito de cidadania activa, mas nem sempre se equaciona o que isto significa e exige. Não é um trabalho de especialistas nem  limitado a quem lida diariamente com o assunto. Quando está em jogo o futuro da Humanidade, ninguém se pode furtar à responsabilidade de reflectir sobre ela.

Para sublinhar a pertinência deste assunto, há quem defenda na praça pública uma certa emergência educativa. Esperam-se, muitas vezes, reformas do sistema e até se aceitam passivamente determinações sem a conveniente envolvência do povo. Rompe-se com hábitos e gera-se uma instabilidade que pode não beneficiar os verdadeiros interessados. As crianças e os jovens, alicerces do amanhã, merecem, assim o entendo, um plano convenientemente estruturado e aglutinador das sensibilidades mais adequadas para o nosso tempo e seus desafios. Não são as mudanças que garantem a qualidade. Talvez não estejamos habituados a consensos e, quem sabe, nem sempre seja possível alcançar uma convergência de opiniões. Mas, as contínuas e inesperadas mudanças nem sempre conduzem às melhores soluções.

Nesta reflexão integral, ao nível dos sujeitos que exercem uma cidadania activa e ao nível dos conteúdos e formas a propor, não podemos descartar a religião. “A religião ou, se preferirmos, as religiões também tem um papel a desempenhar neste importante âmbito da educação”. Esta afirmação não é feita por nenhum membro da Igreja nem por mim mesmo. São os organismos internacionais que, permanentemente, interpelam neste sentido. Recordo a importância que teve o Livro Branco sobre o diálogo intercultural – Viver Juntos em Igual Dignidade – que o Conselho da Europa publicou em 2008 com conclusões pertinentes e oportunas. Aí se refere que “as religiões são chamadas a promover a educação para os valores, para a valorização dos direitos humanos, a educação para uma cidadania democrática”. Flávio Pajes interpretou esta afirmação como um “contributo às religiões para que seja possível a construção de uma nova cidadania democrática na Europa”.

Os valores não são apanágio do pensamento religioso. Contudo, mesmo num sociedade que se pretende laica, as diferentes culturas estão marcadas por valores que nasceram na esfera religiosa e que chegaram ao âmbito do património da Humanidade. Só que, muitas vezes, são valores reconhecidos por todos mas esquecidos no quotidiano das relações intergeracionais.

Vamos olhar para a educação. Não nos podemos esquecer que ela deve começar em casa para depois se reflectir na sociedade. Talvez o grande problema da educação resida aqui. Por ser árduo o trabalho de casa, pretende-se que outros substituam o que deveria ser insubstituível. 

Ouçamos, participemos e saiamos daqui inquietos. O amanhã é hoje, com aquilo que é pedido a cada um. 

Marquemos encontro para a próxima sexta-feira. A Arte é a paixão pelo belo, para a qual nos educamos e através da qual tornamos a vida mais maravilhosa.

Bom encontro. Seja grande o enriquecimento intelectual e, particularmente, de responsabilidade activa para uma sociedade com valores.

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