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11 Mar 2016
Olhares sobre a Arte
Discurso no encontro “Olhares sobre a Arte”, no Auditório Vita.
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No nosso último encontro sobre a educação, percebemos o quanto é importante recuperar uma visão holística da realidade humana. Nesse mesmo dia recebi um livro, editado pela Câmara do Porto, com um título muito sugestivo: “Educação para a Arte – Encontros com a cidade”. Na carta que o acompanhava, afirmava-se: “É de capital importância para o futuro das gerações vindouras a promoção de uma educação voltada para a História, para a cultura e para a arte”, o que exige uma “inequívoca influência da ciência e da arte na formação dos nossos jovens.”.

A arte, como sabemos, tem o condão de activar a nossa imaginação. Segundo Henry Newman, na Gramática do assentimento, existem duas formas de conhecimento, uma nocional, entendida como «conhecimento abstracto», e outra real, no sentido de «conhecimento experiencial», do coração. Ambas são, é certo, importantes e necessárias para um humanismo integral. Mas, a arte, em certa medida, apresenta-se como a antecâmara do conhecimento real ou experiencial, na medida em que activa a nossa imaginação. E o que é imaginação? É a realidade em estado de potência.

Creio ser esta uma das conclusões mais significativas do ciclo de Conferências Nova Ágora: o encontro dos diferentes não é apenas uma potência mas, quando o Homem deseja, pode ser uma realidade. Este critério aplica-se a vários quadrantes da vida e, de um modo particular, no âmbito do diálogo entre crentes e não-crentes. Há alguns alguns, a Nova Ágora seria, para muitos, uma realidade fictícia. Pois bem, a Arquidiocese de Braga, na linguagem de Newman, imaginou esse encontro e nasceu, em primeiro lugar, o Átrio dos Gentios e, agora, a Nova Ágora.

É célebre a passagem do livro Assim falava Zaratustra da autoria Nietzsche: «Ouvistes falar daquele homem louco que, à clara luz da manhã, acendeu uma lanterna, correu ao mercado e pôs-se a gritar incessantemente: “Procuro Deus! Procuro Deus!”. E visto que, precisamente lá, se encontravam reunidos muitos dos que não acreditavam em Deus, provocou grandes gargalhadas».

Recordo-me que ao longo destes três encontros, crentes e não-crentes, rimo-nos várias vezes. Foi um riso de quem se sente à vontade, de quem sente estar entre gente amiga e, portanto, partilha momentos de descontracção, de humor, mas também de reflexão e perplexidade. É este o espírito que imaginei para a Nova Ágora: um espaço de procura mútua, de amizade e de interrogação desafiante. As razões da não crença interrogam-me. Estou certo que a minha fé também questiona quem não crê. Não será também a fé uma realidade em estado de potência?

 Estas conferências foram, apenas e só, um sinal para mostrar o quanto desejamos entrar nas questões do Homem moderno. Iremos continuar no próximo ano. Sugiram-nos temas e argumentos. Algumas pessoas deixaram também o seu nome e manifestaram interesse em serem convidados para outras iniciativas. Entraremos brevemente em contacto.

É hora de agradecer. Os trabalhos correram bem porque, antes de mais, houve muita gente que trabalhou nos bastidores, longe dos holofotes, fez-nos ser acolhidos e permitiu-nos beneficiar de tão bons debates. Não enumero ninguém mas conheço por nome quem permitiu estes “Olhares sobre…”. Sei que estão contentes pelos resultados e esta alegria interior é a melhor gratidão. 

Aos conferencistas, moderadores, grupos musicais, um abraço que pague o que humanamente não conseguimos fazer. Acredito que, também eles, regozijam por terem dado tempo e conhecimento para que cerca de 2000 pessoas experimentassem o prazer de estar numa praça aberta onde cada um se enriqueceu.

Queria ainda agradecer, de modo particular, ao nossos patrocinadores (Caravela, Gráfica do Diário do Minho, Pi Creative Studio e Mercedes-Benz), às instituições que nos apoiaram (Hotéis do Bom Jesus, Cruz Vermelha Portuguesa, Delta Cafés, Câmara Municipal de Braga), aos nossos parceiros de imprensa (Diário do Minho e Renascença) e, por fim, à excepcional equipa organizadora deste Ciclo de Conferências (P. Eduardo Duque, GTI e o Departamento Arquidiocesano para a Comunicação Social). 

Obrigado a todos por acreditarem, connosco, neste espaço de diálogo franco, aberto e plural.

Resta anunciar que no próximo ano cá estaremos. Com pessoas e temas diferentes. Recebei da minha parte e da Arquidiocese de Braga um abraço de muita simpatia.

 

† Jorge Ortiga, Arcebispo Primaz

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