Arquidiocese

Ano Pastoral 2018/2019
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11 Set 2018
Sou uma missão
Homilia na peregrinação arciprestal ao Santuário da Penha
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Esta peregrinação arciprestal coincide, como habitualmente, com o início de um novo ano pastoral. Neste sentido, para além das nossas devoções particulares, temos de nos concentrar no Programa Pastoral da Arquidiocese: acolhê-lo, reflecti-lo, dispormo-nos a concretizá-lo. É uma tarefa que compete a todos os sacerdotes e leigos, realizada de modo individual e sinodal nos diversos conselhos pastorais e movimentos. O Programa Pastoral não pode ser uma simples ideia! É um compromisso que a Igreja Arquidiocesana assume e, por isso, recusar-se a respeitar este princípio constitui uma infidelidade com efeitos nocivos no seio da Igreja e do mundo.

Prosseguiremos na descoberta dos caminhos da esperança. Não ficamos em juízos negativos nem na atitude passiva de delegar noutros a responsabilidade de a construir. No dever de “despertar a esperança”, este ano queremos “ser” esperança. Ideal maravilhoso! O caminho a percorrer é desafiante. Devemos tecer comunidades acolhedoras e missionárias, participando activa e criativamente no processo de ser esperança. 

Tecer comunidades ganha forma através da caridade que une a diversidade de temperamentos e feitios. Somos de todos e para todos, e a beleza está nesta ligação de fios de vida com cores e texturas diferentes. Entre nós não há acepções de pessoas. Acolhemos e estimamos a todos. Não temos lugares reservados para ninguém. Somos um só coração e uma só alma.

O que S. Paulo nos refere na segunda leitura não pode ser uma teoria bonita. Mas, olhando com realismo para as nossas comunidades, não teremos ainda um longo caminho a percorrer? Queremos, por isso, paróquias acolhedoras, atentas a todas as necessidades, férteis em gestos de ternura e compreensão, peritas na arte de desatar os nós do sofrimento, luto, preocupações económicas e instabilidade familiar. A comunidade constrói-se através de gestos realizados no silêncio e no anonimato.

Queremos que o mundo nos compreenda? Usemos, então, esta linguagem universal. As palavras são importantes mas o testemunho da unidade e comunhão é o único que convence. O Evangelho fala da cura do mudo. Façamos a nossa parte para que as comunidades testemunhem o amor. Isaías fala dos cegos, dos surdos, dos coxos, dos mudos… cada uma destas realidades pode evocar-nos situações concretas que existem dentro dos nossos espaços geográficos.

A pessoa humana é um lugar teológico e um espaço de missão. Assim, em ano missionário, acolhemos a mensagem do Papa Francisco expressa na Evangelii Gaudium

“A missão no coração do povo não é uma parte da minha vida, ou um ornamento que posso pôr do lado; não é um apêndice ou o momento entre tantos outros da minha vida. É algo que não posso arrancar do meu ser se não me quero destruir. Eu sou uma missão nesta terra, e para isso estou neste mundo. É preciso considerarmo-nos como que marcados a fogo por esta missão de iluminar, abençoar, vivificar, levantar, curar, libertar. Nisto se revela a enfermeira autêntica, o professor autêntico, o político autêntico, aqueles que decidiram, no mais íntimo do seu ser, estar com os outros e ser para os outros. Mas se uma pessoa coloca a tarefa de um lado e a vida privada do outro, tudo se torna cinzento e viverá continuamente à procura de reconhecimentos ou defendendo as suas próprias exigências. Deixará de ser povo.” (E.G. 273)

Convido a que todos – sacerdotes e leigos – descodifiquem esta pequena frase “eu sou uma missão nesta terra, e para isso estou neste mundo”. Dando vida a esta ideia, testemunharemos a nossa admiração e simpatia pelo Papa Francisco. Muitos querem encurralar a sua mensagem em mundos sombrios. O percurso que, na fidelidade ao ministério petrino, está a procurar seguir é muito vasto e um paradigma para as nossas comunidades. Com o nosso apoio, e acolhendo a sua mensagem, a reforma da Igreja atingirá as pessoas e as estruturas. Mostremos a nossa comunhão e unidade com o Santo Padre.

O nosso Programa Pastoral exprime a ideia de missão, como já o disse, na urgência de uma participação activa e criativa. O que é que estas palavras nos dizem? Teremos tempo para reflectir sobre elas, individualmente e em grupo, assim como de as concretizar. Acordemos e renovemos a alegria de ser construtores do Reino. Este acordar para a alegre participação não é só para os leigos. Também nós, sacerdotes, necessitamos de um novo encanto. Quanto maior é a complexidade do mundo, mais consciente e empenhado deve ser o nosso serviço. Não esqueçamos, ainda, que a participação tem de ser criativa. Chega de repetir fórmulas tradicionais. Os tempos são de novidade e o espírito continua a agir na Igreja. Inovemos no modo de incarnar a Igreja nos dias de hoje.

A missão, como sabemos, não se esgota no estrito âmbito eclesial. Teremos, por isso, de agir com espírito missionário e permear com valores evangélicos a vida social, económica e política. A fé não perdeu a sua acutilância. Os cristãos é que perderam a sua militância. Mais do que nunca são necessários cristãos comprometidos nestes ambientes. A política é um campo de missão para os católicos e o princípio do bem comum deveria oferecer tempos novos sem cedências a clientelismos e  intuitos meramente partidários. As empresas necessitam do fermento evangélico e os empresários e trabalhadores crentes podem criar ambientes de trabalho onde os direitos se aliam aos deveres e a dignidade humana é respeitada. Sabemos que a economia está a matar o compromisso dos cristãos gerarem um ambiente de comunhão. Peço, por isso, que não se deixem contaminar por interesses marcados pela avidez e por processos de corrupção que a todos deveriam escandalizar.

Poderia continuar a elencar ambientes que esperam e necessitam da missão dos cristãos. Cada um tem o seu e o Evangelho, lido e rezado, lança sugestões para o testemunho ou iniciativas a realizar. Volto ao mundo das comunidades eclesiais para solicitar a todos um compromisso, em nome da Igreja, com iniciativas de voluntariado onde a criatividade pode e deve acontecer. A dignidade baptismal deve levar sempre ao compromisso que nunca é um favor aos padres. Somos baptizados e isso torna-nos ministros de um mundo novo. Um lugar privilegiado desta realidade são as Confrarias. Devem, também elas, possuir um sentido de missão em nome de Cristo e da Igreja. Aproveito para agradecer o trabalho que fazem e espero que o Espírito as conduza por caminhos ainda não andados.

Aqui, no Santuário da Penha, com 250 anos de compromisso eclesial, tendo já celebrado 150 peregrinações e com idêntico número de anos do monumento a Pio XII, agradeço a todos quantos permitem que este local, para além de Santuário, seja uma instância de turismo, espaço de verdadeiro cuidado pela Casa Comum da natureza, onde todos podemos ganhar força para encarar os desafios que a vida e o mundo nos colocam.

Vamos tecer comunidades acolhedoras e missionárias. Suscitemos uma participação activa e criativa. Que as nossas comunidades sejam oásis de esperança, pontes onde todos encontram tranquilidade e serenidade para depois construir um mundo mais humano com ajuda materna de Maria.

† Jorge Ortiga, Arcebispo Primaz

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