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DACS com Agência ECCLESIA | 3 Jun 2019
Historiador José Mattoso recebe prémio Árvore da Vida
O prémio foi entregue na 15.ª Jornada Nacional da Pastoral da Cultura que debateu, ao longo do dia, o tema ‘A Mulher na Sociedade e na Igreja’, em Fátima.
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  © Paulo Rocha/Agência Ecclesia

O historiador José Mattoso recebeu no passado Sábado, em Fátima, o Prémio Árvore da Vida/Padre Manuel Antunes 2019, pela sua reflexão sobre a espiritualidade cristã e acção cívica e cultural.

O investigador assinalou que, nos séculos XIX e XX, a Igreja Católica em Portugal se refugiou “na sombra do poder constituído” – “enfraquecida pela perda dos seus bens e pela debilidade do seu pensamento racional, perdeu o sentido da criatividade cultural” – mas, hoje, pela reflexão teológica, à crítica exegética e ao verdadeiro conhecimento do passado, “recuperou o seu lugar no mundo da ciência e da razão”.

“A história crítica da Igreja ajuda-a a reconhecer os seus erros, a explicar as suas decisões, a interpretar indícios significativos da sua acção, a descobrir afinidades com correntes alheias, a reconstituir estruturas globais, a descobrir novidades inesperadas”, desenvolveu.

José Mattoso sublinhou o facto de o Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura ter escolhido, para o Prémio Árvore da Vida, o Pe. Manuel Antunes (1918-1985), jesuíta, “como modelo da conciliação da fé com a cultura”.

“Foi uma das personalidades que em Portugal mais contribuíram para dissipar a agressividade anticlerical e para restituir à Igreja um lugar importante na promoção da cultura”, destacou o homenageado, salientando que a obra do professor universitário e ensaísta “permanece ainda hoje como um marco fundamental na história da cultura portuguesa”.

O premiado mostrou-se “muito honrado” e convidou o SNPC a “incentivar a actual renovação da historiografia eclesiástica” em Portugal.

“A fé opunha-se à ciência, à razão e à cultura. Hoje o diálogo tornou-se pacífico, e a crença é, para muitos, fonte verdadeira de inspiração cultural”, acrescentou José Mattoso.

“Creio que só um pluralismo de raiz evangélica, fruto da Palavra única de Jesus Cristo, pode conciliar a imensidade e a multiplicidade das suas incarnações, no tempo e no espaço, com a unidade de Deus Pai, uno e trino, Senhor do Céu e da Terra”, concluiu.

O prémio foi entregue na 15.ª Jornada Nacional da Pastoral da Cultura que debateu, ao longo do dia 1 de Junho, o tema ‘A Mulher na Sociedade e na Igreja’, em Fátima.

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