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Departamento da Pastoral Universitária | 22 Mai 2020
Narrativas de jovens universitários estrangeiros
Ricardo Bastos | 1º Ano no Mestrado em Ciências da Comunicação (UMinho)
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Após concluir a minha graduação em 2018, surgiu uma grande incerteza na minha vida: “o que eu faço agora?!”. No meio do pânico e medo após o término da licenciatura surgiu, então, a possibilidade de fazer um mestrado em Portugal. Desde cedo tinha vontade de ter uma experiência de morar fora do país, para além disso, como acontece com muitos outros jovens, seria uma forma de atrasar um pouco mais a decisão do que fazer da minha vida. E foi assim que, em setembro de 2019, cheguei a Braga.

Apesar de sempre ter tido esta vontade de ir sozinho para outro país, fui confrontado com sentimentos que não conhecia em mim, de uma intensa solidão e tristeza. Na minha primeira noite, já pesquisava passagens para retornar ao Brasil. Mas tinha consciência de que seria injusto desistir tão rápido, por isso, decidi dar mais um tempo a esta nova experiência na minha vida. E que bom que foi ter assim decidido! 

Ainda no Brasil, mais ou menos um mês antes da viagem, o meu pai, nas suas pesquisas, encontrou o Centro Pastoral Universitário pela internet e desde logo interessei-me pela proposta da Casa. Por ter um espírito católico e por poder estar envolvido em atividades ligadas à Igreja. Poder viver num lugar da Arquidiocese de Braga era um grande atrativo para mim. Então, depois de alguns dias após a minha chegada a Braga, fui aceite na residência do CPU. Lembro que essa notícia foi um sopro de alívio para mim. Desde as pesquisas iniciais que fiz sobre o CPU, senti que aquele lugar seria especial. 

Felizmente, o meu pressentimento estava correto. E assim eu, que me sentia tão sozinho nos primeiros dias, passei rapidamente a morar com mais de 30 jovens e a solidão não era mais uma presença. Com o passar do tempo, após todos se irem soltando aos poucos, passei a criar vínculos com mais e mais residentes e com outros jovens que por ali passavam o seu tempo. Conheci pessoas de culturas e vivências diferentes, jeitos diferentes de estar, mas todos especiais. É importante ressaltar a quantidade de pessoas talentosas que esta casa atrai e que aqui encontram espaço para se manifestar!

No fim de dezembro voltei ao Brasil, mas retornei a Portugal no fim de janeiro. Se na primeira vez a sensação era de medo e de incerteza, neste retorno fui com o coração tranquilo, pois sabia que tinha um lugar que me esperava. E, mais que isso, tinha pessoas que me esperavam. Voltei muito mais animado e disposto a dar mais de mim para viver tudo o que podia viver nessa experiência. E assim vivi por algumas semanas. 

Entretanto, não estava em nenhum dos meus planos, nem de ninguém, uma pandemia mundial. De um dia para o outro, a casa esvaziou. Os sentimentos de medo e incerteza voltaram com força. Mas, mais uma vez, fiquei grato por estar naquele local. Nas poucas pessoas que ainda ali estavam, encontrei uma rede de apoio fundamental. Além disso, a presença da capela com o sacrário representou um diferencial imenso neste momento que vivíamos. Que privilégio ter a presença constante de Jesus Eucarístico! 

E após algumas (longas) semanas, retornei ao Brasil. Vivi uma mistura confusa de sentimentos. Por um lado, alegria e alívio por chegar à minha cidade, à minha casa. Por outro, tristeza e frustração por ter uma experiência tão enriquecedora interrompida de modo tão abrupta e inesperada. Mas, apesar de tudo, prefiro focar não no que eu poderia ter vivido, mas sim naquilo que consegui viver, e ser grato por isso. Mesmo não tendo feito nem metade de tudo o que poderia e gostaria de fazer, retorno com aprendizagens e conquistas que fazem com que tudo tenha valido a pena.

Nesses meses que passei em Portugal descobri que sou muito mais forte do que achava. Aprendi a apreciar a minha própria companhia e percebi que consigo ser independente. Passei a dar valor a coisas e pessoas que talvez antes não desse a devida importância. Amadureci muito na fé e estreitei a minha relação com Deus. Vivi experiências e momentos muito especiais. E, acima de tudo, tive o privilégio de conhecer pessoas incríveis que, cada uma com o seu jeito específico, deixaram as suas marcas na minha vida.

Concluiu este texto - que já se prolongou demais - com um grande agradecimento ao Centro Pastoral Universitário e todas as pessoas envolvidas - sejam residentes, colaboradores ou da direção - por terem causado um impacto tão positivo em mim e por me terem ajudado a superar todas as dificuldades que encontrei no caminho. 

Espero poder reencontrá-los! E que fique claro, isto não é um adeus, mas apenas um “até logo”! :) 

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