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Joaquim Félix | 10 Mai 2017
Editorial nº 2
«É necessário fazer com que a música sacra e o canto litúrgico sejam plenamente inculturados nas linguagens artísticas e musicais da atualidade.» (Papa Francisco in Discurso aos participantes no congresso internacional «Música e Igreja: culto e cultura, há 50 anos da Musicam Sacram»)
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«É necessário fazer com que a música sacra e o canto litúrgico sejam plenamente inculturados nas linguagens artísticas e musicais da atualidade.» (Papa Francisco in Discurso aos participantes no congresso internacional «Música e Igreja: culto e cultura, há 50 anos da Musicam Sacram»)

Que discernimento estará na base das apreciações e dos desafios que o Papa Francisco proferiu no discurso aos participantes do congresso internacional, organizado pelo Pontifício Conselho da Cultura e a Congregação para a Educação Católica, para assinalar os 50 anos da publicação da Instrução Musicam Sacram? Por certo, no seu discernir, há grande lucidez de registo pastoral, conforme à perspetiva do Concílio Vaticano II, sobre a música na liturgia. Análise ‘clínica’ da realidade, propensa a denunciar o índice dos ‘abusos’? Não. Se isso sucedeu nalguns balanços relativos aos cinquentenários dos documentos conciliares, Francisco procura apontar o horizonte da renovação da música sacra e litúrgica, além dos limiares costumeiros, acentuando a urgência dos desafios maiores no tempo presente. 

As linguagens contemporâneas são exigentes. Sim, são as nossas; sem elas, diminuímo-nos. Daí o esforço, requerido para aprofundar a inculturação, como propõe o Papa: «É necessário fazer com que a música sacra e o canto litúrgico sejam plenamente inculturados nas linguagens artísticas e musicais da atualidade.» Suscitará dificuldades tal encontro? Seguramente, e por vezes isso aconteceu, como reconhece Francisco. Todavia não temos alternativa, e pensar pela positiva faz bem. É verdade que os problemas não são automáticos e nem sempre evitáveis. Mas fugir ao presente, na fuga horarum (fuga das horas), deve ser encarado como falta de honestidade e coragem, rutura com a ética cristã. O património da grande Tradição musical há-de valorizar-se, mas no justo equilíbrio, evitando «o risco de uma visão nostálgica ou “arqueológica”». A chave do tempo reside na formação, sobretudo estética e musical, na relação interdisciplinar com a cultura contemporânea e as tendências prevalecentes, dos leigos e, desde logo, daqueles que podem ser grandes promotores, como frisa o Papa: «uma adequada formação musical, inclusive em quantos se preparam para se tornarem sacerdotes, no diálogo com as correntes musicais atuais, com as instâncias das diversas áreas culturais e em atitude ecuménica».

Que podem fazer os compositores? Que se lhes pedirá, no campo da música sacra e litúrgica? Além de quanto se escreveu sobre o assunto, o Papa Francisco estimula-os a «incarnar e traduzir a Palavra de Deus em cantos, sons, harmonias que façam vibrar o coração dos nossos contemporâneos, criando também um oportuno ambiente emotivo, que disponha para a fé e suscite o acolhimento e a plena participação no mistério que se celebra.» O n. 2 da SALICUS é testemunha da incarnação da Palavra evangélica, no cântico «Que todos sejam um», com estrofes tiradas do salmo 22, composto por Eurico Carrapatoso, cuja insistência no refrão tem em conta um motivo especial, a celebração do 50º aniversário da ordenação presbiteral de D. Jorge Ortiga, arcebispo primaz de Braga, que tem como lema episcopal «Ut unum sint». De notar que se publica, pela primeira vez, uma Missa para duas vozes iguais e órgão do Padre Manuel Valença, recentemente falecido, de quem se comemora o centenário do nascimento no presente ano, razão pela qual se lhe dedica um artigo, sobre o contributo que deu à arte organística, da autoria de José Rodrigues. Refira-se, ainda, a composição de um cântico de Comunhão, por Fernando Valente, com texto de José Augusto Mourão, padre dominicano, que «acreditou e deu exemplo da força da palavra, da procura da palavra, para tocar a sua própria consciência e a consciência de outrem, para vermos tudo claro, sem rodeios, não raro com alguma crueza, sem nunca desistirmos de procurar a luz, a Palavra de Deus, a Palavra de Jesus Cristo, a chama, a ardência, Deus nos seus enigmas e revelações, pela Encarnação de Jesus Cristo, o Deus absconditus, mas também o homo absconditus.» (Helena Conceição Langrouva)

A revista SALICUS deseja, na sequência da reflexão produzida neste congresso, ser um promotor da renovação da música litúrgica que, segundo o Papa, passa por aprender a «contemplar, adorar e acolher» a ação de Deus, «percecionar-lhe o sentido, graças, em particular, ao silêncio religioso e à musicalidade da linguagem.» Mais, ela procura ser fonte de encorajamento para atingir o «importante objetivo» apresentado por Francisco: «ajudar a assembleia litúrgica e o povo de Deus a percecionar e participar, com todos os sentidos, físicos e espirituais, no mistério de Deus. A música sacra e o canto litúrgico têm a tarefa de nos dar o sentido da glória de Deus, da sua beleza, da sua santidade que nos envolve como uma nuvem luminosa.»

Para atender a vários níveis da prática dos organistas, o Livro de Órgão oferece quatro versões de acompanhamento do cântico «Como o veado anseia». 

Na Sala de Ensaio são dadas indicações para os diretores de Coros ensaiarem o cântico «Esta é a mesa da nossa comunhão», do compositor Fernando Valente. Última nota, que se faz em termos de convite a participar: o concurso para o n.3 da SALICUS continua aberto e, no final deste número, publica-se o edital do concurso para o n.4 da revista.

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