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DACS com LA Croix International | 13 Out 2022
Porque está o Papa Francisco tão interessado em celebrar o Vaticano II
O primeiro Papa a ser ordenado sacerdote após o Vaticano II mostrou um apego particular ao Concílio, principalmente através da liturgia e da sinodalidade.
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Algumas pessoas em Roma ficaram surpreendidas quando foi anunciado que o Papa Francisco presidiria a uma missa na Basílica de São Pedro a 11 de Outubro para comemorar o início do Concílio Vaticano II (1962-65). A liturgia veio 60 anos depois da abertura daquilo a que João XXIII chamou de “aggiornamento” (“atualização”) da Igreja “após vinte séculos de vida”.

Cerca de 35 cardeais, 55 bispos e 450 padres – cinco desses homens realmente participaram no Vaticano II – juntaram-se a Francisco para a missa de aniversário de terça-feira. De facto, durante os seus quase dez anos de pontificado, o Papa jesuíta continuou a colocar-se como sucessor do Concílio, citando regularmente, por exemplo, as quatro constituições que produziu.

“Até ao Verão de 2021, Francisco falou indirectamente sobre o Vaticano II através da suas viagens ou dos principais textos do seu pontificado”, disse Massimo Faggioli, teólogo italiano que ensina estudos religiosos na Universidade Villanova, nos Estados Unidos.

“Ele era um típico latino-americano: o Concílio era um dado adquirido, e ele falou em particular sobre o pós-Concílio”, observou Faggioli.

 

Um ponto de viragem

Referindo-se ao apelido do Papa, disse que há definitivamente uma “forma Bergogliana de pensar” sobre o Vaticano II.

Faggioli disse que a publicação da Traditionis custodes, o “motu proprio” que restringia estritamente a celebração da missa pré-Vaticano II, foi um ponto de viragem

“Naquela altura, (Francisco) entendeu que a situação era grave, especialmente nos Estados Unidos, e identificou um risco de cisma litúrgico”, destacou Faggioli.

De facto, durante vários meses, o Papa fez da liturgia uma das pedras angulares do Vaticano II, ou pelo menos começou a equiparar a contestação da reforma litúrgica com a rejeição de todo o Concílio.

“Não vejo como é possível dizer que se reconhece a validade do Concílio – embora me surpreenda que um católico ouse não fazê-lo – e ao mesmo tempo não aceitar a reforma litúrgica nascida da Sacrosanctum Concilium”, declarou Francisco em Junho passado na Desiderio desideravi, a sua Carta Apostólica sobre a liturgia.

Curiosamente, o Papa argentino permaneceu em silêncio sobre a liturgia durante os primeiros anos de seu pontificado.

“A liturgia tornou-se um ponto de discórdia sobre o Concílio”, disse uma fonte do Vaticano.

“A reforma litúrgica faz parte do Concílio, não se pode separar as duas coisas. Rejeitar uma é rejeitar a outra”, insistiu a fonte.

 

Sinodalidade

Mas, além das questões relacionadas com a liturgia, as acções de Francisco são uma continuação do Concílio, especialmente no seu desenvolvimento da sinodalidade.

Realizou assembleias do Sínodo dos Bispos sobre temas particulares, como a família, a juventude e a Amazónia.

Também adoptou uma abordagem mais ampla, como o recente processo sinodal de base para preparar a assembleia do Sínodo sobre o futuro da Igreja.

A fase final deste “Sínodo sobre a sinodalidade” começará dentro de um ano. Irá acontecer ao fim de um processo de dois anos que pretendia envolver todos os católicos.

“O Vaticano II abriu momentos, antes impensáveis, de discussão e debate entre os católicos”, explicou Faggioli.

“O Concílio criou justamente a possibilidade de discussão fora do Concílio, permitindo a participação de todos, não apenas dos bispos”, disse o teólogo.

Neste ano do 60º aniversário do Vaticano II, a Secretaria Geral do Sínodo dos Bispos anseia por reivindicar o legado do Concílio.

“O propósito do Sínodo foi e continua a ser prolongar, na vida e missão da Igreja, o espírito do Concílio Vaticano II”, disse um comunicado que o secretariado com sede em Roma divulgou na segunda-feira passada, um dia antes do aniversário da abertura do Vaticano II.

“O II Concílio Ecuménico do Vaticano, fortemente desejado por São João XXIII e realizado por São Paulo VI, foi um evento de graça para a Igreja e para o mundo”, destacou Francisco recentemente no prefácio de um livro sobre o assunto publicado na Itália (Giovanni XXIII. Il Vaticano II. Un Concilio per il mondo, de Marco Roncalli).

Descreveu-o como “um evento cujos frutos não se esgotaram”.

“O último concílio ecuménico ainda não foi totalmente compreendido, vivido e aplicado”, continuou Francisco. “Estamos a caminho”.

Artigo de Loup Bemond de Senneville, publicado no La Croix International a 11 de Outubro de 2022.

 

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