Arquidiocese de Braga -
3 janeiro 2018
Escuteiros de Nine constroem “Presépio das Cinzas” solidário com a tragédia dos incêndios
Departamento Arciprestal da Comunicação Social
Agrupamento aproveitou o espaço da capela de Santo António para concretizar esta iniciativa.
O Agrupamento de Escuteiros 1046, da paróquia de Santa Maria de Nine, Arciprestado de Vila Nova de Famalicão, construiu um presépio com recurso a madeiras queimadas na tragédia de Pedrógão Grande com o objectivo de sensibilizar para o flagelo dos incêndios que no último ano assolou grande parte do território nacional, ceifando vidas, destruindo habitações, empresas e florestas.
Assim, no âmbito das denominadas “Festas do Menino”, que integram todas as iniciativas da quadra natalícia realizadas na e para a comunidade paroquial, os dirigentes deste Agrupamento escutista decidiram usar o espaço da capela de Santo António, situada na paróquia, para recriar a tradicional cena da Natividade e, em simultâneo, honrar as pessoas directamente afectadas pela tragédia dos fogos, construindo aquele a que chamaram “Presépio das Cinzas”.
A imagem exterior da Capela, totalmente cercada pelo negrume de madeiras queimadas, atrai imediatamente o olhar de quem passa, sobretudo de quem já conhece a fisionomia austera do espaço no seu estado habitual. Ao entrar na espécie de clareira que ali se forma, o visitante tem à sua frente um breve percurso a fazer, ladeado por ramos secos e crispados, com o aspecto aparentemente pouco aprumado da ramagem, a par das cinzas espalhadas pelo chão, que evocam uma imagem de desolação e dor.
Segundo os responsáveis por esta iniciativa, quiseram “que este presépio fosse ainda mais especial”, pois “se o nascimento de Jesus é o símbolo da redenção universal por que todos ansiamos, e se a imagem do presépio antecipa, no nosso coração, o enlevo da paz, a fraternidade e a alegria genuína de vermos, no fim de cada ano, a promessa de um verdadeiro recomeço, sobretudo, para os que mais sofrem, – sentimos que o Presépio de Santo António apelava a uma missão de esperança tornada mais urgente pelas circunstâncias vividas este ano”. Referindo-se à própria construção do presépio, enfatizam o desejo de “que o breve percurso realizado neste espaço acompanhe o lento, mas gradual, caminho que das cinzas – do terror, da angústia, da desolação – nos conduz à esperança e à vida trazidas e renovadas por Jesus Cristo.”
O Agrupamento de Escuteiros adianta que uma parte significativa das contribuições no âmbito das “Festas do Menino” reverterão para o projecto CRIAR BOSQUES, lançado pela Quercus. Colaborando com várias entidades e voluntários, este projecto destina-se a recolher sementes para recuperar e cuidar de bosques com espécies autóctones, árvores e arbustos originais da flora portuguesa. Deste modo, e como salientam, o imaginário deste presépio deseja “fazer renascer das cinzas a floresta do nosso país”.
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