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17 Jan 2019
Notas de uma sinfonia do amor
Homilia no funeral do Cónego Fernando Monteiro
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  © Avelino Lima | DM

O amor vem de Deus e Deus ensina-nos a amar. Deus é, Ele mesmo, amor. 

Ancorados neste pensamento da Primeira Carta a João, agradecemos a Deus por nos ter dado a possibilidade de conviver com o Cónego Fernando Monteiro ao longo de uma vida. Desde os mais velhos aos mais novos, cristãos, gente anónima e figuras da sociedade... tivemos o prazer de, nalgum momento, nos cruzarmos com ele, de conversar e de com ele conviver. A sua simplicidade, bondade, sorriso terno e sabedoria levaram-nos muitas vezes, como diz a primeira leitura, ao “conhecimento de Deus”. 

Deus manifesta-se e dá-se a conhecer de diferentes modos e tempos. Ora através da Palavra, dos profetas, da inspiração interior, de gestos concretos, ora através das pessoas. O Cónego Fernando foi, sem mais, um “operário” – como gostava de dizer – do enorme amor que Deus nutre por todos nós. A “Deus nunca ninguém o viu”, diz João. Mas na medida em que nos amamos uns aos outros e o amor permanece, o rosto de Deus vai-se tornando cada vez mais concreto. O rosto de Deus começa então a ganhar forma nas feições daquele que, em Seu nome, ama. 

São homens assim – livres, genuínos e dedicados – que nos fazem ainda acreditar na bondade do mundo e das pessoas. E o Cónego Fernando amou e dedicou-se a cada um de nós aqui presentes, bem como a todos os que são Igreja nesta Arquidiocese de Braga, até ao fim. Deu tudo de si, mesmo quando as forças lhe começavam a faltar. Este é o amor de Deus.

O Evangelho que escutámos há momentos relata-nos algumas das últimas palavras e recomendações de Jesus. Sabia que estava próxima a Sua hora e que em breve deixaria de estar com os seus discípulos. Perto da morte, nenhuma pessoa diz banalidades. Cada palavra é pesada e medida. São as últimas palavras e como tal são um testamento espiritual. São palavras que correspondem aos sentimentos mais profundos do coração de Cristo: “Tu que a mim te deste, guarda-os em ti, para serem um só, como Nós somos!”. As últimas palavras de Jesus vão no sentido de que reine a unidade entre os seus discípulos. 

Na unidade entre nós permanecemos em Deus. “Para que todos sejam um e também eles estejam em nós”. Pela unidade, trabalho quotidiano de viver o amor, estamos em Deus e sabemos que Deus estará em nós. Primeiro Deus e a alegria de viver na Sua vontade. Depois a certeza de que permanecemos em Deus na vida e na morte.

Ao longo do seu ministério, o Cónego Fernando serviu como coadjutor, assumindo, depois, a responsabilidade de duas comunidades paroquiais onde foi pioneiro ao construir um Centro Social. Mais tarde, já na cidade de Braga, trabalhou numa paróquia com os desafios próprios das sociedades modernas e dos novos modos de viver a fé. 

A Acção Social foi, como todos sabemos, a sua grande paixão. Não se deixava pautar por critérios de estratos sociais, não fazia, por isso, qualquer distinção entre ricos e pobres. Preocupava-o, apenas e só, promover a dignidade das pessoas e recuperar os marginalizados da sociedade. A opção preferencial da Igreja pelos pobres nunca foi um belo slogan para o Cónego Fernando, mas palavra ardente, forjada a fogo nas entranhas do seu ser. Ainda não tínhamos o Papa Francisco, e o Cónego Fernando era já um defensor da “Igreja em saída”, aquela que vai ao encontro das periferias humanas. 

Fê-lo, de modo particular, através da Vigararia Episcopal para a Acção Social, do rejuvenescimento da Caritas ou ainda da inauguração do Projecto Homem, onde se procura dar resposta àqueles que caíram nas malhas das dependências. Não podemos ainda esquecer a Oficina de S. José, que em breve cumpre 130 anos de vida, e que acolhe crianças de famílias desestruturadas como se de um verdadeiro lar se tratasse. Preparou muitos jovens para a vida e ensinou-lhes um ofício. Sob a sua direcção dotou a casa de melhores condições e providenciou um sereno, feliz e longo futuro à instituição.

A Cooperativa João Paulo II nasceu da convicção de um novo modo de servir melhor por menos. Começou timidamente. Hoje apresenta-se como testemunho de uma Economia Social bem sucedida.

Foi também um apaixonado por S. Bento, dedicou-se de corpo e alma a esta basílica, mesmo quando era necessário entrar pela noite dentro e fazer semanalmente diversas viagens. No seu horizonte estava a promoção de um espaço de verdadeira devoção que permitisse transformar vidas e devolver esperança.

Por fim, é reconhecido publicamente o mérito em dois encargos que desempenhou ao longo dos últimos anos: a economia da Arquidiocese e dos Seminários, assim como a gerência da Grupo do Diário do Minho. A economia da Arquidiocese e dos Seminários sempre foi exigente, mas agora muito mais. O anúncio do Evangelho é muito exigente e só com empenho e competência se oferece tudo quanto é necessário. Para o Cónego Fernando o Grupo Diário do Minho era como que uma segunda família. Nesse sentido era claro que para ele o bem-estar dos colaboradores era fundamental para o sucesso da empresa e uma gestão criteriosa da empresa ajudaria os seus colaboradores a participarem do êxito da empresa. Consciente de que a comunicação é fundamental na evangelização e dos grandes desafios que permanentemente tem de enfrentar, dotou a empresa das condições necessárias para que o jornal Diário do Minho fosse realmente diário e chegasse a todos os minhotos.

Tudo isto são notas de uma sinfonia de quem se enamorou pelo amor de Deus e de quem sentiu ser seu dever transmiti-lo ao próximo, seja ele a pessoa mais anónima, uma figura da sociedade ou os três arcebispos a quem serviu ao longo do seu ministério. 

Cónego Fernando, recordo-me deste cântico que tantas vezes entoávamos no tempo dos nossos primeiros anos de sacerdócio.

“Quando eu chegar a Ti, à Tua porta, eu me perderei em Ti, me perderei em Ti. Quando Tu me perguntares quem sou, não direi o meu nome; direi: Obrigado. Por tudo e pra sempre: Obrigado, obrigado”.

Obrigado a Deus por tudo… 

Obrigado, Cónego Fernando, por tudo o que nos destes de Deus. Obrigado, bom e fiel amigo.

 

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