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19 Mar 2020
Solenidade de S. José
Homilia no Paço Arquiepiscopal
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A nossa participação na eucaristia não é algo de momentâneo que começa e acaba. Ela encerra sempre um dinamismo profundo. A comunhão com Cristo exige que passemos para a vida aquilo que celebramos e que, de um modo muito particular, queiramos viver o que a Palavra de Deus nos comunicou. A eucaristia é graça que suscita a responsabilidade de responder ao dom recebido, passando para a vida o que nos é comunicado. Ela fica incompleta se não transborda para a vida.

Nestas pequenas partilhas que vou tendo convosco tenho sempre esta preocupação. Gostaria de deixar uma mensagem que fosse acolhida e reflectida, porventura depois partilhada em diálogo com os familiares, de modo a trazer algo de novo aos comportamentos quotidianos. Espero que seja essa a vontade de quantos nos seguem. Ouvir para assimilar e colocar na vida.

Hoje celebramos a solenidade de S. José. Muita coisa poderia dizer deste grande homem. Marido e pai e, nesta qualidade, realizou tantas coisas simples e humildes mas sempre com significado e razão. Creio que poderei sintetizar a sua vida dizendo que foi um homem que, conscientemente e no meio de muitas e grandes dificuldades, “viveu para”. Esta é uma perfeita síntese da sua vida. Direi que é o seu legado e a nossa devoção passa por aqui.

No meio da situação complexa que estamos a viver, onde nos tornamos dependentes uns dos outros, não só naquilo que precisamos mas no desejo de não ser contaminado nem contaminar, deveríamos chegar a esta conclusão, para o presente e para a nossa vida futura. Eu sou uma pessoa que “vive para”. Não para si mas para os outros e, neles, para tantas e concretas interpelações. Como crentes, olhemos também para Cristo. E para o essencial da sua vida. 

Dizia o Card. Ratzinger, antes de ser Papa, que “Cristo, sendo único, era e é para todos e os cristãos, que na grandiosa imagem de Paulo constituem o seu Corpo neste mundo, participam desse ser para”. Nem sempre nos consciencializamos da maravilhosa doutrina de que somos um único corpo e que nele, quais órgãos diferentes, vivemos em função do todo, que quer dizer de cada um. Esta é a interessantíssima doutrina cristã. O cristão não vive para si mesmo, mas, com Cristo, para os outros e por eles deve ir gastando a vida oferecendo tudo o que é e tem. Como atitude constitutiva do ser cristão, este dar-se aos outros não é reservada para alguns momentos, mas vive-se, ou deve viver-se, sempre. Não é destinada a alguns mas tem uma universalidade. Tenhamos muito ou pouco, tudo nos foi dado e, como tal, deve voltar a circular pela Humanidade que é o irmão que, em cada momento, encontro ao meu lado.

Penso que na situação de isolamento em que nos encontramos, não é difícil aceitar e compreender esta doutrina. É uma lição a conservar destes momentos repletos de complexidade e de algum temor. Deve tornar-se a grande certeza a perdurar para sempre. Sozinho não sou nada! Vivo se me dou aos outros pois nasci para uma aventura de conjugar a minha vida com todos.

Nesta compreensão da vida facilmente entenderei que o Senhor me dotou uma vocação. Esta não é privilégio de alguns. Deus chama a todos para os constituir, na diversidade de caminhos, continuadores do que Cristo foi. Ele foi uma servo da Humanidade. Eu, nas suas pegadas, terei também de estruturar e interpretar a minha vida na mesma lógica. Vivo para Deus e n’Ele para todos, nos mais pequeninos, nos idosos, em todos. Foi assim que S. José viveu.

Como consequência deste “ser para”, permitimos que a Igreja expresse a sua credibilidade através do amor misericordioso que oferece ao mundo. O Papa Francisco diz que “Chegou de novo, para a Igreja, o tempo… de regresso ao essencial para cuidar das fraquezas e dificuldades dos nossos irmãos… para olhar para o futuro com esperança”.

No Evangelho, José teve a tentação de deixar Maria. Interiorizou, compreendeu o que o anjo lhe estava a dizer e decidiu continuar a missão de serviço e dedicação. Continuou a viver para Maria e nela para Jesus e, consequentemente, para a Humanidade que Cristo redimiu.

Nesta hora, reconheçamos que teremos de ter uma grande paixão pelo Homem e concretizemos esta paixão através das coisas pequenas que oferecemos sem hesitar, voluntariamente, sem ninguém nos pedir mas também noutros momentos onde somos desafiados a colaborar na causa comum. Não somos nós, e com maior evidência não somos cristãos, quando percorremos os caminhos do egoísmo e individualismo. 

  

 † Jorge Ortiga, Arcebispo Primaz

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