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25 Mar 2020
Quarta-feira da IV Semana da Quaresma
Homilia no Paço Arquiepiscopal
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Hoje queremos estar de um modo muito especial com Maria. Celebramos a festa da Anunciação. O anjo comunicou a Maria que ia ser Mãe. Não compreendeu mas colocou-se na mãos de Deus e deu o seu sim. Para ela, o sim à vontade de Deus já fazia parte do seu viver. Nesse momento, perante o convite, aderiu de um modo mais consistente e evidente. No seu sim, tornou-se a Mãe de Deus e, em Cristo, a mãe da Humanidade. Como recordava o Papa Francisco em Fátima, temos mãe. Mãe que nos protege e mãe que nos ensina os caminhos de Deus. Temos insistido muito, nos últimos tempos, que a nossa vocação consiste em ser discípulos missionários. Para o sermos teremos, também, de nos colocar na escola de Maria. Estar aí para a ouvir é a verdadeira devoção. Não podemos ficar só em pedidos. A devoção é comunhão que sabe que juntos procuraremos ter o estilo de vida de jesus.

Com esta convicção, as leituras que acabamos de ouvir deixam-nos diversas certezas.

Em primeiro lugar, Isaías afirma que a Virgem Maria conceberá e dará à luz um filho que terá o nome de Emanuel, que significa Deus-connosco. Na fé cristã, tudo parte daqui. Temos um Deus próximo. Não é alguém que está nas nuvens, no seu trono, alheio à nossa vida e sempre pronto para julgar e condenar. Deus quis associar-se à nossa vida e fazer-se aquele companheiro de todas as horas. Nunca se afasta. Ele respeita a liberdade do ser humano e aceita-a. E aqui não somos somente indivíduos. Somos uma única Humanidade para o bem e para o mal. Este sentido de presença de Deus na nossa vida terá de nos acompanhar sempre. Isto não quer dizer que os problemas desaparecem, mas que com Deus teremos a força e a serenidade para os aceitar. E quando somos capazes de o fazer, experimentamos a felicidade mesmo nas dores. Não deixamos de sofrer, não sabemos porquê, não compreendemos muita coisa, mas a sua presença pode ser sempre um lenitivo que ajuda a estar nos problemas. Somos e seremos sempre humanos. Isto quer dizer que somos limitados, pobres, pequenos.

Nesta certeza, chegamos a outra afirmação que terá de tranquilizar. Perante a admiração, talvez incompreensão de Maria, o anjo diz-lhe: “Não temas, Maria”. A vida humana encerra sempre dúvidas, interrogações, coisas que não se entendem, medos. Unidos a Deus não podemos ter medo. Também nesta hora ouvimos o nosso anjo da guarda a dizer-nos que não devemos temer. Toca-nos a responsabilidade. É pena que ainda tenhamos portugueses a não cumprir aquilo que as autoridades determinam como obrigatório. Continuamos a provocar aglomerados, a ter contactos físicos com as pessoas. Coisas que sabemos que não podem minimamente coexistir na vida de pessoas conscientes de que está em jogo a sua vida e a dos outros. 

Nunca podemos subvalorizar a gravidade da situação nem subestimar os seus desafios. Tendo comportamentos de aceitação das orientações, não nos é permitido ter medo. Confiamos em Deus e nos outros e sabemos que iremos ultrapassar esta situação.

Mas o Evangelho ainda nos oferece outra verdade a avivar. Poderá estar esquecida como tantas outras coisas. Ela é fundamental e nela encontramos o suporte da tranquilidade e serenidade que estes momentos exigem. S. Lucas transmite-a com toda a clareza. “A Deus nada é impossível”. O ser humano será sempre contingente e teremos de reconhecer a nossa incapacidade perante tantos enigmas. Temos problemas e dificuldades. As interrogações estão no nosso dicionário quotidiano. Muitas vezes não sabemos o que fazer e como fazer. Sejamos capazes de ter sempre presente este horizonte. Deus está connosco, não temos medo, porque a Deus nada é impossível. Por isso, devemos coloca-lo no centro da nossa vida e procurar caminhar fazendo a sua vontade como nos é sugerido na segunda leitura. Deus não quer sacrifícios nem oblações. Espera que entremos no culto novo, inaugurado por Cristo, que consiste em dizer e fazer. “Eis-me aqui: eu venho para fazer a tua vontade”. Este é o nosso caminho. Não quer dizer que Deus nos vai fazer sempre a nossa vontade.

Nesta solenidade da Anunciação de Nossa Senhora, avivemos o fio condutor da nossa relação de confiança em Deus. Ele está connosco, não tenhamos medo: a Ele tudo é possível. Vivamos para fazer a sua vontade. Maria nos ensine a nós que queremos permanecer na sua escola. 

 

† Jorge Ortiga, Arcebispo Primaz

 

Introdução

Podemos comparar a nossa vida a uma viagem de barco. Este necessita de dois remos para avançar. Se apenas se rema com um, ele gira em torno de si e não saia do sítio. Tem de haver uma harmonia muito grande para que avance no meio de condições adversas.

Também a nossa vida avança com dois remos: o trabalho e a oração. Os dois são indispensáveis. Sabemos que S. Bento sintetizava a vida dos conventos em duas palavras. Ora et Labora (Reza e trabalha).

Devemos aplicar esta evidência ao momento que estamos a viver. Precisamos de trabalhar, mesmo no descanso forçado, através da responsabilidade dos nossos actos. Venceremos a pandemia com atitudes muito concretas de prevenção para não contaminarmos nem contaminar. Outra coisa também importante é a oração. Sozinhos não chegaremos a lado nenhum. Creio que todos nós temos rezado mais: sozinhos e com os nossos familiares. Hoje iremos fazê-lo de um modo mais concreto. Depois da eucaristia, iremos ligar-nos a Fátima para rezarmos o terço e, no final, participarmos na consagração de Portugal ao Sagrado Coração de Jesus e ao Imaculado Coração de Maria. Sabemos que o Santo Padre nos convidou para um momento de oração, que fizemos esta manhã. Quero pedir-vos que todos os dias, ao meio dia, interrompais os trabalhos e rezeis um Pai-Nosso, pedindo o fim da pandemia do Covid-19.

Momento da paz

Como nunca sentimos a necessidade de nos estarmos unidos. Podemos experimentar a presença uns dos outros entrando em contacto através dos meios de comunicação. Mas acreditamos na força da oração e podemos integrar-nos nas redes de oração que hoje existem. Pode ser uma atitude para este momento, mas deveria continuar pela vida fora. Esta conexão diária, em diversos momentos do dia, provoca uma energia muito especial para que sejamos capazes de estar presentes nos acontecimentos, sejam eles alegres ou tristes. Sintamos esta necessidade de praticar a oração de um modo comunitário, mesmo que virtual. Aí sentiremos a paz e ofereceremos a mesma paz.

Despedida

Iremos continuar unidos através da oração do terço no Santuário de Fátima. Maria é a mãe que acompanha e socorre e o terço é a arma que permite que vençamos todas as guerras. Nunca o esqueçamos. É uma oração muito fácil, pedida por N. S. em Fátima que deveria permanecer nos nossos hábitos pessoais e familiares. Não esqueçamos que uma família que reza unida nunca mais será vencida. No final da oração vamos fazer a Nossa Consagração. É um momento histórico. Tem sido feita em alguns momentos particulares e este será um deles. Com a consagração queremos entregar-nos e confiar. Fazemo-lo como católicos do país inteiro. Esta sintonia com todos os portugueses dá-nos uma força especial. Com Maria, com o Coração de Jesus, teremos a serenidade e responsabilidade que os tempos exigem. Confiemos as nossas vidas e vivamos tranquilos no colo da Mãe.

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