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19 Abr 2020
Domingo da Divina Misericórdia
Homilia no Paço Arquiepiscopal
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O Concílio Vaticano II recorda-nos que “por tradição, que remonta ao próprio dia da ressurreição de Cristo, a Igreja celebra o mistério pascal todos os oito dias, no dia que bem se denomina Dia do Senhor ou o Domingo”. “Nesta lógica, o dia da ressurreição de Cristo é, ao mesmo tempo, o «primeiro dia da semana», memorial do primeiro dia da criação, e o «Oitavo dia» em que Cristo, após o seu repouso” do grande sábado, inaugura o “dia que o Senhor fez”, o “dia que não conhece ocaso” (Catecismo). Continuamos, deste modo, a viver solenemente a Páscoa do Senhor.

A primeira leitura mostra-nos como a primeira comunidade dos cristãos dava testemunho do ressuscitado através da vida de comunhão e de solidariedade entre todos. O Ressuscitado não era uma teoria. Resplandecia e convertia muitos indiferentes e incrédulos que não resistiam ao testemunho.

O Evangelho relata-nos duas aparições de Cristo. Uma no primeiro dia da semana e outra oito dias depois. Viram e acreditaram. Só Tomé não esteve presente. Manifestou a sua incredulidade contra o testemunho de todos. Ele queria não só ver mas também tocar, sentir as chagas da mão e colocar o dedo no coração. Foi toda esta presença visível e sensível que lhe fez reconhecer Jesus como o seu Senhor e o seu Deus. Com estas aparições, a ressurreição tornou-se sensitiva e mais ninguém duvidou.

É neste contexto que o Papa S. João Paulo II decidiu proclamar este segundo Domingo da Páscoa como o Domingo da Misericórdia. Importa reconhecer Deus mas aceitá-Lo não como um Deus de justiça e temeroso, mas de coração compassivo, lento para a ira e rico em misericórdia. Se hoje devemos testemunhar Cristo vivo, teremos de o fazer de tal modo que surja perante o mundo como alguém solícito e comprometido com o bem estar das pessoas. O Deus em quem acreditamos e que temos de apresentar ao mundo é um Deus misericordioso.

A Igreja foi sempre este caminhar de Deus no meio das misérias humanas, transformando-as através do amor, para que a vida fosse digna para todos. A doutrina foi sintetizada nas catorze obras de misericórdia, interpretadas como respostas materiais e espirituais. O caminho da Igreja tem marcas indeléveis de muita solicitude e dedicação. A Páscoa é um convite para que consideremos o hino da misericórdia inacabado e continuemos a interpretar todas as suas notas através do compromisso cristão com as debilidades humanas. Neste dia da misericórdia, teremos de pensar e de reconhecer que ainda há muito caminho a fazer para testemunhar Cristo vivo. Sem misericórdia não há amor e, sem amor, Cristo continua encerrado no túmulo.

Para facilitar a nossa interiorização deste caminho a percorrer, quero deixar algumas propostas a partir daquilo que somos na sua vertente mais sensível.

A misericórdia necessita de olhos puros. O mesmo é dizer que, com eles, teremos de procurar só o belo dos outros e nunca desconfiar nem julgar por mais evidências que possamos imaginar. Necessitamos de possuir ouvidos misericordiosos que sejam capazes de ouvir serenamente todas as necessidades e de não ficar indiferentes aos sentimentos alheios, assim como às suas queixas ou desabafos. A nossa língua necessita de ser misericordiosa para nunca falar negativamente e ter a serenidade para oferecer sempre uma palavra de consolo e de perdão. As mãos não podem deixar de ser misericordiosas para só fazerem o bem sem olhar a quem, para estarem sempre cheias de boas obras e intenções rectas e para pegarem e carregarem as tarefas dos outros, sobretudo as mais difíceis e penosas e que, muitas vezes, ninguém quer pegar. 

Também os nossos pés necessitam de ser misericordiosos para terem pressa em ajudar quem necessita e heroicamente vencer a preguiça, o cansaço e, sobretudo, o comodismo que se instala e desmotiva. Precisamos, urgentemente, de ter um coração misericordioso para poder sentir todos os sofrimentos alheios, mostrar sensibilidade e não recusar ajuda a ninguém que a pede ou a espera.

As seis características de uma personalidade sensível devem levar-nos a três atitudes muito concretas, e todas elas princípios de diversas iniciativas. A vida deverá ser marcada por uma acção sempre misericordiosa, onde tudo o que fazemos é testemunho inequívoco do que é o verdadeiro amor. Depois, teremos de ter uma palavra misericordiosa, onde o carinho e a compreensão estão sempre em tudo o que é dito ou pensado. Por último, é urgente uma oração misericordiosa por onde passa o perdão, o compromisso de ser terno e meigo para com todos, a alegria de só oferecer o que vai facilitar a vida daqueles com quem vivemos.

Neste Domingo da Misericórdia, continuemos a fazer Páscoa. Acreditemos no amor de Deus e tornemo-lo visível nas nossas vidas. Este é o caminho da ressurreição.

 

† Jorge Ortiga, Arcebispo Primaz

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