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30 Abr 2020
Quinta-feira da III Semana da Páscoa
Homilia no Paço Arquiepiscopal
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O livro dos Actos dos Apóstolos apresenta-nos Filipe que, percorrendo as cidades e aproveitando todas as ocasiões para evangelizar, se encontrou com um eunuco, funcionário da rainha da Etiópia. Era mais um encontro com outro mundo onde o cristianismo deveria ser levado. Não eram muito frequentes estas conversas com pessoas de outra cultura. A mentalidade era muito fechada. 

O etíope, diz-nos o texto, lia uma passagem de Isaías sem contudo a compreender. Não sabemos se o movia a curiosidade ou a procura da Verdade. Deus conduziu Filipe ao seu encontro para que lhe explicar o que procurava entender. Com as suas palavras, surge o desejo do baptismo que vem a acontecer de imediato. O Evangelho vai, deste modo, chegando a outras culturas. Era o Espírito Santo que os conduzia por caminhos novos e desconhecidos. Nada estava programado mas os apóstolos iam saindo ao encontro de outros mundos e ambientes.

O cristianismo sempre teve este espírito evangelizador. Talvez nos últimos tempos nos tenhamos fechados nos espaços eclesiais. No compromisso de cristãos que se querem discípulos missionários, o Papa Francisco vai, com insistência, chamando para a uma atitude de saída. São muito claras as palavras do Papa. “Fiel ao modelo do Mestre, é vital que hoje a Igreja saia para anunciar o Evangelho a todos, em todos os lugares, em todas as ocasiões, sem demora, sem repugnância e sem medo. A alegria do Evangelho é para todo o povo, não se pode excluir ninguém”. Haverá palavras mais claras do que estas? Necessitaremos de mais alguma coisa para reconhecer o caminho que teremos de percorrer? A Igreja em saída é para chegar a todas as periferias humanas, nunca se fechando em fórmulas e modos de agir claustrofóbicos. 

É mais fácil estar sempre com os mesmos, os conhecidos, os que nos querem bem. O quentinho de uma vida cómoda. O horizonte da Igreja sempre foi a Humanidade com os seus problemas e desafios. Pessoalmente gosto de me aventurar por caminhos que ainda não foram percorridos. Há sempre aventuras novas a descobrir. Outrora cantava-se que há caminhos não andados que esperam por alguém. Quando o Papa fala de periferias não está apenas a referir-se ao social. Tudo o que é humano tem de ser permeado pela semente evangélica e importa que apareçam semeadores que no local, com competência e audácia, lancem a semente à terra.

O caminhar da Igreja na descoberta de novas vocações foi chegando à experiência interpretada pelos Institutos Seculares. Não é lugar para descer a muitos pormenores. Basta saber que são cristãos consagrados que ficam no meio do mundo para, a partir de dentro, contribuirem para a missão. Não são muitos, mas são uma realidade muito interessante que devemos conhecer, rezar por eles e por elas para que tenham vocações. Nem sempre conhecemos as maravilhas da Igreja. Despertemos para esta responsabilidade.

Neste espírito de sair para estar no coração do mundo, não devemos ter medo de ser missionários no quotidiano. Não nos faltarão oportunidades. O dia a dia é um verdadeiro púlpito a aproveitar para encontrar modos de colocar a semente do Evangelho. Não precisamos de muitas qualidades. Basta estar atento e as ocasiões não faltarão. Não o conseguiremos fazer sozinhos. Os primeiros cristãos tinham a força da comunidade. Hoje teremos de encontrar idêntica força. Talvez a comunidade na sua globalidade não consiga dar-nos aquele apoio para que sejamos discípulos missionários. Teremos de o fazer a partir de pequenos grupos.

Foi por este motivo que, desde há uns anos a esta parte, ousei propor os Grupos Semeadores da Esperança. Já ouviu falar deles? Converse com o seu pároco. O essencial é um pequeno número de pessoas, solteiras ou casadas, jovens ou já de idade, que queiram reservar uma hora por mês para se encontrarem. O local poderá ser na paróquia mas é muito mais interessante que seja numa casa com algum espaço para a reunião. Depois basta pegar numa pequena frase da Sagrada Escritura, ver o que significa através de uma breve explicação, partilhar o que essa passagem sugeriu. Tudo feito com serenidade, espontaneidade e orientado para um compromisso a assumir por todos. Importa que a Palavra se torne vida e que depois haja a vontade de a partilhar. Evidentemente que há subsídios para que o diálogo e partilha se facilitem.

Estamos, deste modo, a criar todas as condições para que sejamos a Igreja em saída que pretende levar o Evangelho ao mundo. Poderemos pensar que não temos tempo. Tenho a certeza que este tempo de isolamento nos está a fazer compreender que o tempo pode e deve ser ocupado de outro modo.

Filipe fez compreender ao eunuco o que ele não entendia. Há muita coisa na vida que não queremos enfrentar porque nos parece ininteligível. Ousemos parar e reservar um pouco de tempo para tornar o Evangelho semente de um mundo novo. Vamos saber estar no mundo de um modo diferente?

 

† Jorge Ortiga, Arcebispo Primaz

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