Arquidiocese de Braga -

21 janeiro 2026

Cónego Joaquim Félix lança “Um Caminho de Três Dias”

Fotografia DR

José Carlos Ferreira - DM

Autor afirma ser breve, acessível, despertador de atração

Em vésperas da II Jornada de Pastoral Litúrgica, que vai decorre já no próximo fim de semana, no Auditório Vita, em Braga, o Cónego Joaquim Félix lançou o seu livro “Um Caminho de Três Dias – Tropário da liturgia na casa do ser”.

O cónego Joaquim Félix acaba de lançar o seu mais recente trabalho de reflexão intitulado “Um Caminho de Três Dias – Tropário da liturgia na casa do ser”.

O autor confessa que, depois de reflexões e de trabalhos seus editados sobre este tema da liturgia, sentiu agora «a urgência de criar algo novo». «Sim, algo sem precedentes. Refiro-me mais ao modo de fazer a presente intervenção que aos conteúdos a tratar. Assumo os riscos, partilhando-os convosco. Confesso, porém, que não seria justo renunciar à possibilidade de ousar um novo artefacto, ao mesmo tempo, teológico e litúrgico. Um artefacto que deseja ser atraente, capaz de suscitar a atenção», acrescenta. A obra, que diz ser breve, acessível, despertadora de atenção, é «uma construção poética». «A sua estrutura é concebida com cinco secções: a primeira é dedicada ao espírito da liturgia, com o tríptico: jogo, festa no deserto e labirinto; a segunda é constituída por quatro “quase-ditirambos” aos seus fundamentos teológicos: história da salvação, mistério pascal, presenças de Cristo e a distinção entre liturgia e não-liturgia; a terceira é formada por um eulógio em díptico: do tempo e do lugar-atmosfera; a quarta reúne várias tisanas para a performance ritual, tendo em conta a ars celebrandi e os modos de viver liturgicamente; por fim, a quinta é uma coda, no caso, dedicada à formação litúrgica», descreve.

O cónego Joaquim Félix ressalva que, neste seu trabalho não poderia faltar a música. «Ela comparecerá na transição das secções internas, como expressão de enriquecimento mútuo na articulação das artes. Fruiremos paisagens que ajudarão a fazer a experiência “ex auditu”. Sim, através da musicalidade, que a nossa condição humana e litúrgica proporciona. Como quem canta a imensa partitura do génesis ao apocalipse. De onde vimos e para onde vamos. Para sermos, no mundo, doxologia ininterrupta», explica. Outra vertente que também não é esquecida pelo autor é a da fotografia. «Nela, uma pessoa faz a passagem através de uma intensa-e-imensa obra de arte. Sem adiantar mais considerações, que reservo para uma nota endográfica, fruamos do tropário. Poesia. Música. Fotografia de escultura. Fruamos. É um convite», salienta o autor. Este livro do cónego Joaquim Félix está já à venda nas livrarias.

 

Textos manifestam consciência do carácter da liturgia

No prefácio do livro, Ruy Ventura afirma que os textos de Félix «manifestam consciência do carácter poético, operativo e humilde, da liturgia». «Bastará lermos ou escutarmos uma das suas homilias para termos a convicção de que a entende como lintel estendido entre duas pilastras, a poesia e a memória. O pequeno livro que ides ler manifesta de forma inequívoca essa atitude perante a obra de arte total e existencial que deverá ser, sem dúvida, qualquer prática ritual assente nas Escrituras», acrescenta.  Segundo sustenta, «percebemos que o sujeito poético se dirige à Igreja em geral e ao clero em particular. Pergunta-lhe, com ousadia: “Tens sede? Sede das águas do Espírito?” E responde: “Ah! não te dessedentarás no gomil vazio». Ruy Ventura sublinha tratar-se «de um texto sério, riquíssimo, sobre matéria muitíssima séria», capaz «de concatenar com mestria as palavras com textos visuais e musicais». Para Ruy Ventura, «este livro de Joaquim Félix de Carvalho é um transporte da chama, um sopro sobre a chama – para que a sua “kindly light”, evocada por São John Henry Newman, nunca se apague entre os homens».