Arquidiocese de Braga -
22 março 2026
São Bento da Porta Aberta projeta novo futuro com requalificação do parque
DM - André Arantes
A apresentação do projeto de requalificação do Parque do Santuário de São Bento da Porta Aberta, em Terras de Bouro, marcou este sábado, um momento simbólico e de renovação para um dos mais emblemáticos espaços de peregrinação do Norte do país.
Da autoria dos arquitetos Teresa Andresen e Luís Guedes de Carvalho, o ‘master plan’ agora apresentado propõe uma visão ampla e integrada para o futuro do santuário, apostando na valorização do espaço envolvente, no reforço do acolhimento aos peregrinos e na harmonização entre natureza, espiritualidade e turismo.
O arcebispo de Braga, D. José Cordeiro, destacou o caráter simbólico da data escolhida para a apresentação, sublinhando tratar-se de «um novo horizonte que se cria neste lugar tão singular». Referindo-se ao dia 21 de março, associado ao ‘Trânsito’ de São Bento, ao Dia Mundial da Árvore, da Poesia e ao início da primavera, o prelado considerou o momento particularmente significativo.
«São Bento da Porta Aberta fica ainda mais acolhedor, mais hospitaleiro e vai no sentido daquilo que é a missão que a Igreja tem hoje e amanhã, que é de ser casa», afirmou ao Diário do Minho. Sublinhando a centralidade da basílica e o simbolismo da «porta aberta», D. José Cordeiro reforçou o desejo de que «nunca se feche este acolhimento e este sentido de pertença a Cristo e à Igreja, neste lugar único».
Manuel Tibo destaca melhoria das condições para os peregrinos
Também o presidente da Câmara Municipal de Terras de Bouro, Manuel Tibo, classificou o momento como «um dia feliz» e de grande importância para o concelho. O autarca destacou o impacto do projeto não apenas ao nível religioso, mas também social e económico.
«A criação de mais e melhores condições para os peregrinos é um dado significativo, mas também é uma resposta social, porque mais investimento significa mais criação de postos de trabalho”, afirmou, enaltecendo o percurso da Irmandade de São Bento da Porta Aberta na melhoria contínua da receção aos visitantes.
Por sua vez, o cónego Miguel Simões, presidente da Irmandade de São Bento da Porta Aberta, explicou que esta fase do projeto é ainda de definição de diretrizes e opções, com o objetivo de lançar as bases para intervenções futuras.
“O objetivo é traçar orientações para aquilo que queremos para este espaço, sempre com o peregrino no centro», referiu, acrescentando que o processo envolverá diversas entidades. O responsável adiantou ainda que o plano aponta para uma concretização a cerca de cinco anos, começando pela requalificação do parque, intervenção que depende diretamente da Irmandade.
Miguel Simões acredita que o projeto contribuirá para reforçar o turismo religioso, tornando o santuário «ainda mais atrativo para todos», embora admita que, nesta fase, ainda não é possível avançar com valores concretos de investimento.
Do ponto de vista arquitetónico, Luís Guedes de Carvalho explicou que o projeto surge como um desafio para repensar o conjunto do santuário e potenciar áreas ainda sem uso definido. Trata-se, segundo o arquiteto, de uma abordagem preliminar, «de mostrar ideias, algumas arrojadas», com o objetivo de abrir à discussão e recolher contributos.
O projeto procura integrar diferentes dimensões, religiosa, natural e turística, tendo sempre como base o peregrino e a identidade espiritual do lugar. «É um desafio integrar todos estes fatores num espaço que já existe, respeitando a sua essência e valorizando também a envolvente natural», referiu.
A requalificação agora projetada pretende, assim, reforçar o papel de São Bento da Porta Aberta como espaço de acolhimento, espiritualidade e ligação à natureza, consolidando a sua relevância no panorama do turismo religioso nacional.
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