Arquidiocese de Braga -

13 abril 2026

Procissão aos Enfermos em Belinho é expressão de cuidado e fraternidade

Fotografia DM

 DM - Jorge Oliveira

A Paróquia de Belinho (São Pedro Fins), no Arciprestado de Esposende, assinalou ontem o centenário da Procissão aos Enfermos, uma tradição religiosa profundamente enraizada na comunidade que foi presidida, pela primeira vez, pelo Arcebispo Metropolita de Braga, D. José Cordeiro.

A procissão pascal voltou a afirmar-se como expressão viva de fé e de proximidade aos mais frágeis, atraindo às ruas de Belinho milhares de pessoas provenientes de várias localidades. 

A jornada iniciou-se com a celebração da Eucaristia, na igreja paroquial, seguindo-se a solene procissão pascal pelas ruas com o Arcebispo de Braga a levar o Santíssimo Sacramento aos lares de 35 doentes, acompanhado pelo pároco de Belinho, o padre José Manuel Ledo, confrarias e, atrás, a Banda Musical de Belinho.

Como é tradição, o percurso apresentou-se ricamente ornamentado com tapetes coloridos, representações e quadros bíblicos e diversos elementos evocativos do Cristianismo e da história local, sobretudo alusivos aos 100 anos da Procissão dos Enfermos.

Manifestando a sua alegria por participar neste momento marcante, D. José Cordeiro sublinhou o significado desta tradição como «expressão do cuidado, da fraternidade e da compaixão», recordando que, desde o início do Cristianismo, a Igreja tem procurado estar próxima de todos, especialmente dos que mais sofrem.

 O prelado destacou que esta procissão representa toda a comunidade que, em comunhão eclesial, vai ao encontro daqueles que, por motivos de doença, velhice ou fragilidade, não podem participar presencialmente na assembleia litúrgica.

«Não vai apenas o sacerdote ou alguns ministros, vai toda a comunidade», afirmou D. José Cordeiro, recordando que é o próprio Cristo Ressuscitado que visita os mais frágeis.

Durante a homilia, o prelado felicitou a comunidade de Belinho por manter viva, ao longo de um século, esta manifestação pública de fé eucarística, recordando com gratidão todos quantos contribuíram para a sua continuidade desde 1926, ano em que foi iniciada pelo pároco de então, o padre Albino Alves Pereira.

O Arcebispo lembrou que a vida cristã tem início no Batismo e conclui-se na Eucaristia, sublinhando que esta procissão transmite de forma particularmente eloquente a centralidade do «pão da vida», levado «com solenidade aos membros mais frágeis da comunidade, que «têm a mesma dignidade daqueles que não podem aproximar-se do altar». 

Inspirando-se nas Leituras do dia, evocou também o apóstolo S. Tomé para recordar a importância do acreditar «com o coração» e da vivência comunitária da fé, acrescentando que «ninguém é cristão sozinho». 

Referindo-se ao contexto mundial atual, D. José Cordeiro associou a celebração ao apelo uni-
versal pela paz lançado, sábado, pelo Papa, sublinhando a necessidade de, como defende Leão XIV, uma paz «desarmada e desarmante», fundada na dignidade da pessoa humana, na reconciliação e na fraternidade entre os po-
vos.  

Belinho homenageou o iniciador, há 100 anos, da Procissão aos Enfermos, o padre Albino 

A Paróquia de Belinho fez memória agradecida de todos quantos, ao longo de um século, contribuíram para esta manifestação pública de fé, em tempo pascal, ajudando a levar Cristo aos doentes. 

Entre as figuras evocadas na procissão, destacou-se o padre Albino Alves Pereira (1885-1959), antigo pároco de Belinho e iniciador da Procissão aos Enfermos, em 1926. Natural de Curvos (Esposende), foi pároco de Belinho desde 1921 até à sua morte, encontrando-se sepultado em Belinho. O sacerdote foi recordado ao longo do percurso através de tapetes coloridos, imagens e fotografias.

Volvidos 100 anos, o atual pároco de Belinho, padre José Manuel Ledo, notou que o povo de Belinho mantém uma «forte devoção eucarística», destacando que esta tradição continua a «marcar profundamente a vida espiritual da comunidade, que diariamente se reúne em torno da Palavra e da Eucaristia».

O sacerdote manifestou ainda o júbilo da comunidade pela presença do Arcebispo neste centenário, celebrado no Domingo da Divina Misericórdia, frisando que a procissão representa «um ato altruísta de comunhão, esperança e conforto», levando a «alegria da Ressurreição aos doentes» e reforçando os laços comunitários.

Na Eucaristia, D. José Cordeiro elogiou os tapetes floridos e as representações bíblicas, citando particularmente a «ideia tão bela» de fazer uma enorme árvore da vida em todo o pavimento da avenida da Igreja, onde também foi colocada uma imagem em homenagem ao padre Albino Alves Pereira.

Neste tapete, com perto de 300 metros de cumprimento, foram inscritos os nomes das pessoas que, aos longos dos anos, constituíram o núcleo principal responsável pela elaboração e decoração dos tapetes.

«Esta é uma festa que envolve toda a freguesia, toda a gente, mas há sempre um núcleo duro que se destaca», explicou Manuel Azevedo, e um dos obreiros do tapete na avenida da Igreja.

A procissão integrou ainda um momento especial junto à capela de santo Amaro, onde de reuniram cerca de 20  doentes, representando simbolicamente as várias gerações acompanhadas ao longo deste século de história.