Arquidiocese de Braga -
19 junho 2026
Igreja de Braga manifesta solidariedade para com o povo cubano
DM - Jorge Oliveira
Arcebispo D. José Cordeiro recebeu embaixador de Cuba em Portugal
O Arcebispo Metropolita de Braga, D. José Cordeiro, recebeu, ontem, no Paço Arquiepiscopal, o embaixador de Cuba em Portugal, José Ramón Saborido Loidi, num encontro integrado numa jornada de solidariedade para com o povo cubano promovida pela Associação de Amizade Portugal Cuba.
A visita marcou o início de um conjunto de encontros com personalidades e instituições que o diplomata está a realizar nos concelhos de Braga, Guimarães, Vila Nova de Famalicão, Barcelos e Vila Verde, com o objetivo de dar a conhecer a realidade atual de Cuba.
No encontro com o Arcebispo de Braga, o embaixador, fazendo um enquadramento da «difícil situação» do seu país, deu nota que nos últimos meses registou-se um acentuar da pressão exercida pela Administração norte-americana sobre Cuba, com consequências «graves» para a população.
José Ramón Loidi apontou dificuldades em setores como os da energia, saúde, educação, devido às restrições aplicadas pelos EUA.
Segundo o diplomata, Cuba pretende desenvolver um «projeto humano e de justiça social» e está a trabalhar um conjunto de medidas nesse sentido, assente na vontade de manter uma «paz livre, soberana, independente», mas a Administração Trump, afirmou, quer uma «implosão do sistema» político cubano, através de uma revolta popular, porque considera Cuba falida e um «sério problema para a segurança dos EUA». Contudo, afirmou, o povo cubano «está a resistir às ofensivas».
O diplomata aproveitou para agradecer o apoio solidário de Portugal a Cuba, nomeadamente o envio de três contentores com roupa e outros bens para as zonas afetadas por um ciclone.
Arcebispo pede construção da paz
D. José Cordeiro manifestou a proximidade da Arquidiocese de Braga ao povo cubano e expressou disponibilidade para colaborar em prol do «bem comum» e de um «mundo mais justo, mais fraterno e mais humano».
«É confrangedor e inquietante ver que estão a retirar os direitos e as condições dignas de vida aos cidadãos de Cuba e impedir que o país se relacione com o mundo», afirmou o prelado, considerando «inaceitáveis» os cortes de energia e os entraves à saúde, à educação e à liberdade religiosa.
O Arcebispo, que tem acompanhado a situação naquele país, destacou o esforço da Igreja Católica em Cuba, sobretudo junto das populações mais vulneráveis, e o seu papel na defesa dos direitos fundamentais e da dignidade da pessoa humana.
Perante a situação «confrangedora» que se vive em Cuba, defendeu que se deve levantar a voz e exigir aos responsáveis políticos e económicos a construção da paz.
«A paz é o único caminho para a humanidade e constrói-se com o perdão, com o diálogo, com o confronto de ideias, sempre centrados no bem comum, na promoção e na defesa da dignidade da pessoa humana», referiu.
D. José manifestou o desejo de que o recente memorando de entendimento assinado entre os EUA e o Irão para a reabertura do Estreito de Ormuz seja uma «luz, uma esperança» para a resolução dos conflitos e tensões noutras partes do mundo, incluindo a situação de Cuba.
A comitiva recebida no Paço Arquiepiscopal integrou ainda a 1.ª secretária da Embaixada de Cuba, Clara Cordero, Manuel Carvoeiro, representante da Associação de Amizade Portugal Cuba, Belmiro Magalhães, da Comissão Política do Comité Central do PCP, Alfredo Cardoso, dirigente nacional da Confederação Nacional das Instituições de Solidariedade (CNIS), entre outros responsáveis.
Belmiro Magalhães, responsável do PCP na região de Braga, condenou as medidas impostas pelos EUA a Cuba e alertou para o «drama humano» vivido naquela ilha, em consequência das restrições.
Alfredo Cardoso foi mais longe na condenação, afirmando que aquilo que a Administração norte-americana está a fazer a Cuba «é genocídio». O dirigente da CNIS agradeceu a D. José a receção no Paço e o seu contributo na abertura destas jornadas de solidariedade.
No final da audiência, o embaixador classificou o encontro com o Arcebispo de Braga como «muito importante», destacando o diálogo e a recetividade da Igreja de Braga.
«Foi um encontro extraordinário. Sentimos que existe realmente um espírito solidário com a nossa causa. Vamos muito satisfeitos», resumiu.
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