Arquidiocese de Braga -
14 setembro 2026
Arcebispo de Braga aponta via do perdão como essencial para construção da paz
DM - Joaquim Martins Fernandes
O Arcebispo Metropolita de Braga apontou ontem o caminho do perdão como a única via para a construção da paz e exortou todos os fiéis a abandonarem «aquele desejo momentâneo de vingança, que nos corrói por dentro e nos impede de nós mesmos nos sentirmos em paz».
«Nós, às vezes, somos tentados, todos nós, na primeira ocasião, a vingarmo-nos do mal que nos fizeram. A vingança pode trazer algum prazer momentâneo, mas nunca traz a paz. Só o perdão é caminho de paz, e o perdão passa pelo diálogo, pelo encontro, pela harmonia das diferenças», afirmou D. José Cordeiro, na homilia que partilhou com os milhares de fiéis que participaram ontem na grande peregrinação anual do arciprestado de Guimarães e Vizela ao santuário mariano da Penha, em Guimarães.
Aquela que foi a 133.ª peregrinação arciprestal decorreu sob o lema “Com Maria, servir e acolher a todos” e marcou também o início da Visita Pastoral ao arciprestado, particularidade que justificou que os três bispos da Arquidiocese de Braga – o Arcebispo D. José Cordeiro e os bispos auxiliares D. Delfim Gomes e D. Nélio Pita – também tivessem integrado a maior manifestação de fé do arciprestado de Guimarães e Vizela.
Tendo como mote para a reflexão partilhada no «santuário encantador da Penha» a parábola em que Jesus diz a Pedro que não devemos apenas perdoar sete vezes, mas setenta vezes sete, D. José Cordeiro deixou claro que «o perdão não se resume a operação matemática», mas é antes «um estilo de vida para quem se dispõe a seguir Jesus, renunciando a si mesmo, tomando a cruz todos os dias e segui-Lo».
Salientou o Arcebispo de Braga que «cada um deve procurar ser um artesão da paz, um artesão do diálogo e do encontro», através da «corresponsabilidade diferenciada» que cada cristão realiza «na sociedade, na política, na família, na comunidade, na Igreja, na paróquia, na unidade pastoral, no arciprestado, na arquidiocese». O compromisso reside em «dar sempre novas oportunidades a quem nos faz mal» e «ajudar os outros a descobrirem o caminho do perdão e da paz».
É que «só este caminho nos dá a paz interior, o tal silêncio interior, que é o encontro de cada um consigo mesmo, com Deus, com os outros, com o mundo, com a história, com a Casa Comum que habitamos», salientou o também Primaz das Espanhas, aludindo ao compromisso de Guimarães, enquanto Capital Verde Europeia, «de viver a ecologia integral, que não é apenas um sentido verde ou ambientalista, mas é o sentido da totalidade da relação, na fraternidade, na amizade social, na cultura do encontro, no perdão que não liberta apenas do passado, mas que liberta o futuro». Isso porque «uma pessoa em paz é capaz de construir relações de fraternidade, de diálogo, de ocupação e preocupação com o bem comum e não apenas com os seus interesses», resumiu.
Peregrinação à Penha marcou arranque de quatro meses de Visita Pastoral
A peregrinação arciprestal de todas as 77 paróquias de Guimarães e Vizela ao Santuário de Nossa Senhora do Carmo da Penha, realizada ontem, assinalou o arranque da Visita Pastoral que os três bispos da Arquidiocese de Braga – o Arcebispo Metropolita de Braga D. José Cordeiro e os dois bispos auxiliares D. Delfim Gomes e D. Nélio Pita – vão fazer ao arciprestado, até ao próximo dia 20 de dezembro. A Visita Pastoral, que foi apontada como «um tempo de graça e de encontro com o Senhor que salva!», na mensagem que D. José Cordeiro, D. Delfim e D. Nélio dirigiram «às 77 comunidades cristãs» do arciprestado, está estruturada em três grandes eixos. O propósito é passar a pente fino as questões relacionadas com a Caridade, a Liturgia e a Catequese, para que todos os agentes do arciprestado de Guimarães e Vizela possam participar de forma ativa na caminhada sinodal que está a ser feita pela Igreja de Braga para “levar Jesus a todos e todos a Jesus”.
Vizela acolhe plenário sobre a Caridade
É nesse quadro que no próximo dia 18 de setembro, pelas 21h00, haverá uma realização centrada no exercício da Caridade cristã, que vai decorrer no Salão Paroquial de São Miguel, em Vizela. Trata-se de uma iniciativa que se destina às direções dos centros sociais e paroquiais, assim como às respetivas direções técnicas.
São também destinatários deste grande encontro os colaboradores dos centros sociais e paroquiais, a equipa arciprestal, as conferências vicentinas e os mais diversos grupos sociocaritativos de todas as paróquias do arciprestado.
Reflexão sobre Liturgia na cidade de Guimarães
Para o dia 25 de setembro está agendado o encontro dedicado à Liturgia.
Vai ser realizado na igreja paroquial de Nossa Senhora da Conceição, em Guimarães, a partir das 21h00.
A análise daquela que é uma das matérias mais queridas do Arcebispo Metropolita de Braga – D. José Cordeiro preside à Comissão Episcopal de Liturgia e Espiritualidade da Conferência Episcopal Portuguesa, da qual é vice-presidente – tem como principais destinatários os corais litúrgicos, os leitores, os salmistas, os acólitos, os sacristães, os zeladores, os coletores, as equipas de acolhimento e os ministros extraordinários da comunhão.
Catequese em debate nas Caldas das Taipas
Para o dia 2 de outubro fica a reflexão que a Visita Pastoral vai promover sobre a Catequese.
O encontro de todas as paróquias de Guimarães e Vizela vai ser realizado no auditório paroquial das Caldas das Taipas, com início agendado para as 21h00.
Estão convidados para a reflexão arciprestal todos os catequistas de Guimarães e Vizela, os animadores de jovens, os responsáveis pela catequese de adultos e os adultos com atuação no escutismo.
Entre as muitas realizações que serão concretizadas em todas as paróquias do arciprestado de Guimarães e Vizela pelos três bispos da Arquidiocese de Braga, a Visita Pastoral vai dedicar especial atenção às vocações sacerdotais, à importância da vida consagrada, ao envolvimento dos leigos nas dinâmicas paroquiais e às grandes questões sociais que exigem resposta das comunidades cristãs do arciprestado.
Visita é feita pelas zonas pastorais
A Visita Pastoral está estruturada por Zonas Pastorais, indo decorrer segundo um calendário preciso: Zona Pastoral de Vizela-Lapinha, de 16 de setembro a 4 de outubro; Zona Pastoral de Pevidém, entre os dias 30 de setembro e 11 de outubro; Zona Pastoral de Ronfe, de 14 de outubro a 1 de novembro; Zona Pastoral de Taipas - S. Torcato, entre os dias 28 de outubro e 29 de novembro; e Zona Pastoral da Cidade de Guimarães, de 25 de novembro a 20 de dezembro. Durante a Visita Pastoral, o Arciprestado realizará três ações de formação para os agentes pastorais dos setores da Caridade, Liturgia e Catequese.
A Visita Pastoral ao arciprestado de Guimarães e Vizela adota como símbolo a oliveira, que também homenageia a Capital Verde Europeia de Guimarães, que é vista pela Arquidiocese como uma preocupação maior pela Casa Comum de toda a criação.
Esta foi, de resto, a razão por que, no final da eucaristia da peregrinação à Penha, cada paróquia recebeu uma pequena oliveira para proceder a um gesto de plantação, na sua comunidade, no momento em que receber a Visita Pastoral.
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