Arquidiocese de Braga -

17 setembro 2026

UDIPSS Braga defende autonomia das IPSS e alerta para burocratização do setor

Fotografia DM

DM - Carla Esteves

O presidente da União Distrital das Instituições Particulares de Solidariedade Social (UDIPSS) de Braga defendeu, ontem, que as IPSS devem manter a sua autonomia perante o Estado. Para o padre José Antunes, a cooperação com o poder central é essencial e deve ser aprofundada, mas o futuro do setor social exige instituições independentes e capazes de responderem às novas necessidades da população, como o envelhecimento, sem ficarem demasiado condicionadas por procedimentos administrativos.

Na abertura do segundo dia da 11.ª Semana Social da UDIPSS Braga, que decorre até amanhã, no Forum Braga, sob o tema “O Futuro das IPSS: Desafios e Perspetivas para o Setor Social”, o padre José Antunes sublinhou que discutir o futuro das IPSS é também discutir «o futuro da própria sociedade portuguesa», dada a sua presença em áreas como a infância, deficiência, envelhecimento, pobreza, doença e apoio às famílias.

Segundo o presidente da UDIPSS Braga, «a autonomia das instituições sociais é um princípio essencial», tendo estas instituições nascido da iniciativa das comunidades e da solidariedade organizada dos cidadãos, pelo que têm «uma identidade, uma história e missão próprias, que devem ser preservadas».

«A cooperação com o Estado é fundamental e queremos aprofundá-la, mas a cooperação não significa dependência. Ser parceiro do Estado não significa ser uma extensão do Estado. As IPSS devem continuar a ter liberdade para inovar, para encontrar respostas diferentes, para responder às necessidades concretas das suas comunidades. A autonomia não é um privilégio das IPSS, mas antes é uma condição para que possam cumprir melhor a sua missão no futuro», argumentou.

O presidente da UDIPSS Braga deixou ainda um alerta para o risco de excessiva burocratização que as instituições sociais enfrentam, advertindo para o peso crescente dos procedimentos administrativos sobre as instituições.

Embora reconheça a necessidade de transparência, fiscalização, qualidade e rigor, o responsável recordou que, «em primeiro lugar, terão de estar sempre as pessoas».

«Não podemos permitir que os dirigentes e técnicos das IPSS passem cada vez mais tempo a responder a procedimentos», afirmou, numa crítica à crescente burocratização do setor social.

Defendeu, por isso, a importância de encontrar um equilíbrio entre a responsabilidade do Estado na fiscalização e garantia da qualidade das respostas e a autonomia das instituições para servirem as suas comunidades.