Arquidiocese de Braga -

1 outubro 2026

Missão na Guiné-Bissau: “A Guiné mudou-nos a todos”

Fotografia DR

Voluntários da Arquidiocese de Braga partilharam experiência vivida em Bafatá durante três semanas

No início do Mês das Missões, a Arquidiocese de Braga dá voz aos voluntários missionários que, em agosto, partiram para a Guiné-Bissau, no âmbito do projeto “Kaminhu di Sperança – Caminho de Esperança”, promovido pelo Centro Missionário da Arquidiocese de Braga (CMAB). Fátima Castro, Joaquina Ribeiro, Sara Poças, Duarte Marques e Rúben Pinheiral estiveram durante três semanas em Bafatá, numa experiência que descrevem como profundamente transformadora.

Para Sara Poças, coordenadora do CMAB, esta foi uma experiência pioneira, marcada pelo conhecimento de uma nova realidade, das comunidades e das pessoas, mas também pela descoberta do que poderá ser feito no futuro. “Foi um período de conhecimento”, explicou, sublinhando a importância de perceber “o que é que podemos vir a fazer no futuro e também o que é que poderíamos apoiar, ainda que também à distância”.

Duarte Marques regressou da Guiné-Bissau com a convicção de que a experiência o transformou. “Venho hoje aqui uma melhor pessoa do que aquela quando saí daqui em direção a Bafatá”, afirmou, destacando aprendizagens relacionadas com “a simplicidade e a gratidão”. Apesar de ter dado aulas de informática, considera que recebeu muito mais do que aquilo que conseguiu oferecer.

“Todas as pequenas interações que eu fui tendo, as pessoas que eu conheci, coisas que vi, coisas que senti falta, tudo isso acaba por ser aquilo que eu hoje trago para cá”, testemunhou.

Também Rúben Pinheiral destacou o impacto da missão, sobretudo no regresso à vida de seminário. “A África parece-me que nos mudou a todos”, afirmou, considerando que uma das grandes tarefas da missão da Arquidiocese de Braga na Guiné-Bissau é ajudar a transformar primeiro quem parte, para depois poder transformar outros.

Para o jovem, esta experiência reforça também a dimensão missionária da Igreja. “Se dizemos que somos uma Igreja em saída, [...] somos uma Igreja em missão”, afirmou, acrescentando que a presença de um grupo da Arquidiocese na Guiné-Bissau significa que “toda a Igreja particular aqui de Braga” participa nesta missão e é corresponsável por ela.

Joaquina Ribeiro, enfermeira e já com uma experiência anterior na Guiné-Bissau, encontrou nesta viagem uma realidade diferente. Se na primeira missão esteve sobretudo ligada à área curativa, desta vez acompanhou o trabalho de prevenção desenvolvido pela Cáritas de Bafatá, nomeadamente no acompanhamento de grávidas de risco e de situações de défice nutricional, bem como nas casas das mães e nos centros de recuperação nutricional. “Foi um trabalho gratificante”, afirmou, reconhecendo que, em todas as missões, “nós recebemos sempre mais do que aquilo que damos”.

Fátima Castro, que já tinha estado em missão em Ocua (Moçambique), sublinhou a possibilidade proporcionada pela arquidiocese de participar em projetos de cooperação de longa e curta duração. Considera que esta diversidade permite que jovens, seminaristas e pessoas com mais experiência possam viver a missão na Guiné-Bissau. “A missão não acaba lá, a missão continua”, afirmou, defendendo que a ligação entre as dioceses e o compromisso de cada um podem criar novas oportunidades.

Entre as memórias trazidas de Bafatá está também a história de João, um menino que os missionários conheceram durante o DJum-Bafatá, um espaço de encontro e atividades com crianças. Rúben recorda que, inicialmente, todos o tratavam por Joelque, até descobrirem que o seu nome era João. Durante os primeiros dias, o menino raramente sorria. No último dia, depois de adormecer no colo de Rúben, acordou com “um sorriso brilhante, maravilhoso”.

Para o missionário, aquele momento acabou por simbolizar uma das grandes marcas da experiência vivida na Guiné-Bissau: “ensinou-nos a nós a rir-nos todos os dias”. Uma aprendizagem que se junta aos rostos de tantas outras pessoas encontradas ao longo do caminho e que deram rosto à missão.