Arquidiocese de Braga -
6 outubro 2026
Mensagem da Conferência Episcopal Portuguesa por ocasião do centenário do Dia Mundial das Missões
Conferência Episcopal Portuguesa
No próximo dia 18 de outubro, a Igreja celebra o 100.º Dia Mundial das Missões, instituído pelo Papa Pio XI em 1926. Durante um século, este dia tem ajudado as comunidades cristãs a rezar, a refletir e a sustentar concretamente a missão evangelizadora da Igreja, de modo particular nas Igrejas mais jovens e nos territórios de primeira evangelização.
Este centenário é ocasião de gratidão. Gratidão por tantos missionários e missionárias que deixaram a sua terra, aprenderam outras línguas, partilharam a vida de outros povos e anunciaram o Evangelho muitas vezes em circunstâncias de enorme exigência. Gratidão também pelas comunidades cristãs que, ao longo destas décadas, compreenderam que a missão não pertence a alguns especialistas: faz parte da própria identidade da Igreja.
A Igreja existe para evangelizar. Jesus Cristo chama, reúne e envia. O Evangelho não nos é confiado para permanecer guardado, mas para entrar na história concreta das pessoas, iluminar a vida, abrir horizontes de esperança e gerar uma existência nova. Como recorda o Papa Leão XIV, ser cristão não consiste antes de tudo em aderir a algumas práticas ou ideias, mas em viver unidos a Cristo; é dessa união que nasce toda a fecundidade missionária (cf. Mensagem para o 100.º Dia Mundial das Missões).
Durante muito tempo, falar de missão fazia-nos pensar sobretudo em terras distantes. Essa dimensão permanece essencial e a Igreja em Portugal continuará a sentir como sua a responsabilidade de apoiar as Igrejas jovens e os lugares onde o primeiro anúncio do Evangelho continua a ser necessário. Mas a geografia da missão mudou também diante dos nossos olhos. Hoje, a missão passa pelas nossas cidades, aldeias, escolas, universidades, famílias e lugares de trabalho. Passa por aqueles que se afastaram da fé, por gerações que já não receberam o anúncio cristão e também pelo encontro quotidiano com pessoas de diferentes culturas e tradições religiosas.
Não se trata de olhar para esta realidade com medo. Trata-se de reconhecer nela um apelo. Portugal é também, hoje, terra de missão.
Isso exige comunidades capazes de sair de si mesmas, de acolher, de escutar, de dialogar e, ao mesmo tempo, de anunciar com simplicidade e convicção o nome de Jesus Cristo. A missão cristã não procura conquistar espaços nem aumentar números. Nasce de um encontro que transforma a vida e deseja partilhar aquilo que recebeu.
Há uma expressão do Santo Padre que pode ajudar-nos a compreender melhor este desafio. Falando da formação cristã, recordou que a missão não pode limitar-se a transmitir doutrina, normas ou competências religiosas: somos chamados a gerar na fé. A vida cristã transmite-se no seio de uma comunidade viva, tal como a vida humana nasce de uma relação de amor (cf. Discurso aos participantes na Assembleia Plenária do Dicastério para os leigos, a família e a vida, 6 de fevereiro de 2026).
Evangelizar é, neste sentido, fazer acontecer Jesus na vida das pessoas. É permitir que alguém descubra que é amado por Deus. É acompanhar uma pessoa até que o Evangelho deixe de ser apenas uma mensagem exterior e se transforme em princípio de vida. É ajudar a formar comunidades onde Cristo possa ser encontrado, reconhecido e seguido. É gerar homens e mulheres novos, capazes de viver segundo a lógica das Bem-aventuranças e de levar ao mundo a paz, a justiça, a fraternidade e a esperança que nascem do Evangelho.
Por isso, estes cem anos não nos convidam apenas a olhar para trás. Convidam-nos, sobretudo, a olhar em frente.
O Papa Leão XIV pede à Igreja que renove «o fogo da vocação missionária» e entre com coragem numa «nova era missionária» (Mensagem para o 100.º Dia Mundial das Missões). Esta palavra dirige-se também às nossas dioceses, paróquias, comunidades, movimentos, famílias, consagrados e leigos. Todos somos enviados. Todos temos alguém de quem nos aproximar. Todos conhecemos uma porta que pode ser aberta, uma ferida que precisa de companhia, uma pergunta que espera uma palavra, uma vida que talvez esteja à espera de encontrar Cristo.
Neste centenário, queremos por isso renovar o nosso compromisso missionário.
Agradecemos aos missionários e missionárias portugueses espalhados pelo mundo. Recordamos com gratidão aqueles que deram a vida pela missão. Apoiamos as Obras Missionárias Pontifícias e todas as iniciativas de cooperação entre as Igrejas. Mas queremos também deixar ressoar uma pergunta nas nossas próprias comunidades: quem espera hoje que lhe anunciemos Jesus Cristo?
Que o centenário do Dia Mundial das Missões não seja apenas a celebração de uma história fecunda. Que seja o início de um novo impulso.
Um em Cristo, unidos na missão, queremos continuar a anunciar o Evangelho, para que Cristo seja conhecido, amado e seguido e para que, n'Ele, todos encontrem a vida em abundância.
Fátima, 1 de outubro de 2026, Memória de Santa Teresa do Menino Jesus
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