Arquidiocese de Braga -
8 outubro 2026
“Ritualidade, Liturgia e Formação de Sujeito” aprofunda relação entre liturgia e escutismo
DACS
A relação entre a liturgia e o escutismo é o ponto de partida do livro “Ritualidade, Liturgia e Formação de Sujeito - Um lugar de discernimento para o escutismo”, do padre Luís Marinho, sacerdote da Arquidiocese de Braga. A partir da sua experiência pastoral no escutismo, o autor procura aprofundar a dimensão formativa das práticas rituais na formação das crianças e dos jovens.
Em entrevista ao Departamento Arquidiocesano da Comunicação Social, o sacerdote explicou que o estudo nasceu da sua experiência como assistente nacional do Corpo Nacional de Escutas (CNE), missão que desempenhou durante dez anos, e da atual missão como assistente mundial da Conferência Internacional Católica do Escutismo.
O padre Luís Marinho identifica no escutismo um conjunto amplo de práticas e símbolos que podem ser entendidos como mediações rituais e que contribuem para a formação das crianças e dos jovens. Segundo o sacerdote, a ritualidade permite compreender que a formação não acontece apenas através da palavra, mas também através da experiência e das práticas.
“A ritualidade, em todas as expressões que ela possa ter, tem esta capacidade de pôr em conjunto todas as dimensões da pessoa humana”, afirmou.
O sacerdote estabelece uma relação entre estas práticas e a liturgia, considerando que, tanto no escutismo como na liturgia cristã, os rituais podem contribuir para a formação da pessoa, para a configuração da sua identidade, dos seus valores e da sua forma de estar e agir no mundo.
“Aquilo que a liturgia faz, aquilo que os rituais fazem, é exatamente esta incorporação, esta personalização de crenças, de configuração do mundo, de um sistema de valores, de uma forma de estar, de agir neste mundo”, explicou.
O padre Luís Marinho recordou também o seu percurso no escutismo. Teve uma primeira experiência como escuteiro quando estava no Seminário Menor, em Braga, como explorador, durante dois ou três anos. Mais tarde, já como presbítero, acompanhou agrupamentos escutistas nas comunidades onde exerceu o seu ministério e, em 2013, foi chamado a assumir a missão de assistente nacional do CNE.
Para o sacerdote, as práticas rituais assumem particular importância na dimensão educativa do escutismo, sobretudo pela sua capacidade de envolver diferentes dimensões da pessoa e pela interação com os outros, com o mundo e com a natureza.
“Precisamos muito de tomar consciência do quanto crescemos não apenas por aquilo que pensamos, pelas mensagens, pela palavra que outro nos diz ou que nós lemos, crescemos pela interação com os outros, com o mundo, com a natureza”, afirmou.
O padre Luís Marinho considera ainda que esta dimensão deve ser assumida de forma consciente pelos adultos que acompanham crianças e jovens no escutismo, tendo em conta a potencialidade das práticas rituais na formação moral, humana, espiritual e religiosa.
Partilhar