Arquidiocese de Braga -
11 outubro 2026
Núncio Apostólico aponta Alexandrina como exemplo de uma vida fecunda na fragilidade
Na dedicação do Santuário Eucarístico de Balasar, D. Andrés Carrascosa destacou a centralidade da Eucaristia, o valor do testemunho cristão e a participação de todos na missão da Igreja.
O Núncio Apostólico em Portugal, D. Andrés Carrascosa, apresentou este domingo, 11 de outubro, a Beata Alexandrina como um exemplo de que a fragilidade e a doença não retiram valor à vida nem impedem a participação na missão da Igreja. Na homilia da dedicação da igreja e do altar do Santuário Eucarístico de Balasar, convidou os cristãos a colocar a Eucaristia no centro da sua existência e a traduzir a fé em testemunho e serviço.
«Neste mundo que procura a eficiência, Alexandrina ensina-nos que uma pessoa idosa, doente ou impossibilitada de sair de casa pode continuar plenamente integrada na missão da Igreja», afirmou o representante do Papa.
D. Andrés Carrascosa agradeceu ao Arcebispo de Braga, D. José Cordeiro, o convite para participar na celebração e manifestou o desejo de que aquele encontro fosse, em nome do Papa Leão XIV, um momento de confirmação na fé.
A partir do percurso da Beata Alexandrina, o Núncio questionou uma cultura que mede o valor da vida pela eficácia, pela produtividade e pela visibilidade. Recordou que o quarto onde viveu acamada se tornou um lugar missionário: impossibilitada de percorrer fisicamente o mundo, alcançava-o através da oração, mantendo a preocupação pelos pobres, pelos jovens e por aqueles que a procuravam.
«Quanto mais limitada estava fisicamente, mais universal se tornava o seu coração», observou.
Ao abordar o sofrimento, D. Andrés Carrascosa sublinhou que Alexandrina não o procurou por si mesmo. «O sofrimento não é um bem em si mesmo; é o amor que pode transformar aquilo que sofremos», afirmou, acrescentando que a esperança cristã não significa ausência de sofrimento, mas a certeza de que este não tem a última palavra.
Neste sentido, apresentou uma pergunta que o testemunho da Beata deixa aos cristãos de hoje: «Como posso amar a partir da situação em que me encontro?»
A Eucaristia foi apontada como a fonte da sua força e o centro da sua existência. Mais do que uma devoção entre outras, era «presença, alimento, companhia e configuração com Cristo». O Núncio convidou, por isso, cada participante a interrogar-se: «É Cristo, presente na Eucaristia, o centro da minha vida cristã?»
A homilia explicou também os principais símbolos da dedicação: a água, o santo crisma, o incenso e a luz. A água recorda o Batismo e a condição de filhos de Deus; a unção remete para a pertença a Cristo; o incenso exprime a oração e uma vida que dá testemunho do Evangelho; a luz evoca a responsabilidade dos cristãos de serem pontos de referência na sociedade.
«As pessoas estão cansadas de palavras e procuram testemunhas de vida», afirmou D. Andrés Carrascosa. Sublinhando a responsabilidade de quem ensina na Igreja, acrescentou: «Primeiro vem a vida; depois, as palavras. Sem testemunho, as palavras perdem a sua força.»
Ao comentar o símbolo da luz, advertiu para a procura de protagonismo dentro da própria Igreja: «Nosso Senhor não nos chamou a deslumbrar; chamou-nos a iluminar.»
A dedicação do edifício foi ainda apresentada como um apelo à participação de todos na comunidade. Recordando que os batizados são as «pedras vivas» do Corpo de Cristo, o Núncio convidou cada pessoa a assumir uma responsabilidade e a colocar os seus dons ao serviço dos outros, através da oração, dos movimentos, da ação pastoral ou de outras formas de colaboração.
Na conclusão, desejou que o Santuário Eucarístico de Balasar ofereça aos peregrinos «silêncio e contemplação no meio da agitação do mundo» e favoreça o encontro com Cristo na escuta da Palavra e na celebração dos sacramentos, particularmente na Reconciliação e na Eucaristia.
«Que sejamos missionários unidos a Cristo, mesmo quando aparentemente nada podemos fazer», pediu, recordando que a última palavra sobre a existência cristã pertence à Ressurreição.
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Homilia
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