Arquidiocese de Braga -
15 outubro 2026
Da arquitetura aos vitrais: quem deu forma ao novo Santuário Eucarístico de Balasar?
O novo Santuário Eucarístico de Balasar nasceu da colaboração entre arquitetos, artistas e engenheiros. A arquiteta italiana Elena Di Taranto e a artista portuguesa Dina Figueiredo destacam-se numa obra que une arquitetura, arte e fé.
Depois das celebrações históricas de 10 e 11 de outubro, que assinalaram a trasladação dos restos mortais da Beata Alexandrina Maria da Costa e a dedicação do novo Santuário Eucarístico de Balasar, há uma outra história por conhecer: a das pessoas que imaginaram, desenharam e construíram este espaço de fé.
A imponência da cobertura, a luz que atravessa os vitrais, as esculturas e os elementos litúrgicos resultam de um trabalho coletivo que reuniu profissionais de Portugal, Itália e França, procurando traduzir em arquitetura e arte a profunda espiritualidade eucarística da Beata Alexandrina.
Elena Di Taranto e Dina Figueiredo: duas mulheres no centro da criação

O projeto arquitetónico nasceu nos estúdios do Centro Ave Arte, em Florença, Itália, atualmente dirigido pela arquiteta Elena Di Taranto.
Fundado em 1961 pela escultora Ave Cerquetti, o atelier distingue-se pela integração da arquitetura com as artes plásticas e figurativas, envolvendo os artistas desde as primeiras fases dos projetos. Esta abordagem procura fazer de cada espaço religioso uma unidade entre arquitetura, expressão artística e celebração litúrgica.
No Santuário de Balasar, esta conceção encontra expressão no diálogo entre as linhas arquitetónicas do edifício e os elementos artísticos que integram os diferentes espaços.

A direção artística foi confiada à artista portuguesa Dina Figueiredo, que colaborou durante mais de duas décadas com o Centro Ave Arte e que vive em Portugal desde 2014.
Foi Dina Figueiredo quem concebeu e realizou os grandes vitrais artísticos, os elementos dos espaços litúrgicos da igreja e das capelas, os mosaicos e as alfaias litúrgicas.
O seu trabalho ocupa, assim, um lugar central na identidade artística do novo Santuário, contribuindo para transformar o espaço arquitetónico num ambiente de oração, contemplação e celebração.
A colaboração entre a arquitetura italiana e a criação artística portuguesa constitui uma das marcas distintivas desta obra, concebida para acolher peregrinos e dar expressão à centralidade da Eucaristia na vida da Beata Alexandrina.
Um Cristo Ressuscitado e obras de artistas internacionais
A dimensão artística do Santuário estende-se às esculturas que integram o complexo.
O grande Cristo Ressuscitado, presente no espaço celebrativo, é obra dos artistas Federica Cavallin e Peter Kostner, provenientes de Val Gardena, em Itália, uma região com uma tradição secular de escultura em madeira. Federica Cavallin assumiu a responsabilidade artística principal desta criação, trabalhando com o mestre Peter Kostner.

A estátua em bronze da Beata Alexandrina é da autoria do escultor francês Charles Marie des Courtils.
A criação artística inclui também o contributo do Atelier Amadeus, de um artesão natural de Balasar, responsável pela peça exterior Chama e por duas obras executadas a partir de raízes de oliveira.
Uma obra de engenharia com mais de 46 metros de altura
Para além da expressão arquitetónica e artística, a construção do novo Santuário exigiu soluções de engenharia complexas, particularmente na execução das grandes superfícies da cobertura em madeira laminada.
A conceção estrutural desta cobertura foi desenvolvida pelo gabinete italiano Area Engineering, através dos engenheiros Andrea Tellini e Alessandro Bondi.
A coordenação geral do projeto e a gestão administrativa estiveram a cargo do engenheiro Paulo Ribeirinho Soares, do gabinete Ribeirinho Soares – Centro de Projectos de Construção, do Porto.
As especialidades técnicas, nomeadamente instalações, acústica e segurança contra incêndios, foram asseguradas por uma equipa portuguesa coordenada pelo Studio GOP, também do Porto. A empreitada foi executada pela empresa Atlantinivel.
Implantado num terreno com 37 090 metros quadrados, o complexo ocupa uma área construída de aproximadamente 4 800 metros quadrados.
A igreja principal dispõe de cerca de 1 800 metros quadrados e articula-se com a capela do túmulo da Beata Alexandrina, a capela de adoração eucarística permanente, espaços para celebrações de grupos mais pequenos e áreas destinadas aos sacramentos da Reconciliação e do Batismo.
O conjunto integra ainda estruturas de acolhimento, espaços administrativos e um Centro Cultural, com um auditório de aproximadamente 270 lugares e salas de formação e reuniões.
O edifício atinge uma altura de 39,77 metros, enquanto a cruz se eleva até aos 46,20 metros.
De 2018 a 2026: um sonho transformado em realidade
A primeira pedra do novo Santuário Eucarístico de Balasar foi colocada a 13 de outubro de 2018, mas os trabalhos de construção arrancaram efetivamente em 2023.
Três anos depois, o complexo acolheu dois momentos particularmente significativos: a trasladação dos restos mortais da Beata Alexandrina, no dia 10 de outubro, e a dedicação da igreja e do altar, a 11 de outubro de 2026.
Embora alguns trabalhos ainda estejam por concluir, o investimento global previsto deverá situar-se em cerca de 14 milhões de euros.
Mais do que uma realização arquitetónica, o novo Santuário Eucarístico de Balasar representa o encontro entre a fé, a criatividade artística e o conhecimento técnico de profissionais de diferentes nacionalidades.
Uma obra coletiva em que a arquitetura, a luz, a escultura e os espaços litúrgicos procuram dar forma visível à mensagem espiritual da Beata Alexandrina, colocando a arte e a beleza ao serviço da oração e do encontro com Deus.
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