Arquidiocese de Braga -
17 outubro 2026
Escutar, viver e servir: 14 novos leitores a caminho do diaconado permanente
Na Sé de Braga, D. José Cordeiro afirmou que o ministério de leitor exige uma Palavra escutada e vivida no quotidiano, sublinhando que esta missão deve ser assumida como serviço à comunidade.
Catorze candidatos ao diaconado permanente foram instituídos no ministério de leitor este sábado, 17 de outubro, na Sé de Braga. Na homilia, o arcebispo de Braga, D. José Cordeiro, apelou à coerência entre a proclamação das Escrituras e a vida de quem as anuncia, lembrando que este ministério implica escuta, oração e serviço.
Dirigindo-se aos novos leitores, o arcebispo situou esta instituição no percurso de preparação humana, intelectual e espiritual para o ministério diaconal e deixou uma orientação clara: «Esta instituição tem de ser vivida por vós como serviço desinteressado ao bem de toda a comunidade eclesial e nunca como um destaque, uma promoção ou um poder».
A partir do imperativo bíblico «Escuta Israel», repetido na primeira leitura, D. José Cordeiro sublinhou que «a primeira missão do discípulo é escutar». Uma escuta que envolve o coração e a disponibilidade para reconhecer a voz de Deus, que continua a chamar e a enviar. Citando o filósofo Byung-Chul Han, recordou: «O silêncio faz escutar».
O arcebispo destacou também o lugar central das Escrituras na vida da Igreja. Evocando a Constituição Dei Verbum, do Concílio Vaticano II, lembrou que, nos livros sagrados, Deus vem ao encontro dos seus filhos e conversa com eles, oferecendo à comunidade cristã alimento para a fé e para a vida espiritual.
Esta relação com a Palavra deve traduzir-se em atitudes concretas. «Um leitor até pode ser exímio na técnica vocal com que lê um texto sagrado, mas contradizer tudo aquilo que leu ao não ser capaz de o viver de forma concreta na sua vida», afirmou.
Como referência, apontou Jesus na sinagoga de Nazaré, quando declara cumprida a passagem do profeta Isaías que acabara de proclamar. Segundo D. José Cordeiro, essa passagem tornou-se o «programa de vida» de Jesus, assumido por inteiro e até ao fim.
A preparação do leitor deve, por isso, reunir o cuidado técnico com a leitura, a meditação e a disponibilidade para a conversão. O arcebispo salientou a importância de conhecer a Bíblia e os seus diferentes géneros literários, bem como de partilhar esse conhecimento na comunidade, nomeadamente através da *Lectio Divina*, a leitura orante da Sagrada Escritura.
Retomando a sua Nota Pastoral Ministérios laicais na Igreja sinodal missionária, D. José Cordeiro apresentou João Baptista como referência para a atitude do leitor diante da Palavra: «Convém que Ele cresça e eu diminua».
Aos catorze novos leitores confiou, assim, uma responsabilidade que se prolonga para além da celebração: «Tornar viva, para vós e para os outros, a Palavra de Deus» e ajudar a reconhecer na Escritura «uma nascente que alimenta a vida cristã em cada momento».
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Homilia
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