Arquidiocese de Braga -

18 outubro 2026

Refúgio de Camilo no Bom Jesus convida a «escalar interiormente a vida»

Fotografia DM

DM - Cristiana Barbosa

O Hotel do Parque, no Bom Jesus do Monte, acolheu, ontem, a segunda conferência do ciclo «A Arte de Subir!», iniciativa promovida pela Pastoral da Cultura da Arquidiocese de Braga com a Confraria do Bom Jesus do Monte.

Sob o tema «Bom Jesus: a paisagem, a literatura e a condição humana», o encontro aliou o património natural e literário à experiência espiritual, culminando com um passeio guiado até ao Jardim de Camilo Castelo Branco.

Em declarações ao Diário do Minho, Eduardo Duque, diretor do Secretariado da Pastoral da Cultura, enquadrou o objetivo ao sublinhar que «um dos pilares fundamentais da pastoral da cultura é a formação, ou seja, preparar as pessoas para viverem com mais, com uma dimensão mais profunda a vida».

O responsável acrescentou que «este ciclo é intitulado “A Arte de Subir!” não só no sentido de quem escala, porque o Bom Jesus está mais alto, mas de quem escala interiormente a sua vida».

A iniciativa visa «que as pessoas possam conhecer melhor Camilo e como é que ele se inspirou, que tipo de plantas, de natureza, de cheiros e de terra o inspirou, para que essa inspiração possa abrir-nos o coração».

Por sua vez, Varico Pereira, vice-presidente da Confraria, destacou o valor do património natural ao frisar que, nesta conferência, o foco esteve na «parte ambiental, que é uma componente muito importante. Do ponto de vista da biologia, dos ecossistemas, da fauna e da flora, é uma parte que o Bom Jesus tem vindo a aprofundar».

O dirigente lembrou que «a outra componente é a questão literária, especificando e valorizando um autor específico, Camilo Castelo Branco», acrescentando que, no final da conferência, houve «a oportunidade de revisitar o Jardim de Camilo e aprofundar este conhecimento».

Na vertente literária, Cândido de Oliveira Martins, professor da Universidade Católica Portuguesa, recordou que «Camilo escreveu uma obra imensa. Sobre o Bom Jesus, escreveu em vários livros, mas sobretudo um, que se chama “No Bom Jesus do Monte”, dedicado inteiramente ao espaço».

O docente enfatizou a vertente do local ao considerar que «não podemos esquecer que o Bom Jesus é um espaço de beleza natural, mas também com uma dimensão religiosa. Camilo vai falar do amor humano e das paixões humanas, de relações amorosas não muito bem-sucedidas, com muito humor à mistura, mas é uma forma de tornar sagradas essas histórias de amor no espaço mágico do Bom Jesus».

A perspetiva científica coube a Rui Tavares, docente da Universidade do Minho, ao explicar que «Camilo Castelo Branco não foi muito incisivo na utilização de espécies vegetais nas suas obras, mas o interesse dele pelo Bom Jesus era, sobretudo, como local que lhe proporcionava paz, tranquilidade e lhe permitia arranjar energia e disponibilidade criativa para as suas obras».