Arquidiocese de Braga -
18 outubro 2026
Teólogos, arquitetos e artistas dialogam em Braga sobre arquitetura para a liturgia
DM - Carla Esteves
I Encontro Diocesano de Arquitetura e Artes para a Liturgia
Braga transformou-se, ao longo do dia de ontem, num autêntico centro de debate entre teólogos, arquitetos e artistas que dedicam o seu processo criativo ao serviço do sagrado. O I Encontro Diocesano de Arquitetura e Artes para a Liturgia decorreu no Complexo do Espaço Vita e na Igreja Paroquial de S. José de S. Lázaro e permitiu um diálogo fértil entre quem pensa a fé e quem constrói e transmite beleza aos espaços onde ela se celebra.
Foi o Arcebispo Metropolita de Braga quem abriu este I Encontro, procedendo à apresentação do livro «Arquitetura e Artes para a Liturgia: fundamentos», dos Cadernos Kalós, obra que resultou da II Jornada Nacional, realizada em novembro de 2025, em Fátima.
Antes da apresentação da obra, D. José Cordeiro esclareceu que a organização deste I Encontro, em Braga, deverá ser encarada como um prolongamento prático e formativo da Jornada Nacional, sendo o primeiro de outros que terão lugar noutras dioceses do país.
No que à obra propriamente dita diz respeito, o Arcebispo Primaz de Braga sustentou que aqui se encontram a arquitetura e a arte sacra não como meramente decorativas ou técnicas, mas sim enquanto reflexo visível de um mistério.
«Um livro que nasce de uma jornada de dois dias em Fátima, mas que quer alimentar, para lá desse encontro, um diálogo permanente entre teólogos, liturgistas, arquitetos e artistas sobre os fundamentos da arquitetura e das artes ao serviço da liturgia», sintetizou D. José Cordeiro.
«Este livro não é um manual técnico nem um catálogo de obras, mas antes uma coletânea de ensaios de fundamentação teológica, litúrgica e arquitetónica, complementada pelo testemunho artístico em primeira pessoa», afirmou D. José Cordeiro, considerando que a obra vem preencher uma lacuna.
Por esse motivo, cruza Teologia, Liturgia, Arquitetura e Artes, respondendo à urgência de colmatar o «analfabetismo litúrgico» e promovendo um diálogo constante entre quem pensa a fé e quem projeta os espaços.
A este propósito, D. José Cordeiro defendeu a necessidade de uma mudança de olhar sobre os espaços de culto, recordando que «tal como a igreja e o altar são dedicados com o óleo do crisma (como uma pessoa), a arquitetura deve emanar do altar e da assembleia».
Referiu-se depois à organização interna do livro, que reúne sete textos, com um fio condutor claro, dando também espaço aos testemunhos de quem cria.
Para D. José Cordeiro, esta obra «coloca lado a lado, pela primeira vez, o olhar do teólogo-liturgista e o olhar do arquiteto sobre o mesmo objeto, encarando a igreja como lugar de celebração».
«É um convite a olhar para a arte contemporânea na Igreja, não com desconfiança automática, mas com o mesmo espírito de diálogo que levou, no século passado, grandes nomes da arte moderna a colaborar com a Igreja», defendeu.
Descentralizar e aproximar-se das dioceses
O padre Joaquim Félix de Carvalho, que liderou a organização deste I Encontro, reforçou que esta iniciativa em Braga pretende descentralizar as jornadas nacionais, criando assim uma maior proximidade com as várias dioceses do país e abordando o património regional e local.
Nesse sentido, a manhã foi dedicada a intervenções teóricas e técnicas com arquitetos e artistas de renome, como o arquiteto Pedro Marques de Abreu, o padre-arquiteto João Norton de Matos, Dina Figueiredo, o padre Carlos Pinto e o arquiteto Pedro Calado. Neste período, foram abordados os princípios gerais da arquitetura litúrgica, as novas igrejas e as adaptações necessárias após a reforma do Vaticano II.
Da parte da tarde, o programa centrou-se na análise de casos práticos, como o projeto de adaptação da Igreja de S. José de São Lázaro, em Braga, com o arquiteto António Cerejeira Fontes e o engenheiro Joaquim Carvalho, focando a sustentabilidade estrutural do edifício.
Decorreu também uma discussão sobre a música sacra e a colocação de coros e instrumentos, pelo organista José Davide Barros, e uma proposta sobre o lugar dos columbários e o lugar dos mortos na sociedade atual, por Eduardo Jorge Madureira.
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