Arquidiocese de Braga -
23 outubro 2026
LOC/MTC manifesta preocupação com o acesso à habitação e solidariedade com os manifestantes
DACS com LOC/MTC
A Equipa Nacional da LOC/MTC — Movimento de Trabalhadores Cristãos manifesta profunda preocupação e solidariedade para com todos os que, nas últimas semanas, se têm manifestado em Lisboa, no Porto, em Coimbra e em Braga pelo direito constitucional à habitação.
Em comunicado, a LOC/MTC afirma que a habitação é um direito humano, não uma mercadoria, e alerta para as dificuldades sentidas por jovens e famílias trabalhadoras, considerando que a especulação imobiliária, a precariedade laboral e as leis que facilitam despejos sem humanidade empurram milhares de pessoas para a vulnerabilidade.
«Não falamos de números, mas de vidas concretas: Famílias pobres, famílias com doentes, idosos e mães sozinhas», refere a Equipa Nacional, sublinhando que «o sistema habitacional tem falhas estruturais e a legalidade nem sempre coincide com a justiça social».
Recordando o Papa Francisco, o movimento destaca que o direito a Terra, Teto e Trabalho é indissociável da dignidade humana e que a «Casa Comum» exige que o teto seja garantido a todos, e não apenas aos que podem pagar os valores inflacionados que estão a ser praticados.
Solidariedade com os manifestantes
A LOC/MTC manifesta também apreensão perante os relatos de violência policial no desmantelamento de acampamentos e protestos, nomeadamente no Porto, e solidariza-se com todos os que, de forma pacífica, erguem a voz contra a injustiça social.
«O direito à manifestação é um pilar da democracia», afirma o comunicado, apelando ao Estado para que garanta a integridade física dos cidadãos e para que a legalidade da intervenção policial seja esclarecida com transparência.
«O discurso de ódio não constrói — destrói»
A Equipa Nacional manifesta particular preocupação com o aproveitamento da crise habitacional para alimentar o discurso de ódio contra os imigrantes, transformando-os em bodes expiatórios de um problema estrutural que a todos diz respeito.
O comunicado recorda as palavras do Papa Leão XIV, que «tem sido claro, recordando que «a dignidade humana não tem passaporte nem perde valor ao cruzar uma fronteira» e que «ninguém pode olhar para o outro lado perante quem procura proteção e segurança»».
O movimento considera ainda que não se pode deixar os mais pobres e desfavorecidos, que já não conseguem pagar uma casa, com todo o ónus de um problema que deve ser preocupação de toda a sociedade.
A cidadania ativa é um direito e um dever
A LOC/MTC reconhece e valoriza a onda de protestos como expressão de uma cidadania ativa. «Exigir o cumprimento do artigo 65.º da Constituição não é vandalismo; é o exercício legítimo de um direito democrático», refere, acrescentando que a verdadeira democracia exige que os cidadãos intervenham e que o poder político os escute, em vez de os reprimir.
No apelo dirigido à sociedade e aos poderes públicos, o movimento pede a cidadãos, autarquias, Governo e sociedade civil que escutem o sofrimento de quem não tem casa, recusem os discursos que transformam os imigrantes em inimigos, promovam o diálogo e o conhecimento e garantam o direito à habitação e à manifestação pacífica.
«Como Movimento de Trabalhadores Cristãos, não ficamos indiferentes ao sofrimento do próximo. A paz não se constrói com a repressão nem com o ódio ao diferente ou ao pobre, mas com a garantia dos direitos fundamentais e o compromisso de todos por uma sociedade mais justa e fraterna», conclui a Equipa Nacional da LOC/MTC.
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