Arquidiocese de Braga -

5 novembro 2026

Capela de Nossa Senhora da Conceição, em Guimarães, alia património, arte e música na sua recuperação

Fotografia DACS

DACS

A Capela de Nossa Senhora da Conceição, em Guimarães, está a recuperar o seu esplendor artístico e patrimonial, num processo que tem mobilizado a comunidade e procurado aproximar a cultura da vida da Igreja. Classificado como Imóvel de Interesse Público, este espaço, que remonta ao início do século XVI, guarda um património integrado de grande valor histórico, artístico e religioso.

«Estamos num tesouro da nossa Arquidiocese de Braga, um tesouro escondido aqui nesta cidade de Guimarães», afirma o pároco, o padre Leonel Cunha, em entrevista ao Departamento Arquidiocesano de Comunicação Social (DACS). Para o sacerdote, a riqueza da capela revela-se desde logo no painel de azulejos que reveste as paredes e que apresenta uma história inspirada no livro do Cântico dos Cânticos.

Entre os elementos que merecem especial atenção estão os painéis de azulejos, a talha, o teto apainelado e o órgão histórico de tubos. «Temos aqui a história de uma senhora amada que está contada num dos livros da nossa Sagrada Escritura, o livro do Cântico dos Cânticos», explica o padre Leonel Cunha, destacando também a presença de elementos artísticos que cruzam diferentes expressões, desde a pintura à música.

O processo de recuperação começou há cerca de dez anos. O estado de degradação do edifício exigiu uma intervenção prolongada e especializada, não apenas nas coberturas e nos espaços envolventes, mas também no valioso recheio artístico, com elementos dos séculos XVI e XVII.

«Não podemos pôr as mãos num tesouro valioso de qualquer forma», sublinha o sacerdote, referindo a necessidade de estudo e do envolvimento de diferentes entidades. A intervenção contou com o apoio da Câmara Municipal de Guimarães, da comunidade paroquial, de vimaranenses, dos Nicolinos e da Fábrica da Igreja da Paróquia de Nossa Senhora da Conceição. O projeto de valorização e promoção do recheio artístico integrado conta também com o apoio do Programa NORTE 2030.

O teto, composto por 14 caixotões, constitui outro dos elementos de destaque. As pinturas apresentam episódios da vida de Nossa Senhora, desde o nascimento e a apresentação no Templo até à sua escolha para ser a mãe de Jesus. No altar encontra-se a imagem da Imaculada Conceição, datada do início do século XVIII, atualmente em processo de restauro. A composição integra ainda referências à árvore de Jessé e à descendência de Jesus.

A recuperação pretende também deixar uma marca contemporânea no espaço. A par dos dois altares laterais, dedicados a São Domingos e a São Caetano, está prevista a introdução de uma peça contemporânea no mobiliário litúrgico. «Queremos deixar a marca do nosso tempo neste templo, quase que renovar aquilo que é antigo e torná-lo sempre novo», afirma o padre Leonel Cunha.

A música tem sido igualmente uma das formas de envolver a comunidade neste projeto. Ao longo dos últimos cinco anos, foram promovidas iniciativas culturais e concertos solidários com artistas como Cuca Roseta, Sofia Escobar, Ana Bacalhau e João Pedro Pais. A iniciativa procura, por um lado, angariar fundos para a recuperação e, por outro, trazer a cultura para dentro da Igreja.

«Chamar a cultura para dentro da Igreja e darmos aqui um sinal de que a cultura também tem um sinal forte dentro da Igreja e depois estamos a oferecer algo àqueles que também nos ajudam», explica o sacerdote.

A próxima iniciativa está marcada para 11 de dezembro, com um concerto de Tiago Bettencourt. A escolha do artista prende-se também com a dimensão espiritual que o padre Leonel Cunha reconhece na sua música, capaz de «nos elevar também para uma outra dimensão que não é só a música». O sacerdote recorda ainda a participação do músico na Jornada Mundial da Juventude, no Parque Eduardo VII, diante do Papa Francisco.

Ligada à Romaria de Nossa Senhora da Conceição, celebrada a 8 de dezembro, e às seculares Festas Nicolinas, através das suas Novenas, a capela permanece um espaço de referência na identidade religiosa e cultural de Guimarães. A recuperação procura, assim, preservar este património e devolver à comunidade um lugar onde a arte, a música e a fé continuam a encontrar-se.



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