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CMAB | Braga| 17 Mar 2016
Para chegar à Luz é necessário passar pela Cruz
D. Luiz Fernando Lisboa, cp, bispo de Pemba, Mocambique
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  © DCAB | Braga

Estamos no tempo litúrgico da Quaresma, propício à revisão da nossa vida para dar continuidade a uma verdadeira conversão.

Por quê dar continuidade? Porque conversão é um processo que dura toda uma vida. Supõe uma escolha, uma decisão. Diante da proposta feita por Jesus – “se alguém quiser seguir-me, renuncie a si mesmo, tome a sua Cruz e siga-me” – muitos duvidaram, alguns fugiram e outros tantos aderiram.

“Se alguém quiser seguir-me”, supõe liberdade. Talvez este seja o dom mais belo e mais difícil com o qual Deus nos presenteou. Quanta gente confunde liberdade com libertinagem, quantas pessoas dizem e fazem o que querem e sentem sem importarem-se com os outros, com suas dores, seus limites, seus constrangimentos.

Há quem goste de ser mandado porque não precisa tomar uma decisão. Para decidir é preciso pensar, ponderar, discernir. Mas também há quem goste de mandar porque lhe custa muito ser humilde, acreditar no outro, obedecer, ou seja, prefere e lhe apraz decidir pelo outro.

“Renuncie a si mesmo”, supõe desprendimento. Há quem passe toda a vida olhando como num espelho, melhor, olhando-se num espelho. Coloca-se como centro do mundo, não consegue sair de si mesmo e ir ao encontro do outro. O outro é sempre uma ameaça, um adversário. O amor ao próximo supõe sensibilidade, aproximação, atitude, tempo, caridade, misericórdia. As “obras de misericórdia”, tanto materiais quanto espirituais que o Papa Francisco nos tem recordado neste Ano Jubilar, é sempre em direção ao outro, aos outros.

“Tome a sua Cruz e siga-Me”, supõe coragem. A Cruz que Jesus oferece não é a dEle. A cada um Ele oferece uma Cruz personalizada, própria, aquela do seguimento. O peso, o tamanho, o contorno é de acordo com cada seguidor porque cada um é único, tem seus limites, mas também suas potencialidades, e Jesus sabe disso.

A Cruz do seguimento não é a mesma que os homens muitas vezes impõem aos seus semelhantes e que causam tanto sofrimento, fome, miséria, guerra, deslocamentos forçados, entre outros.

Seguir Jesus não é para qualquer um, não é para todos. É para aqueles que querem, que se decidem, que estão dispostos a renúncias, que não fogem da Cruz.

A Cruz de Jesus é a Cruz da missão. Ele foi enviado pelo Pai para salvar a humanidade. É o missionário do Pai. A missão vem de Deus, é de Deus. A Cruz que Jesus oferece também é a Cruz da missão de cada um. Para seguir a Jesus é preciso assumir a própria Cruz, a própria missão. Não faltarão dificuldades, sofrimentos, quedas, incompreenções, perseguições… Tampouco faltarão Cirineus, Verónicas e Maria, a Mãe sempre presente para acariciar e encorajar. Não tenhamos medo porque Ele nos ajuda, caminha ao nosso lado, alivia o peso.

O seguimento de Jesus, portanto, supõe liberdade, decisão, desprendimento, amor e coragem para assumir a Cruz da  missão.

A Cruz não é derrota, mas vitória; a Cruz não é fim, mas meio; a Cruz não é imposição, mas oferta; a Cruz não tira a dignidade, mas a resgata; a Cruz não é abstrata, mas concreta; a Cruz não é ódio, mas amor; a Cruz não é veneno, mas remédio; a Cruz não leva à treva, mas à Luz.

Não se vai à Luz sem passar pela Cruz!

A Quaresma é este tempo especial que a Igreja nos proporciona para a nossa contínua conversão. Aproveitemos mais esta oportunidade. Assumir a Cruz do seguimento é caminhar com Jesus e como Jesus no cumprimento da missão. Dessa maneira poderemos celebrar com Ele a vitória da Ressurreição, a Vida nova nascida do amor derramado na Cruz.

Aos irmãos e irmãs de Pemba e de Braga eu desejo uma boa caminhada quaresmal para uma Feliz Páscoa da Ressurreição!

Artigo publicado no Suplemento Igreja Viva de 17 de março de 2016.

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