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DCAB | Braga| 16 Out 2014
“é preciso ouvir, sentir, perceber, e só depois intervir”
De momento a realizar um doutoramento sobre a formação de professores em Angola, Sara Poças já participou em vários projectos no âmbito das missões e do voluntariado. Nesta edição, Sara falou sobre o que significa ser missionária e em que consiste o projecto de cooperação Braga - Pemba.
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  © DCAB | Braga

Em que projectos tem trabalhado nos últimos anos?

Desde 2006 que trabalho na cooperação para o desenvolvimento na área da educação, porque é a minha formação de base, sou professora.

Entre 2006 e 2009 estive a trabalhar com a FEC, na altura Fundação, Envangelização e Culturas, actualmente Fundação Fé e Cooperação. Estive a trabalhar em Angola e Guiné-Bissau, na formação de professores e de agentes educativos. Em Angola, em 2006, estive a trabalhar na arquidiocese do Huambo. De 2007 a 2009 estive a trabalhar na Guiné-Bissau na diocese de Bafatá, fazendo um trabalho mais técnico com directores de escolas, num trabalho conjunto. Em 2010 fui trabalhar para a Escola Superior de Educação de Viana do Castelo, a fazer um trabalho de assistência técnica a um projecto de cooperação também na área de educação e formação de professores em Angola, o Projecto de Cooperação Portuguesa. Também trabalhei com voluntários para a cooperação, na formação de voluntários, uma coisa que lá considerávamos muito importante.

Consegue apontar-nos um momento mais marcante durante todas essas experiências?

Existem imensos... Em termos pessoais e profissionais, o trabalho que fiz na Guiné-Bissau com os directores e com os missionários responsáveis pelas escolas, foi das coisas mais gratificantes. É aquilo que se chama um verdadeiro projecto de cooperação em que todas as pessoas se envolveram na elaboração de um Manual de Procedimentos que colocava todas as escolas da diocese a trabalhar em conjunto. Foi ideia do bispo D. Pedro Zilli, uma pessoa fantástica.

Essa diocese é uma diocese mais rural, mais isolada e as escolas tinham o envolvimento das comunidades. Íamos visitar as escolas e percebíamos que as próprias comunidades, que 90%

das vezes não falavam português, se envolviam na formação das suas crianças porque achavam que era importante elas estudarem e irem à escola mesmo sem saber falar português. Foi uma experiência mesmo muito interessante.

Sempre sentiu o apelo para as missões?

Eu estudei no Colégio das Caldinhas que já é um ambiente que puxa para o voluntariado, para as questões sociais, para as missões. Por acaso lembro-me que houve uma altura em que ouvi testemunhos de um Leigo para o Desenvolvimento que tinha estado a trabalhar no terreno e de um voluntário do GAS’África e achei aquilo muito interessante. Ficou sempre aquele «bichinho»... Quando acabei o curso pensei que seria a altura ideal para fazer algo que me enriquece, às vezes penso que mais a mim do que as pessoas com quem trabalho. Claro que espero e acho que essas pessoas ganham alguma coisa com isso! Acho que vou continuar a trabalhar nesta área numa vertente mais missionária e numa vertente mais profissional, tendo em conta que sou católica e toda a minha parte espiritual faz ainda mais sentido agora.

Quais as principais dificuldades que um missionário pode encontrar numa missão?

Depende muito dos contextos, mas eu diria que o choque cultural talvez seja a primeira de todas. A formação dos missionários é outra questão que também acho muito importante. Pelo menos preparar-se e confrontar-se com algumas realidades que poderá encontrar. Se calhar esse choque cultural implica percebermos que estamos a lidar com uma realidade diferente. Mesmo que às vezes nos pareça que nós é que estamos bem e os outros é que estão mal... não é bem assim. Temos que perceber que as pessoas estão num referencial de valores completamente diferente. Nós é que assumimos que os nossos valores é que são os correctos. Os nossos valores são cristãos. Quando estamos numa sociedade em que esses valores estão incutidos, talvez nos possa parecer que nós é que estamos bem e que as outras pessoas estão mal. Ou seja, temos os nossos óculos “eurocêntricos” e se calhar a primeira coisa que temos que fazer é tirar esses óculos e desconstruir tudo aquilo que temos na cabeça e tentar perceber a realidade das outras pessoas que temos à nossa frente. Ter a atitude de perceber a realidade primeiro e só depois intervir. Primeiro ouvir, sentir e perceber... E daí a questão da formação ser muito importante. O voluntário tem de estar muito bem consigo pessoal e espiritualmente porque às vezes este confronto, se a pessoa não estiver bem, pode não ser muito positivo. Quer para si, quer para as pessoas com quem lida.

Como é que surgiu a ideia do projecto de cooperação entre Braga e Pemba?

Essa ideia já vem de trás, da altura do contacto do bispo de Pemba com o D. Jorge em 2003 quando houve dois sacerdotes diocesanos que estiveram na diocese de Pemba entre 2003 e 2005. Em 2005 o D. Jorge foi a Pemba, fez questão de ir a Pemba e visitar esses sacerdotes e ter contacto com a realidade. A ideia foi amadurecendo até ao lançamento oficial do Outubro missionário em 2012 em que D. Jorge manifestou publicamente esse seu sonho de ter uma paróquia extraterritorial. Entretanto decidiu operacionalizar a ideia. Começou com um grupo de reflexão e acho que a ideia foi discutida em conselho pastoral e em Conselho Presbiteral. Em Setembro de 2013, o D. Luiz Lisboa, actual bispo de Pemba, deslocou-se a Braga, e nessa altura manifestaram a vontade mais real e mais concreta de poder estreitar e aprofundar estes laços de comunhão entre as duas dioceses.

Em que consiste ao certo em projecto de cooperação missionária?

Consiste num conhecimento mútuo entre as duas dioceses, em que, respeitando a caminhada própria de cada uma, se partilham informações, experiências e uma ligação espiritual que também leva a que cada uma das dioceses sinta as alegrias e tristezas uma da outra. Há um espirito de partilha mútuo, não só de bens materiais mas também de experiências humanas. Quando falo de bens materiais não é numa perspectiva assistencialista ou de dependência. Poderá haver uma troca de bens materiais mas específica e não indiferenciada. Também há partilha de experiências eclesiais de comunidade de parte a parte, ou seja, quer enviando pessoas da diocese de Braga para Pemba, quer da diocese de Pemba para a de Braga. Para as paróquias, serviços e estruturas diocesanas será possível envolver as pessoas na vivência da vida cristã, com padres e religiosas, mas também envolver os leigos numa dimensão mais técnica e profissional, não descurando a parte missionária. Deve tentar-se que sejam enviadas pessoas que tenham a experiência numa parte técnica e que realmente respondam às necessidades de Braga e de Pemba. Na medida do possível, deve haver esta relação entre as duas dioceses.

Este projecto difere bastante de um de cooperação da sociedade civil...

Sim, um projecto de cooperação da sociedade civil tem uma dimensão apenas social, diferente da função principal da igreja, a envangelização. Mas, muitas vezes, dependendo dos contextos em desenvolvimento, pode fazer sentido que a evangelização se realize através da parte social. Essa é a principal diferença entre um projecto de cooperação missionária e um projecto de cooperação da sociedade civil. Quando é um projecto de cooperação com a igreja, a igreja permanece, não fica num curto espaço de tempo e retira-se. Existe um mandato de Cristo, o envio por uma igreja, existe uma responsabilidade baptismal, existe uma vida em comunhão e em oração entre os membros que é partilhada sempre na comunidade. Existirão outras diferenças mas esta é a principal.

Qual será o principal objectivo deste projecto?

Eu diria que é aprofundar laços de comunhão envolvendo leigos e sacerdotes de ambas as dioceses, tornando ambos os lados «mais ricos». Acho que é mesmo esse enriquecimento e aprofundamento através dos laços de comunhão criados entre as duas partes.

Em que áreas preferenciais incidirá a cooperação?

A ideia será inicialmente realizar-se um diagnóstico, uma auscultação das necessidades e das potencialidades de cada um dos contextos. Pensamos que a cooperação deverá, para além da parte mais missionária, incidir em áreas sociais como a saúde, a educação, a promoção da família, da mulher e da criança, todo um trabalho com as questões da cidadania. Isto é o que se pensa fazer. Mas terá de ser devidamente conversado e alinhavado entre ambas as partes.

Qual será o próximo passo?

O próximo passo será dado ainda este mês, já que D. Luiz Lisboa virá à diocese de Braga. Nessa altura será assinalado o protocolo de cooperação, já em análise, entre as duas dioceses e passaremos aos passos seguintes.

Artigo publicado no suplemento Igreja Viva de 16 de outubro 2014.

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