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DACS | Braga| 19 Set 2019
Entrevista Andreia Araújo e Pe. Daniel Pereira: “Estamos conscientes que vamos encontrar dificuldades”
João Pedro Quesado (texto e fotos) Estão prontos mas, por questões burocráticas, ainda não têm data de partida. A Andreia Araújo e o padre Daniel Pereira são os novos enviados da Arquidiocese de Braga à paróquia de Santa Cecília de Ocua. Ao Igreja Viva falaram do que os fez assumir o desafio de partir em missão.
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  © João Quesado | Braga

[Igreja Viva] O que vos fez ter vontade de partir em missão?

[Pe. Daniel Pereira] Dar um ano da minha vida, mesmo. Já há muito tempo que queria fazer uma experiência missionária. Como padres diocesanos, estamos mais ligados às paróquias, por isso era um objectivo assim mais longínquo. A partir do momento em que foi assinado este protocolo com a diocese de Pemba, voltou esse bichinho a ressurgir e depois com o contacto quer com alguns missionários, quer depois com toda a equipa, fez-me avançar.

[Igreja Viva] Então sempre foi uma vontade que teve?

[Pe. Daniel Pereira] Sim, sim.

[Igreja Viva] E a Andreia?

[Andreia Araújo] Eu também sempre tive a vontade de ir para fora e de dedicar a minha vida a algo maior. Tenho missionários na família, portanto sempre tive um bocadinho o exemplo e sempre soube que um dia iria querer ir em missão, durante um ano, pelo menos. A nível pessoal, chegou a altura agora e encontrei aqui o Centro Missionário, a formação e pronto, alinhou-se tudo.

[Igreja Viva] Então o ponto de partida foi conhecer o Centro Missionário?

[Andreia Araújo] Sim, eu andava à procura de um projecto, queria fazer voluntariado lá fora. Também estou bastante ligada à minha paróquia, sou escuteira e também faço voluntariado noutros sítios. Tive conhecimento do Centro Missionário e vim ter a formação. Foi assim.

[Igreja Viva] Então é a primeira vez que faz missão?

[Andreia Araújo] Sim.

[Igreja Viva] Que também é o caso do Pe. Daniel?

[Pe. Daniel Pereira] Sim.

[Igreja Viva] No caso da Andreia, sendo leiga, o que estava a fazer antes? Já trabalhava, ainda estudava...?

[Andreia Araújo] Sim, estava a trabalhar na minha área, sou técnica de anatomia patológica. Proporcionou-se a oportunidade e decidi seguir perseguir este objectivo da minha vida.

[Igreja Viva] Continuando no seu caso em especial, para ir em missão, sai do mundo laboral, deixa aqui a família e os amigos por um período alargado de tempo... Isto não é fácil de fazer e afasta muitos de fazer missão. Como lida com essa ideia, esse desafio de passar um ano longe?

[Andreia Araújo] Uma pergunta difícil... Eu lido bem, porque sempre tive esta vontade. Para mim é um sonho que se está a concretizar. Essa parte é uma das partes mais difíceis, deixar as pessoas cá, a família e os amigos, mas acho que faz tudo parte. Nem tudo é 100% positivo e então acho que esta é uma das partes que uma pessoa tem que saber lidar. Faz parte. Temos que ter coragem de deixar as coisas para trás.

[Igreja Viva] É isso que faz passar da vontade de fazer missão para efectivamente ser missionário fora de Portugal e da Europa?

[Pe. Daniel Pereira] Eu acho que é... O que eu tenho dito às comunidades que deixei é que me sinto chamado a isso. E vamos lá. Vou de coração aberto, sem pensar em muitas coisas, nem doenças, nem as condições em que vamos estar... Vou mesmo de coração aberto. Pode soar um bocadinho a irresponsabilidade, ou inconsciência, mas eu não vejo nesse aspecto. Vou mesmo de coração aberto porque tenho consciência que vou receber muito mais do que dar. Por isso creio que não vale a pena também andar aí a pensar e a cismar nessas coisas das doenças, se há ou não há rede, se... Enfim. Quando chegarmos lá vemos a realidade que temos que enfrentar e se os outros conseguiram, então nós também havemos de conseguir. Ou nos adaptamos mais rápido ou menos rápido. Depois, neste caso somos dois, e nós vamos juntar-nos ao Rui e à Susana, que já estiveram lá o ano passado. Ou seja...

[Andreia Araújo] Vai ser bom para nós.

[Pe. Daniel Pereira] Eu fiquei muito contente porque é sempre bom saber que há alguém que anda connosco, todos os dias, e que já conhece os meandros da missão.

[Andreia Araújo] Acho que é um arriscar com responsabilidade. Nós temos noção das coisas, sabemos que há doenças, sabemos que há dificuldades, sabemos que vamos passar algumas dificuldades, mas eu acho que isso faz tudo parte. As pessoas perguntam se não estou com medo de ir, de ficar doente... Medo não tenho, eu sei que vai acontecer eventualmente. Mas eu não vou estar a pensar nisso porque se não não vou. Então é um pouco como o padre Daniel estava a dizer, coloca-se isso de lado, nós temos noção que isso é possível, que isso pode acontecer, mas pronto, vai fazer parte do percurso e não vale a pena estar a pensar muito nessas coisas.

[Pe. Daniel Pereira] E para fazer face a essas dificuldades – porque também estamos conscientes que vamos encontrar dificuldades, nem que sejam dificuldades pessoais...

[Andreia Araújo] Mesmo de adaptação e até entre nós, porque nós os quatro vamos conviver durante 24 horas...

[Pe. Daniel Pereira] Eu acho que não tendo o apoio externo de uma família, na retaguarda, como aqui estávamos habituados, temos o apoio da Diocese de Pemba, da Arquidiocese de Braga, da equipa missionária, do CMAB e até entre nós. Se calhar, no início – sem pôr de parte o que temos que fazer e o objectivo que nos leva em missão –, é importante podermos estar à vontade uns com outros, até porque precisamos disso. É importante nós partilharmos, por exemplo, qualquer sintoma que possamos ter para estarmos alertas um ao outro e poder ajudar. Porque se ficarmos fechados em nós, acho que será muito mais difícil. Por isso acho que, no início é também conhecermo-nos. Uma coisa é conhecer da formação e dos encontros pontuais que possamos ter, outra coisa é saber que vamos estar juntos um ano, mas outra coisa será conhecermo-nos entre nós e adaptarmo-nos um ao outro para que isto corra da melhor forma.

Nós temos noção das coisas, sabemos que há doenças, sabemos que vamos passar algumas dificuldades, mas eu acho que isso faz tudo parte. As pessoas perguntam se não estou com medo de ir, de ficar doente... Medo não tenho, eu sei que vai acontecer eventualmente.

[Igreja Viva] No ano passado, o Rui e a Susana [equipa missionária enviada em 2018] falaram em "pôr de lado" as saudades da família para se concentrarem no projecto, não indo, por exemplo, de propósito ao local onde havia internet só para falar com a família. Como é que acham que vão lidar com isso? Tanto um como o outro...

[Pe. Daniel Pereira] Eu acho que vai ser uma coisa natural. A saudade vai existir. Mas eu não vejo o contacto, quer com a família, quer com os amigos, como uma agravante da saudade. Talvez até sirva como apoio. Até porque há muita gente, nas paróquias que deixei, que está sedenta, digamos assim, que eu esteja lá para saber o que é que pode fazer para ajudar. Ou seja, além de, de facto, matar saudade pelo Skype ou por qualquer rede social, também é uma forma de divulgar o trabalho que estamos a fazer, a desenvolver, a forma como o estamos a viver... Porque isto gera curiosidade, também. Pelo menos da minha parte, até nas minhas comunidades que deixei agora, gerava muita curiosidade como é que são as coisas. Por isso acho que... Para mim, creio que cortar não será de todo benéfico. Até por causa dos pais. Os pais têm uma preocupação natural. Embora não haja dia marcado nem hora marcada, pelo menos para eles saberem que estamos bem, que tudo está a correr bem... Agora, de resto, creio que é uma forma de divulgar e de atrair outros a fazer esta experiência missionária.

[Andreia Araújo] Eu acho que também vou ter que manter o contacto mínimo, porque se não a minha família aqui... Eles precisam de ter o mínimo de informação. Já foi difícil aceitarem! (risos) Acho que o contacto não me vai fazer sentir mal, antes pelo contrário. Acho que também vou precisar desse contacto.

[Pe. Daniel Pereira] Agora, pelo menos falando por mim, se eu vou viver em função do local onde vai haver rede, isso não.

[Andreia Araújo] Sim, isso não.

[Pe. Daniel Pereira] Até por isso mesmo eu tenho dito que quando tiver rede, há possibilidade. Não há rede, ok, tudo bem.

[Andreia Araújo] Exactamente. Também tenho dito isso às pessoas, que quando eu tiver rede, em alguma altura, eu dou notícias. Vai ser assim, acho que vai ser uma coisa natural. Quando tiver que ser, será.

[Igreja Viva] A Andreia disse que a família teve alguma dificuldade em aceitar. Mas já houve missionários na família, certo?

[Andreia Araújo] Sim, sim, há. E talvez por isso é que houve dificuldade em aceitar, porque os missionários que foram demoraram muitos anos a voltar. Acho que é por aí. E também porque eles sempre souberam que eu gostava de fazer voluntariado fora, e tudo mais, mas nunca pensaram que eu tomaria a decisão de estar um ano inteiro sem vir cá, e acho que isso foi um bocadinho mais complicado de perceber. Mas já estão habituados.

[Igreja Viva] No caso do padre Daniel, já deixou as paróquias e vai para um ambiente bastante diferente do nosso aqui na Arquidiocese, falando em termos pastorais. Como é que vai fazer a transição entre as duas realidades?

[Pe. Daniel Pereira] É algo que me seduz. Dá-me uma motivação muito maior que me seduz a fazer esta experiência missionária. Porquê? Para experimentar e viver outra forma de ser Igreja. Acho que, nomeadamente em relação em Moçambique, falamos sempre em país em desenvolvimento – mas creio que em termos pastorais, em termos de ser Igreja, talvez sejam mais desenvolvidos do que nós. Porque não dependem de um sacerdote. Há comunidades que não vêem um padre há seis ou sete anos. Ou seja, é também isto que me seduz. Viver e experimentar outra forma de ser Igreja.

[Igreja Viva] O que é que esperam encontrar por lá? As condições, à partida, serão muito diferentes...

[Pe. Daniel Pereira] Curiosamente acho que nós nem sabemos muito bem!

[Andreia Araújo] É, não sabemos muito bem... Mas, sobre a maneira diferente de viver Igreja, acho que sim... Pelo menos pela formação que tivemos entendemos isso. Há depois questões culturais e tudo o mais completamente diferentes das nossas, outra maneira de enfrentar a vida e de viver a vida, de ser feliz. Acho que isso foi o que mais se salientou da formação. Agora, de resto, vamos ver. É surpresa! (risos)

[Pe. Daniel Pereira] Eu acho que a nível pessoal será sobretudo ver o essencial e o que é supérfluo. Ou seja, é um desafio também pessoal no sentido de dar mais valor a determinadas coisas e a determinadas pessoas... Porque aqui não temos essa noção, estamos sempre insatisfeitos e qualquer coisa põe as pessoas a subir paredes... E se calhar lá, talvez também pela necessidade e pela realidade em si... Não quer dizer que nós aqui também não saibamos ver o que é que é essencial e o que é supérfluo, mas lá isso é muito mais evidente, e por isso também vai ser uma aprendizagem.

Entrevista publicada no Suplemento Igreja Viva de 19 de setembro de 2019.

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