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CMAB | Pemba| 7 Nov 2019
Desfazer as malas…
Pe. Daniel e mana Andreia, membros da Equipa Missionária Salama! 2019-20
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Na nossa bagagem trouxemos a nossa família, os amigos, apreensões, dúvidas e algumas expectativas, mas sobretudo ânimo, vontade e um coração aberto.

Chegou a altura de desfazer as malas e eis que nos deparámos com uma realidade totalmente diferente daquela que imaginávamos. O nosso olhar espanta-se com a cor tijolo da terra batida que contrasta com os poucos apontamentos de verde que se espalham pela imensidão do horizonte. Respirar o ar quente e tórrido obriga-nos a abrandar o acostumado ritmo frenético europeu e leva-nos a consumir muita água, apesar de quente. O nosso coração espanta-se com o acolhimento genuíno de cada pessoa que fomos encontrando e com o calor humano que é transmitido de aperto de mão em aperto de mão.

Contudo, não nos deixemos iludir pensando que tudo é fácil. O impacto é brutal. Quem chega pela primeira vez à missão de Ocua depara-se com um isolamento físico e humano. Há falta de condições básicas que são gritantes – obviamente este é um olhar europeu – como a eletricidade e a água canalizada e potável. Nas traseiras da casa da missão avista-se uma parte da aldeia de Mahipa, casas feitas de pedras e matope (mistura entre água e a terra) que seca e dá forma à casa, com telhados feitos de capim (palha).

Para além deste olhar exterior, há que cuidar do interior. Vemo-nos na obrigação de parar, literalmente, aprendendo a não fazer nada. Isto porque o ritmo do dia-a-dia é verdadeiramente diferente: amanhece muito cedo, por volta das 4 horas (2 horas em Portugal) e anoitece por volta das 17 horas (15 horas em Portugal), fazendo com que o horário de levantar e deitar seja muito diferente do que estávamos habituados, em Portugal. Como acordamos muito cedo, a manhã é a parte maior do dia, permitindo-nos realizar a maioria das tarefas. Em contraposição, anoitecendo já não saímos muito de casa e como não nos deitamos logo, acabamos por ter horas livres que nos proporcionam algum incómodo, nesta fase de adaptação. A nossa resiliência é posta à prova, mas logo somos arrebatados pelo sorriso de uma criança que passa e o nosso coração derrete.

A fase de adaptação é difícil…não temos dúvidas, começando pelo obstáculo que é não sabermos ainda falar a língua Macua. Porém, tudo é relativizado quando estamos efetivamente com as pessoas da comunidade. A Eucaristia de acolhimento foi deveras um momento marcante, não só devido ao ritmo, músicas e danças, que são novidade para nós, mas ainda mais pela alegria que a comunidade demonstrou em estar reunida para celebrar a mesma fé. Afinal, somos todos filhos de Deus e como tal fomos recebidos como irmãos.

Damos graças a Deus pela oportunidade de podermos cá estar, vivendo e sendo Igreja de outra forma. O lema “Tudo, todos e sempre em Missão” ganha cada vez mais vida em nós!

Artigo publicado no Suplemento Igreja Viva de 07 de novembro de 2019.

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