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CMAB | Braga| 9 Jan 2020
Diálogo Inter-religioso: a beleza do encontro
Pe. Adelino Ascenso, superior geral da Sociedade Missionária da Boa Nova
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Vivo na Freguesia de Arroios, Lisboa, um bairro de caleidoscópica diversidade cultural: o número de nacionalidades diferentes dos residentes chega às várias dezenas e os turistas compõem uma outra significativa parcela da população que constitui o rio colorido de gente com quem nos cruzamos na rua. Sem dúvida que se trata de um desafio premente e constante, uma vez que sentimos fugir-nos o chão em que fomos alicerçando as nossas convicções e seguranças. Requer-se uma ousada abertura de horizontes e uma vigilância prudente às tendências de rigidez que nos podem assaltar a qualquer momento. O diálogo intercultural e inter-religioso é um elemento constitutivo da nossa identidade de cristãos, uma vez que os terrenos que pisamos já não são de uma cristandade assumida, mas sim de desconcertantes realidades desconhecidas e eventualmente inóspitas, que nos forçam a aprofundar as próprias convicções, ensopando-as em escuta séria e silente daquele que pensa, age e crê de modo diferente.

Mas qual será, no fundo, a finalidade do diálogo intercultural e inter-religioso? Quando estava em Osaka (Japão), tinha a meu cargo algumas atividades neste setor. Um dia, estava num fórum anual, organizado principalmente por uma escola budista, no qual eu participava como representante da Igreja Católica. Os restantes membros do painel eram dois monges budistas e dois especialistas em história das religiões. A assembleia era constituída por cerca de 80% de monges budistas. Os restantes cerca de 20% da assembleia eram leigos budistas e alguns fiéis das paróquias onde eu trabalhava. A dado momento, fui interpelado pelo chefe supremo da escola do budismo exotérico no Japão, o Rev. Matsunaga Y?kei, que era, também ele, um dos intervenientes no painel: «Padre, como missionário, certamente está no Japão para converter os japoneses, não é verdade?» Surpreendido com a acutilância da pergunta, respondi que não estava no Japão para converter, mas sim para acompanhar. E acrescentei que se aquele nosso diálogo contribuísse para que cada um de nós aprofundasse mais a sua própria fé, então estaríamos a realizar a finalidade principal do nosso diálogo.

Sim, escutar, aprender, acompanhar, estar com…, e voltar a escutar. Isto deve ser a nossa função essencial. No diálogo inter-religioso, reconhecemos as diferenças que existem entre nós (por exemplo, cristãos e budistas), reafirmamos o nosso credo e respeitamos o crer do outro. O diálogo existe, não tanto em virtude das nossas semelhanças, mas sim por causa das nossas diferenças. É aqui que somos mais desafiados, mas também onde mais nos enriquecemos. No nosso exercício de escuta, seja no diálogo da partilha de alegrias e tristezas, de colaboração em vista ao desenvolvimento integral e à libertação dos povos, de intercâmbios teológicos ou de experiências religiosas concretas (cf. Diálogo e Anúncio, 42), existirão momentos de treva, de dúvida, talvez mesmo de quase desespero. O diálogo não é um caminho linear. Mas não serão precisamente as vias árduas que nos estimulam à beleza do encontro?

Artigo publicado no Suplemento Igreja Viva de 09 de janeiro de 2020.

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