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CMAB | Braga| 5 Mar 2020
Os Lugares e as Mulheres
Salomé Peixoto, família espiritana
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Cada mês com sua efeméride, em março antes da masculina, que celebra os pais, vem a feminina, com festas onde muitas vezes a atração é mesmo um ele, cantor da moda. Ironia, negativismo, elogio, tudo formas possíveis de abordar o mesmo assunto. Assunto delas, ou nem tanto.

O mais fácil será falar da África lá longe, que é mulher e onde há muito que a esperança é feminina, depois de vidas desgraçadas na vontade dos homens. Elas são garante de dignidade, força maior que qualquer miséria que assole todo um continente, e continuam, perseverantes, autênticas.

Esse é o caminho poético de quem se vê agora no sofá e a ocidente, mas não corresponde à realidade dos dias que correm entre transportes públicos, reuniões de trabalho, supermercado, igreja, redes sociais. Nesses locais cruzam-se todas as mulheres, olham-se, julgam-se, apreciam-se, sorriem e ignoram. Escondem medos e decidem apresentar-se de cabeça erguida. E quando estes lugares se encontram ouço o que esperava não ser já possível: no último ano, a cada mês, cinco mulheres foram agredidas ao ponto de poderem morrer, e acabando três em cada cinco dessas mulheres por não resistir, morrem.

Morrem mulheres vitimas de violência, em Portugal, hoje. Não é do outro lado do mundo e nem se podem culpar costumes estranhos, problemas civilizacionais vários, é connosco, é próximo e bem pequeno, do tamanho da mesquinhez com que ignoramos os abusos no dia a dia. Porque é normal que se paternalize, que se corrija porque é mulher e há certos assuntos que não domina, e muito menos pode ser merecedora de ocupar certo cargo de responsabilidade, coisas para homens. Depois há ainda os assédios e os grandes casos mundiais ou na empresa de onde vêm as mulheres que se agitam entre transportes públicos, reuniões de trabalho, supermercado, igreja, redes sociais, escola, centro de saúde, cozinha, comissões, voluntariado, juntas de freguesia.

Um desses espaços tem uma geografia maior, perco-me nas redes e encontro um dos youtubers mais influentes de Portugal, dizem os rankings, daqueles que são inspiração para crianças e novos adultos, ao lado tem a ex-namorada chorosa, ele feliz. A relação sempre foi motivo de conteúdos, o final não poderia ser diferente, tudo pelos seguidores.

Os dias correm entre escândalos mais ou menos mediáticos, entre o local e o global, os feminismos sobressaem e o pior dos extremismos que trazem consigo também. Sigo a sonhar com um dia em que sejam ultrapassados, eles, os feminismos e as quotas também. Se me permitem, que a educação deixe de ser para o menino e para a menina. Seja para a vida, que se faça a vida de igualdades a começar logo dentro das nossas cabeças. Um bem-haja ao bom senso, tão trabalhoso! Bem de primeira necessidade, em todo o mundo, que nessas necessidades somos todos tão parecidos.

Artigo publicado no Suplemento Igreja Viva de 05 de março de 2020.

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