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4 Mar 2019
Nova Ágora, desafios à sociedade
Discurso na Conferência de Imprensa da Nova Ágora
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  © Avelino Lima | Espaço Vita

Estamos a viver um Ano Missionário. Pretende-se que todos aceitem a responsabilidade de dar um rumo novo à História. Os grandes problemas são desafios a encarar com resiliência.

Para os católicos, a Quaresma é um momento de conversão onde se reconhece o mal que se faz mas também, e sobretudo, o bem que não se faz. Peca-se por obras e omissões. Nesta perspectiva, este tempo é um convite à reflexão para mudarmos comportamentos e atitudes. O Bispo, na sua missão de coordenar a diocese, deve pautar a sua vida pelo anúncio do Evangelho e pela Doutrina Social da Igreja. Fá-lo sempre.

Outrora, em Braga, mas em quase todas as Dioceses, promoviam-se as chamadas Conferências Quaresmais. Tratava-se de uma exposição, feita na Igreja Catedral, a Igreja mãe. Falava na qualidade de Arcebispo e algumas pessoas assistiam passivamente. Senti que era necessário alterar. Como sinal de uma Arquidiocese em saída, procurei outros púlpitos com outras temáticas e com outra metodologia. Queria privilegiar o diálogo e o confronto de ideias. Os animadores das sessões eram leigos, provenientes de diversos segmentos da sociedade, católicos ou não, mas sempre com competência específica em determinadas áreas.

Surgiu este novo rosto das tradicionais Conferências Quaresmais. Três oradores, temáticas da actualidade, a interpelar à reflexão e ao compromisso, e o diálogo como meio para estruturar convicções. Estamos, este ano, na quinta edição. São olhares que se pretende que não sejam de simples curiosidade intelectual mas que formulem a todos os participantes uma pergunta existencial. “E eu que poderei fazer nesta área ou perante este problema?”

Como habitualmente teremos 3 noites de reflexão. Nas quatro edições anteriores, tiveram lugar em Braga mas, este ano, serão deslocalizadas para dois novos lugares.
– 22 de Março no Paço dos Duques, em Guimarães;
– 29 de Março na Casa das Artes, em Vila Nova de Famalicão;
– 05 de Abril no Espaço Vita, em Braga;

Serão três temas candentes e de uma reconhecida actualidade. Sempre três convidados e um moderador.

 

Em Guimarães: Poder e corrupção

Somos invadidos todos os dias por notícias que a todos incomodam. Será possível erradicar este flagelo da sociedade actual? É preciso abordar o assunto. Criar mentalidade e sensibilidade para que não se caia na tentação e, pelo contrário, ter capacidade crítica de denúncia e para desmontar esquemas e ambições, para uma sociedade transparente. Interessa-nos o bem comum e não só de interesses pessoais, familiares, partidários ou de grupo. Numa interligação frequente com a corrupção, o poder, em qualquer lugar e circunstância, no mundo empresarial, associativo, político, eclesial, só deveria ter sentido numa opção coerente de serviço, de gratuidade intencional e de contentamento com aquilo que é justo e publicamente conhecido. Servir a todos, sem privilégios familiares ou de amizade, de grupo ou partido, com coragem de olhar, preferencialmente, para quem não é capaz de retribuir porque é descartado pela sociedade. Só os pobres merecem uma simpatia e atenção privilegiadas.

Para suscitar a reflexão e provocar o diálogo, três nomes que dispensam apresentações: Drª Joana Marques Vidal (personalidade incontornável nesta área), Dr. Luís Sousa e Dr. Paulo Morais. Com a moderação de Dr. António Mateus.


Em Famalicão: Populismos 

Realidade com raízes históricas mas de tremenda actualidade e a determinar orientações políticas em todos os quadrantes do mundo. Presenciamos uma grande heterogeneidade de populismos, em regimes democráticos e autoritários, de direita e de esquerda, religiosos e profanos, conservadores e progressistas, aliado a personalidades e/ou movimentos-partidos.

Para se impor, o líder procura estabelecer uma relação preferencialmente emocional com o povo que é aliciado por todos os meios, deixando-se levar por uma retórica nem sempre racional. Encontramo-lo em tantos lugares, com a consequência de colocar em perigo a democracia e de impedir o sadio pluralismo que permite que a sociedade cresça na lógica dos valores fundamentais que são camuflados para atrair.

Teremos connosco o Dr. Paulo Rangel, Dr. José Filipe Pinto e o Dr. Felipe Pathé Duarte com a moderação de Dr. Carlos Magno.


Em Braga: Migrações

O Papa Francisco, na mensagem para esta Quaresma, pede aos católicos que revejam a sua relação com a natureza. Diz a determinado momento: “trata-se daquele pecado que leva o homem a considerar-se como deus da criação, a sentir-se o seu senhor absoluto e a usá-la, não para o fim querido criador, mas para interesse próprio em detrimento das criaturas e dos outros”.

Todos sabemos que é verdade. A criação deveria oferecer a toda a Humanidade os bens essenciais para uma vida digna. A terra oferece tudo o que é necessário para todos. Factores diversificados e, particularmente, o egoísmo atroz concentra esses bens nas mãos de poucos e a maioria dos homens e das mulheres não possuem o indispensável. A opulência de alguns contrasta com a pobreza e miséria de muitos.

Como consequência, multidões procuram noutros lugares o que não encontram onde deveriam viver. Empreendem viagens de todos feitios, usam-se os meios modernos da mobilidade mas percorrem-se quilómetros a pé, sozinhos e com crianças recém-nascidas, procurando a segurança com a vontade de encontrar os mínimos para viver. Presenciamos cenas chocantes em todos os continentes. Os muros querem impedir a deslocação e os mares nem sempre permitem o acesso a terras de maiores potencialidades. Sofre-se imenso e morre-se ficando enterrados em mares.

Com esta mobilidade, consignada nas migrações, surgem muitos desafios. É necessário acolher em experiência de fraternidade universal proporcionando dignidade de vida a todos. Urge integrar em ambientes e culturas diferentes. Importa incluir nos processos de vida que aceitam a diversidade de culturas, credos, religiões como um enriquecimento e nunca como concorrência que pode retirar. O mundo moderno deveria ser este colorido a testemunhar que todos os homens e mulheres nasceram iguais para juntos serem felizes numa intercomunhão de vidas.

Serão oradores: Dr. António Vitorino, Dr. José Luís Carneiro, Dr. Pedro Calado. A moderação está confiada à Dr. Ana Paula Marques.

Nestes três encontros, a esperança deve estar presente. Nada está perdido! É grande a responsabilidade de todos. A sociedade nova nasce de cada um.

Importa ser capaz de ver a corrupção, os populismos e as migrações como desafios confiados a todos. Será pouco o que as pessoas poderão fazer? As revoluções fizeram-se com os pequenos gestos de muitos. Este é o grande objectivo da Nova Ágora: acreditar que é possível um mundo novo e melhor, que os cristãos têm aí um papel insubstituível e que a esperança ressuscitará se a semearmos no coração de tantos problemas.

† Jorge Ortiga, Arcebispo Primaz

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