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20 Abr 2020
Segunda-feira da II Semana da Páscoa
Homilia no Paço Arquiepiscopal
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Neste tempo pascal, continuamos a olhar para o testemunho de vida da primeira comunidade Jerusalém. São muitas as lições a tirar. Não a podemos colocar num tempo histórico particular e com características duma época. Nela encontramos variadíssimos pormenores que devemos acolher para o nosso viver como cristãos.

Hoje quero olhar para a simpatia que os primeiros cristãos gozavam em confronto com as multidões que não os compreendiam e até perseguiam. Os outros não entendiam mas ficavam admirados. E é neste ambiente de testemunho que verificamos que a vida das comunidades estava marcada pela alegria. Quase que eram possuídos por ela. Sofriam mas mostravam sempre felicidade e serenidade. Não era algo artificial ou fruto de alguma circunstância. Nascia de dentro e muitos se convertiam não só pelas palavras anunciadas mas pelo testemunho que a comunidade dava.

Na primeira leitura, encontramos Pedro e João que, depois de terem estado presos, se reúnem com a comunidade e juntos fazem uma oração invocando a Deus numa só alma. Aí pedem que, mesmo com todas as ameaças e perseguições, tivessem a serenidade e a alegria para continuarem a anunciar a Palavra. A oração trazia a certeza de um testemunho sofrido mas alegre.

Hoje, na Arquidiocese de Braga, celebramos a memória de Nossa Senhora da Alegria. É uma invocação usada somente na nossa diocese. É maravilhoso olhar para Maria como a mulher alegre que nos concede alegria. Mostra como o cristianismo não pode ser de tristezas. Na confiança em Deus encontramos a obrigação de uma vida repleta de alegria. Como todos, teremos problemas e contrariedades, mas nascemos para ser felizes e mostrar alegria mesmo nos momentos de sofrimento.

Quando pensamos na alegria, devemos saber, antes de tudo, que ela é um fruto do Espírito Santo. S. Paulo diz: “O fruto do Espirito é amor, alegria, paz, paciência, bondade, benevolência, fé, mansidão e domínio de si” (Gal 5,22). Como fruto do Espírito, deve ser invocada e trabalhada. Há quem imagine a alegria aliada à posse de coisas. Ela não está fora de nós. Acontece no nosso íntimo através de uma vida que se aceita como é, nunca procurando para além das nossas possibilidades. É no íntimo que nasce a serenidade mesmo perante muitas contradições. 

Nem tudo se compreende. Há sempre algo que nunca seremos capazes de entender. Quando nos sentimos em Deus, a alegria acompanha-nos mesmo pelos caminhos mais tortuosos que tenhamos necessidade de percorrer. Importa, por isso, ser capaz de aceitar tudo o que bate à nossa porta. Hoje não entendemos. Amanhã a luz surgirá. Por vezes lamentamo-nos por tudo e por nada. Não conseguimos transformar as contrariedades numa oportunidade para aceitar a vida como ela é. Trata-se de uma alquimia divina. Quando estamos em Deus e acolhemos tudo o que acontece em cada momento e nos mostramos disponíveis para ir amando quem está em necessidade, as consequências não se fazem esperar. Tudo se transforma. Concentramo-nos demasiado em nós. Teremos de descentralizar e colocar os outros na nossa vida para lhes dedicar tudo o que temos e somos. Ser feliz nem sempre coincide com os momentos de alegria. Consiste em ter a coragem de serenamente enfrentar todos os momentos de tristeza como algo de natural e a ultrapassar. Pode não aparecer quando queremos. Por vezes temos de saber esperar. Só a constância e perseverança interior nos oferece a verdadeira alegria.

É por isso que a alegria de ir fazendo o bem é a única felicidade verdadeira. Não há alegria maior do que aquela que experimentamos quando oferecemos alegria aos outros. Daí que a nossa verdadeira realização deveria consistir em deixar sinais de alegria por onde passamos. Recordo um pensamento de S. Teresa de Calcutá. “A todos os que sofrem e estão sós, dai sempre um sorriso de alegria. Não lhes proporcioneis apenas os vossos cuidados, mas também o vosso coração”. Sim é verdade. A alegria encontra-se depois de ter semeado muito amor e dedicação. Não é algo que se compra. Conquista-se na teimosia de viver fora de nós para servir desinteressadamente.

Penso que hoje, mais do que nunca, devíamos estar convencidos de que a divisa do cristão deve ser a alegria. Rostos tristes não convencem ninguém. Devemos, por isso, ser sempre positivos e ir compartilhando coisas boas. Semeando alegria nos outros encontramos a alegria.

Que nossa Senhora da Alegria nos faça compreender onde se encontra a verdadeira alegria. Mergulhemos na fonte. Como os primeiros cristãos, impressionemos os outros pela confiança que depositamos em Deus. Como Jesus nos disse: “Há mais alegria em dar do que em receber”. Façamos a experiência. Quanto mais nos dermos, mais alegria sentiremos.

 

† Jorge Ortiga, Arcebispo Primaz

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