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1 Mai 2020
Sexta-feira da III Semana da Páscoa
Homilia no Paço Arquiepiscopal
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A primeira leitura que acabámos de ouvir apresenta-nos um pormenor muito significativo da vida da comunidade de Jerusalém. Enquanto S. Paulo ia perseguindo os católicos, Cristo entrou na sua vida provocando o que chamamos a sua “conversão”. Realidade miraculosa mas orientada para a missão. Tinha sido escolhido por Deus para levar os gentíos ao conhecimento do seu nome. Ficou três dias sem ver, sem comer nem beber. Por intermédio de Ananias recuperou a vista, retemperou as forças, passou alguns dias com os discípulos para se aperceber da mensagem e logo começou a proclamar nas sinagogas que Jesus era o Filho de Deus. De perseguidor, Paulo tornou-se evangelizador. Edificou comunidades em variadíssimos lugares, acolhendo a todos mas sobretudo aos pagãos.

Este facto particular recorda-nos que o caminho da fé estará sempre marcado pela exigência da conversão. Para alguns, esta conversão consiste na passagem de uma vida não cristã para um vida cristã. Sempre na história da Igreja estas conversões foram acontecendo. Hoje também hoje. Se outrora todos eram baptizados em criança, agora já não está a acontecer assim. São muitos os adultos que voluntariamente optam por Cristo, iniciando um processo de catecumenado rumo à celebração do baptismo. Demos graças a Deus. 

Para a generalidade dos cristãos, a conversão terá de acontecer como a vontade de ir progredindo no conhecimento e intimidade com Cristo. É trabalho para todos e para todos os dias. O Santo Padre interpelava os cristãos a não terem medo de apontar mais alto, deixando-se amar e libertar por Deus. A vida não pode ser sempre igual e sujeita às mesmas rotinas e monotonias. Importa aperfeiçoar-se e trabalhar para ir mudando e aperfeiçoando o modo de viver. É uma sadia insatisfação, uma atenção permanente àquilo que Deus vai sugerindo. Tudo na vida é importante mas o que verdadeiramente interessa é o momento presente a viver com redobrada atenção. 

Nunca podemos prender-nos ao passado ou viver preocupados por aquilo que poderá acontecer no futuro. Deus espera uma resposta muito concreta em cada momento. Quando isto acontece, sabemos o que devemos mudar ou aperfeiçoar. Não se trata de viver angustiado ou melancólico por aquilo que somos. Sentimos alegria pela vida que vamos levando mas vemos que Deus nos quer levar mais longe em todos os aspectos. Os primeiros cristãos viviam nesta dinâmica. Tertuliano sintetizava esta ideia dizendo que o cristão não nasce, faz-se. Este ir-se fazendo todos os momentos é uma autêntica aventura que, uma vez interpretada, nunca mais deixamos de a querer viver.

Trata-se de viver com um projecto, com uma vocação, e sabemos que Deus vai chamando a todos para a santidade e não para a superficialidade ou mediocridade, para os dias sempre iguais. Ter consciência de que Deus quer concretizar uma história de santidade em cada um é essencial para quem aposta na autenticidade de uma vida cristã. Se a ideia da vocação é para todos, os casais não podem deixar de equacionar esta obrigação. Casar não é apenas para viver numa convivência a dois com sonhos de vida material de bem-estar e desejos de felicidade que depois se alargam aos filhos.

Quando o casamento acontece, deveria existir esta consciência de uma vocação que se assume, sabendo que Deus vai chamando permanentemente e que importa ir respondendo, momento após momento, para que a felicidade seja verdadeira. Rezemos hoje para que muitos casais sejam capazes de assumir a sua vida matrimonial neste perspectiva. Àqueles que me ouvem, peço que repensem a sua vida e a reestruturem. Dou graças a Deus por um grande número que já pensa deste modo e quotidianamente vai crescendo neste projecto de santidade dentro do matrimónio. Muitos deles dão este testemunho e querem caminhar juntamente com outros. Há muitas equipas de casais onde, em comum, se cresce na vocação matrimonial. Não será que muitos outros poderiam fazer idêntica experiência? Acreditem que vale a pena.

Neste dia em que celebramos S. José Operário, não podemos deixar de alargar o nosso discurso a todo o mundo operário. O trabalho é também lugar de santificação e não um simples meio de subsistência. Quando muitos pensam nas reivindicações, que até poderão ser justas, nós acrescentamos este apelo a que Deus esteja presente no mundo do trabalho. Como o viveria S. José? Como terá vivido Cristo? Também aqui o Evangelho deve chegar.

Fiquemos com a ideia da urgência da conversão. Caminhemos quotidianamente procurando uma vida de maior autenticidade e verdade.

  

† Jorge Ortiga, Arcebispo Primaz

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