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14 Jan 2018
Discernir para a esperança
Discurso na festa das famílias do Seminário Arquidiocesano de Braga
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  © Rita Cunha | Seminário Conciliar

Nesta festa natalícia das famílias dos seminaristas, é importante aproveitar o momento para interiorizar algumas ideias que a Ratio Fundamentalis sugere e que devem estar sempre presentes na caminhada rumo ao sacerdócio. A convicção fundamental é que o discernimento vocacional compete a diversos intervenientes, dos quais a família é um agente indispensável. Certos deste caminho, sentimos a necessidade de estimular, revigorar e agradecer às famílias pelo seu permanente contributo. Não se trata apenas de uma responsabilidade de ordem económica, que certamente exige sacrifícios e renúncias, mas de um envolvimento que, sendo gratificante, as compromete a vários níveis desde a oração ao aconselhamento.

Sintetizo algumas ideias da Ratio que nos interpelam em ordem à comum responsabilidade.

1. A família contribui “para apoiar e fomentar em modo significativo a vocação de quantos são chamados ao sacerdócio”. Apoiar significa estar presente; fomentar é sinónimo de proximidade nos momentos difíceis, particularmente na hora das interrogações e perplexidades;

2. Este apoio e fomento manifesta-se no período da formação mas deve continuar “ao longo da vida do presbítero”. A família será sempre um oásis na caminhada e as mãos que criam cumplicidade para uma feliz experiência de vida. Como é importante saber que existem braços que acolhem, curam e nos amparam em todas as circunstâncias.

3. Os familiares são, portanto, “fundamentais para fortificar a autoestima sadia dos seminaristas”. Mais do que nunca o sacerdote deve testemunhar a felicidade de ter acolhido o dom que Deus lhe concedeu. A tentação do egocentrismo apenas se vence na abertura aos outros e na entrega incondicional ao Reino de Deus e isto numa grande alegria por aquilo que Deus nos concede.

4. Porque é insubstituível, a família deve “acompanhar todo o processo do seminário e do sacerdócio”, ajudando a “revigorá-lo de uma forma objetiva”. É importante a sua força e entusiasmo através de gestos e atenções. O sacerdote surgirá, deste modo, na Igreja com grande disponibilidade para servir, sem nada pretender em troca, sabendo que Deus nunca se deixa vencer em generosidade. Dar a Deus e à Igreja não é perder mas ganhar o cêntuplo.

5. Nesta tarefa de acompanhar e apoiar durante toda a vida, há sempre um alerta a ter em consideração. “O processo educativo, como foi dito envolve a equipa formadora e a família, deve «educar, desde o início» para uma «liberdade interior que permite uma justa autonomia no exercício do ministério e um sadio distanciamento em face de eventuais expectativas da respetiva família, na medida em que a chamada do mestre exige «lançar mão do arado, sem olhar para trás». O sacerdote nunca se ordena em função da família. Está para além dela e os seus interesses são os do Reino de Deus. Amado e estimado pela família, e dedicando-lhe um amor concreto e constante, lança-se ao serviço da Igreja de um modo desprendido pois em certo sentido deixou de «pertencer a si e aos seus para pertencer a Deus». Isto é o cúmulo da alegria”.

Resumindo, a família deve ser exímia no “apoiar e fomentar”, assim como “fortificar a autoestima e revigorar toda a vida” do futuro sacerdote para que ele tenha sempre felicidade em dar-se ao mundo como sacramento de Cristo para a edificação da Igreja.

Despertar esperança nos jovens

Este ano vai, como sabeis, realizar-se em Roma um novo sínodo dos Bispos que terá como tema “Os jovens, a fé e o discernimento vocacional”. Na Carta aos Jovens, que acompanha o documento preparatório, o Papa afirma “Quero que vocês (os jovens) sejam o centro das atenções, porque estão no meu coração”.

– Por outro lado, despertar esperança nos jovens, através de uma pastoral juvenil e vocacional renovadas (acompanhando tudo o que o Sínodo dos bispos vai propondo é desafio do nosso programa pastoral).

– O Santo Padre quer uma Igreja a pensar nos jovens (quero que sejam o centro das atenções). A Arquidiocese pretende também despertar a esperança nos jovens não apenas através de iniciativas esporádicas mas através de um itinerário abrangente que dê qualidade à sua vida. Neste sentido é importante acompanhar e acolher as sugestões que o Sínodo proporá.

– Importa que a Igreja Arquidiocesana, vivendo desde já o Sínodo, assuma dinamismos concretos na linha da fé a comunicar à pastoral juvenil e na linha do discernimento vocacional. Parecem, à partida, dois mundos distintos mas são realidades que apenas se compreendem numa lógica de integração. A pastoral juvenil é, por natureza, vocacional.

– O Secretariado Geral do Sínodo lançou, há pouco tempo, um inquérito preliminar e preparatório. Com este Instrumento, a Igreja quis colocar-se numa atitude de permanente escuta dos jovens. Ouvindo os jovens, dispõe-se a fazer caminho com eles e a comprometer-se com os seus tempos e anseios. Este é um Sínodo universal, ou seja, um caminho que une na reflexão o magistério da Igreja, especialistas e os próprios jovens.

– Vai realizar-se, neste sentido, em Março, um pré-Sínodo onde jovens representantes de todas as conferências episcopais, mas também jovens que se consideram não crentes, comunicarão as suas inquietações e o rumo das suas vidas. A Igreja ficará a conhecer o novo mundo juvenil em ordem a melhor se preparar e se comprometer com respostas adequadas.

O Santo Padre quer ouvir todos os jovens: os empenhados na vivência da fé, os comprometidos em movimentos eclesiais mas também aqueles que estão fora. Colocar-se em atitude sinodal, tanto na preparação como na concretização, é um passo essencial para assumir responsabilidades e oferecer esperança à juventude. Este ano pode ser entendido como uma espécie de “ano dos jovens” para uma nova dinamização da pastoral juvenil em chave vocacional. O Sínodo não deverá ser um acontecimento fugaz, com mais ou menos conhecimento por parte da sociedade, mas deveria tornar-se um compromisso sério para todos os agentes da pastoral e todos os cristãos em geral. Não há razões para que a Igreja tema os novos tempos e os desafios da vida real dos jovens. 

Situando-me no âmbito da Arquidiocese, gostaria de pedir ao Seminário que contribuísse para uma pastoral juvenil verdadeiramente vocacional. Os seminaristas, também eles jovens, devem oferecer-nos as suas esperanças para que consigamos discernir os caminhos que despoletam esperança. Convosco, e através de vós, gostaria que todas as paróquias aproveitassem este ano para ouvir a juventude e a colocassem no centro do seu agir pastoral. Ficaria extremamente grato às comunidades se elas acolhessem os jovens e lhes dessem a palavra, mesmo com as suas irreverências, para nos ajudarem a ver o mundo com olhos novos. Muitas vezes, os jovens apenas encontram um mundo de esquemas feitos, marcado pelo tradicionalismo e pela vontade de conservar as coisas como sempre foram. Através da escuta e do compromisso dos jovens, a realidade pode mudar.

Ao seminário às paróquias recordo o que o Papa Francisco escreveu: “A Igreja deseja colocar-se à escuta da vossa voz, da vossa sensibilidade, da vossa fé, até das vossas dúvidas e das vossas críticas. Fazei ouvir o vosso grito, deixai-o ressoar nas comunidades e fazei-o chegar aos pastores”. Também eu espero que os jovens, crentes e não crentes, ergam a sua voz e digam que modelo de Igreja pretendem para que ela seja sinal e instrumento de esperança para os jovens.

Repito, neste Natal das famílias, e no início de mais um ano civil, aponto como caminho pastoral a responsabilidade de acolher e dar voz aos jovens, estejam eles no seminário, propedêutico, pré-seminário ou nas paróquias. A esperança não pode esmorecer nos jovens e eles têm o direito de encontrar o seu lugar na Igreja e de perceber, com clareza, o que Deus deseja para as suas vidas, dando-lhe um sentido e felicidade.

† Jorge Ortiga, Arcebispo Primaz

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