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DACS com Vatican Insider | 12 Set 2016
A interpretação correcta da Exortação "Amoris Laetitia"
Papa Francisco voltou a pronunciar-se sobre o VIII capítulo da Exortação, agora a propósito de documento redigido pelos Bispos de Buenos Aires.
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Os Bispos da Arquidiocese de Buenos Aires elaboraram um documento – com o objectivo de ser distribuído pelos seus sacerdotes – sobre a integração dos divorciados recasados na Igreja. O Papa, depois de ler o documento, felicitou os Bispos, dizendo que o texto “é muito bom e explicita cabalmente o sentido do capítulo VIII da Exortação Amoris Laetitia”.

Depois das polémicas que envolveram o conteúdo do capítulo VII da AL, o Papa Francisco fez, pela primeira vez, um juízo muito claro e explícito sobre a correcta interpretação da exortação pós-sinodal sobre a família. Aquando da sua publicação, o documento papal teve diferentes leituras. Houve até quem dissesse que nada mudava em relação à disciplina anterior.

Francisco já tinha falado sobre o assunto durante o vôo de regresso da ilha de Lesbos, em Abril deste ano. Questionado sobre a existência de novas possibilidades concretas de acesso aos sacramentos que não existiam antes da publicação de AL, o Santo Padre respondeu de forma concisa. “Eu diria que sim. Mas seria uma resposta demasiado pequena. Encorajo-vos a ler a apresentação feita pelo Cardeal Schönborn, que é um grande teólogo”.

Agora, o Papa voltou a pronunciar-se, desta vez no âmbito do documento enviado ao clero de Buenos Aires no início de Setembro. Trata-se de uma carta que oferece aos presbíteros determinados critérios em relação ao oitavo capítulo da Exortação e, em particular, sobre o possível acesso aos sacramentos por parte dos divorciados que contraíram uma nova união.

Em primeiro lugar, o texto afirma que não se deve falar de “permissão” para aceder aos sacramentos, mas de um “processo de discernimento acompanhado por um pastor”. Trata-se de um caminho em que o pastor “deve enfatizar o anúncio fundamental, o kerygma, que estimula ou renova o encontro pessoal com Jesus Cristo vivo”. Este “acompanhamento pastoral” exige que o sacerdote mostre “o rosto materno da Igreja”, acolhendo e ouvindo o penitente com atenção, ao mesmo tempo que aceita a sua boa intenção e o propósito de colocar a vida inteira à luz do Evangelho. O itinerário não se encerra “necessariamente apenas nos sacramentos, mas pode olhar para outras formas de maior integração na vida da Igreja: a maior presença na comunidade, participação em grupos de oração ou reflexão, compromisso em diversos serviços eclesiais, etc.”.

“Quando as circunstâncias específicas de um casal tornarem isto possível, especialmente se ambos forem cristãos com uma jornada de fé, pode propor-se o compromisso de viver em continência”, deixando “aberta a capacidade de aceder ao sacramento da Reconciliação quando se falhar nesse propósito”, pode ler-se no documento.

Esta era, aliás, uma possibilidade que já se encontrava nos ensinamentos de João Paulo II. No parágrafo seguinte, os bispos explicam que, no caso de “outras circunstâncias mais complexas, e quando não podem obter uma declaração de nulidade, a opção mencionada pode não ser de facto viável. No entanto, é também possível um caminho de discernimento. Se se chega a reconhecer que, num caso particular, há limitações que diminuem a responsabilidade e culpa, particularmente quando uma pessoa considerar que cairia numa consequente falta prejudicial às crianças da nova união, Amoris Laetitia abre a possibilidade de acesso aos sacramentos da Reconciliação e da Eucaristia”.

“Estes, por sua vez podem fazer com que a pessoa continue a amadurecer e a crescer com o poder da graça. Mas há que evitar entender essa possibilidade como um acesso sem restrições aos sacramentos, ou sem qualquer situação o justificar. O que se propõe é um discernimento que distinga adequadamente cada caso. Por exemplo, requer especial cuidado «uma nova união que acontece depois de um divórcio recente» ou «a situação de alguém que tenha falhado repetidamente aos seus compromissos familiares». (…) Há que guiar a pessoa, de forma a que esta se coloque com a sua consciência diante de Deus, especialmente em relação ao comportamento “com os filhos ou com o cônjuge abandonado. Quando houve injustiças não resolvidas, o acesso aos sacramentos é particularmente ultrajante”, afirma a carta.

Os Bispos concluem o texto dizendo que “pode ser apropriado que um eventual acesso aos sacramentos se realize de um modo reservado, especialmente quando se prevêem situações de conflito”, mas que, ao mesmo tempo, “não há necessidade de parar de acompanhar a comunidade para que cresça num espírito de compreensão e aceitação”.

A 5 de Setembro chegou a resposta do Papa: o texto “é muito bom e explicita cabalmente o sentido do capítulo VIII da Exortação Amoris Laetitia. Não há outras interpretações. Estou certo de que fará [o texto] muito bem”. Em relação ao caminho de acolhimento, acompanhamento, discernimento e integração”, Francisco escreveu: “Sabemos que isto é cansativo, é uma pastoral «corpo a corpo», não satisfeita com mediações programáticas, organizacionais ou colectivas.”

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