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D. Jorge Ferreira da Costa Ortiga | 9 Mai 2004
Homilia da Bênção de Finalistas
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Uma análise sumária da sociedade portuguesa coloca-nos perante um cenário de perplexidade. Reconhecemos sinais de esperança e detectamos anormalidades sociais que impedem ou diminuem a felicidade de todos os cidadãos. Terminar um curso é sinónimo de atingir um sonho muito vivido e pensado. Simultaneamente, quando se entra no realismo da situação, significa, pelo menos em muitos casos, entrar numa espécie de roleta da sorte. Pode resultar, como pode significar um diploma arquivado para andar a saltitar à procura de oportunidades e ocasiões. Muitos de vós ireis deparar- -vos perante um túnel que se abrirá à luz, sabe Deus quando. É neste mixto de alegria interior, toldada pelas expectativas frustradas, que gostaria de augurar-vos um novo tempo onde raiasse um modelo de economia ao serviço de cada pessoa. Só uma cultura de solidariedade e cooperação – nacional e internacional – poderá abrir horizontes de esperança. O vosso futuro é europeu e mundial e para que esteja alicerçado em critérios portadores de verdadeira felicidade é necessário não ter medo de se integrar neste circuito mas dando-lhe aquela caracterização que a Comunidade Europeia, dum modo particular, deve possuir. Permiti que cite um texto do Papa João Paulo II: «A Europa de hoje é contemporaneamente unida e alargada. Ela soube abater os muros que a dividiam. Empenhou-se na elaboração e na construção duma realidade capaz de conjugar unidade e diversidade, soberania nacional e acção comum, progresso económico e justiça social. Esta Europa nova traz em si os valores que fecundaram, durante dois mil anos, uma arte de pensar e de viver de que o mundo inteiro beneficiou. Entre estes valores, o cristianismo ocupa um lugar privilegiado tendo dado origem a um humanismo que impregnou a sua história e as suas instituições» (13-1-03). Ninguém ignora a marca benéfica desta maneira de pensar e agir. Foi um fermento de humanismo que, no meio de erros e experiências negativas, gerou um mundo de progresso e solidariedade. Partindo desta matriz, que muitos pretendem ignorar, deveríamos possuir a ousadia de criar novos céus e novas terras, de suscitar um novo tipo de cidade que sendo «morada de Deus» é casa dum verdadeiro humanismo onde as lágrimas, se existem, são enxugadas, o luto se transforma, os gemidos são eliminados e as dores, numa solidariedade efectiva, ultrapassadas. É inútil deter-se em condenações do mundo circundante. Torna-se frustrante esperar que apareçam salvadores, oriundos dos partidos e até das religiões. Há só um caminho para quem acredita: reconhecer que só Deus «renova todas as coisas». Simultaneamente e em nome da dignidade que o mesmo Deus reconhece em cada ser humano, impõe-se que todos se considerem intérpretes desta renovação. Não somos meros receptores duma sociedade justa e fraterna. Não podemos permitir que ninguém nos substitua e teremos de reconhecer que a preguiça ou o mero interesse egoísta deturpa a beleza da humanidade. Esta renovação da Sociedade onde cada um dispõe de idênticas oportunidades, passa por uma atitude fundamental. Trata-se de frequentar a Universidade do amor e empenhar-se na disciplina do «Amai-vos uns aos outros» através dum estudo e experiência laboratorial que nunca está concluído. Só o amor vivido salvará o mundo. Importa, porém, interpretar convenientemente este mandamento. É lugar comum afirmar que ele significa darmos, mais ainda, dar-se. Com a conclusão dos vários cursos predispondo-vos para desempenhar uma tarefa de dirigentes. Não basta colocar-se num quadro superior. Toca- -vos a responsabilidade de promover pessoas para um humanismo que não se contenta em satisfazer as necessidades básicas. Portugal necessita dum novo índice de humanismo onde todos os valores são considerados. Senti-vos lisonjeados e vocacionados para esta responsabilidade de promotores de humanismo. Sede, por isso, agentes duma «nova terra», neste contexto de globalização. Que Deus vos abençoe e retribua aos vossos familiares. Sameiro, 9-5-04. + Jorge Ortiga, A. P.
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