Arquidiocese de Braga -
30 agosto 2005
Família e férias
Fotografia
Departamento Diocesano da Pastoral Familiar
\nDesafios? Sossegar. Silenciar. Meditar. Estarmos connosco e com os que nos rodeiam sem mediações, sem ruídos, sem TV, sem telemóveis, sem pressa, sem indisponibilidade. Estarmos com os que estão connosco, estando efectivamente. Sentirmos gratidão pelo que somos, pelo que temos, ou seja, pela nossa família, pelos nossos amigos, pela nossa fé, pela nossa força, pelas nossas fragilidades, pela nossa saúde, pelos belos e límpidos sentimentos que nutrimos pelos demais. Desafios? Sensibilidade e acção pastoral. Há os que se sentem sós sem o estarem, os que sofrem, os doentes, os que se separam dos entes mais queridos, - por imposições de ordem legal e/ou moral, como os filhos, porque são férias, - os que choram de abandono e de pesar. Desafios? Generosidade. Acolhimento. Num tempo em que mediaticamente se tenta combater a pobreza, evoco um exemplo. O caso de uma amiga minha que, não obstante já ter uma filha e estar motivada para ter mais filhos, decidiu (obviamente em conjunto com o marido e demais familiares) acolher em sua casa, como filha, uma adolescente angolana, precisamente por ser mãe e para se sentir melhor como ser humano. A grave situação angolana, decorrente de um complicado pós-guerra que teve como consequência uma acentuada concentração de pessoas no litoral, acompanhada de cenários de desemprego, de miséria, de proliferação de redes de pedofilia e de prostituição de crianças, principalmente do sexo feminino, leva-nos a pensar na urgência de se criarem alternativas a situações de risco, à delinquência. Pois bem, o que é que nós podemos fazer em relação a estes órfãos de guerra, crianças extremamente carentes, doces e meigas, que sonham com uma oportunidade que lhes permita crescerem como crianças? Se podemos ser família de acolhimento de uma dessas crianças ou podemos, muito simplesmente, financiar os estudos de uma delas até à universidade. São meras hipóteses de gestos que significam também ser-se família. Desafios? Concentremo-nos no sentido de partilhar tendo em vista a felicidade, nossa e dos outros, da nossa família, da nossa comunidade, do mundo em que activamente nos inscrevemos e com o qual sempre interagimos, mesmo na nossa inacção. Para todos os efeitos, somos nós que o configuramos, que o construímos. Façamo-lo feliz. Sobretudo num tempo que pretende ser verdadeiramente fruído. Desafios de/para férias… Helena Guimarães Departamento Arquidiocesano da Pastoral Familiar
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