Arquidiocese de Braga -
18 novembro 2005
D. Diogo de Sousa, O Apaixonado por Braga
Fotografia
D. Jorge Ferreira da Costa Ortiga
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[Na sessão de abertura do Simpósio do V Centenário do Nascimento de D. Diogo de Sousa]
D. Diogo de Sousa, O Apaixonado por Braga
Vivemos numa sociedade democrática e esta realiza-se através dum assumir, individual e colectivo, das responsabilidades inerentes a cada cidadão. O século XX foi considerado “o século dos direitos” porque o homem tomou consciência de ser portador de exigências fundamentais que o ordenamento jurídico deve promover, reconhecer e garantir. Simultaneamente, e numa perspectiva comunitária, a sociedade deixou de ser um conjunto de súbditos passivos e obedientes para tornar-se uma realidade de cidadania participativa e responsável. Surgiram as cartas dos direitos do cidadão e a carta dos direitos de determinado tipo de pessoas (mulheres, menores, com deficiência, idosos, minorias, etc.).
Talvez seja chegada a hora de ousar estabelecer uma carta dos deveres que integrando todos os direitos promova uma responsabilidade social. Na verdade, a conquista duma cidadania efectiva pode esvaziar-se se o cidadão, consciente da própria dignidade, não for capaz de articular os seus esforços e potencialidades para construir, com os outros, uma melhor casa comum.
Não pretendo alongar-me em qualquer género de proposta. Só que olhando para a nossa cidade, naquilo que ela é, parece-me imperioso suscitar o dever de conhecer o nosso passado. Caminhamos em comportamentos dum quotidiano vivido com avidez e começa-se a perder o sentido da história. Se estamos aqui, para o bem ou para o mal, deve-se à intervenção inteligente de muitos antepassados que projectaram e delinearam a cidade que nem sempre conhecemos. Mas, sem memória o presente não tem raízes e o futuro está ameaçado.
A cidade de Braga, qual cidade dos Arcebispos, vai recordar dois paladinos da causa bracarense. Agora D. Diogo de Sousa como o reedificador da cidade e em princípios de Dezembro D. Fr. Caetano Brandão como apaixonado pela causa dos últimos. Recordando, não estamos a circunscrever-nos a homens da Igreja. São pessoas do seu tempo que ouviram as necessidades e concentraram-se nas respostas. No trabalho colocaram paixão e qualidade e legaram-nos um espólio cultural que nos enobrece. Hoje, somos a sua continuação e temos o dever duma gratidão de quem reconhece obra feita e se envolve num processo de construção da cidade com futuro. Serão abordados aspectos e pormenores que aceitaremos como alerta de quem quer ser digno deste passado. Cultivamos a memória e trabalhamos pelo futuro.
Que o trabalho seja frutífero nos conhecimentos históricos e nas luzes que poderá trazer para o actual de Braga. Faço votos para que este Simpósio ajude a suscitar uma curiosidade sadia de quem conhece a razão de Braga ser “a cidade dos Arcebispos”. Um título? Para mim é uma provocação no dever, que reassumo, de dar o contributo, pessoal e institucional, para que continue a ser não só como epíteto das crónicas, mas como realidade reconhecida.
+ Jorge Ferreira da Costa Ortiga,
Arcebispo Primaz
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