Arquidiocese de Braga -

25 novembro 2005

Santa Teresa, com as famílias da Arquidiocese

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D. Jorge Ortiga

\nDos múltiplos aspectos a recordar da vida de Santa Teresa do Menino Jesus é espontâneo recordar a sua vocação missionária a partir do amor de Deus contemplado em Cristo. Aí compreendeu que daria o seu contributo para “abrasar, abraçar e levantar apostólica e missionariamente o mundo.” Quero situar esta vocação de Santa Teresa no contexto que a nossa Arquidiocese vive no presente momento. Sabemo-nos vocacionados para evangelizar o mundo inteiro. Perante as relíquias quero escolher o mundo das famílias que, sempre e particularmente nestes próximos três anos, teremos de evangelizar. Precisamos de agentes pastorais, quais Teresa do Menino Jesus, disponíveis e preparados para “abrasar” com um amor genuíno e fiel, “abraçar” as perplexidades e interrogações e “levantar” o ânimo e a qualidade do mundo familiar. Os sacerdotes não podem renunciar a este dever de animar e estimular. Só que compete, como exigência da vocação, aos casais a disponibilidade para que a evangelização aconteça através de iniciativas diversificadas e convenientemente estruturadas. Toda esta dimensão externa nasce duma originalidade do matrimónio cristão. Pelo sacramento há diferenças essenciais que necessitam de ser compreendidas e vividas. A mensagem do Sínodo dos Bispos, recorda “não esqueçais que Cristo mora na vossa união e a cumula de todas as graças de que necessitais para viver santamente a vossa vocação”. Se Teresa do Menino Jesus quis ser “no coração da Igreja o amor” peço-lhe que coloque no coração dos nossos lares o verdadeiro amor para que Cristo esteja presente “no meio de dois ou mais” e transforme os nossos lares em “Igrejas Domésticas”. Mas, não esqueçamos. O amor solidifica-se através da oração conjugal e familiar e fortifica-se na escuta e meditação da Palavra de Deus. A história dos tempos actuais espera a coragem de ir contra a corrente para dar consistência ao amor que deve crescer permanentemente e só o conseguirá na oração e na contemplação, únicos ingredientes que o tornam forte de maneira que nem a morte o destrói. Junto das Relíquias penso nos nossos lares e deixo mais duas propostas deixadas pelo último Sínodo. “Encorajamo-vos a conservar o costume de participar na Eucaristia dominical”. A família necessita deste encontro familiar que deveria ser preparado em comum e prolongado em atitudes eucarísticas que se descortinam no diálogo fraterno entre todos. Por outro lado, o Sínodo relembra as palavras de Cristo: “Deixai vir a mim as criancinhas” (Mc. 10, 14). A grandeza e a felicidade de Santa Teresa residem no encontro que efectuou com Cristo. As crianças necessitam de serem acompanhadas nesta procura e só o exemplo arrasta e convence. Os pais são os verdadeiros educadores e a educação sem encontro com Cristo é incompleta. A Peregrinação das Relíquias deveria, assim, deixar na nossa diocese, o perfume de casais agentes de pastoral familiar por aquilo que fazem pela família, mas sobretudo por aquilo que são como família. Para o conseguir não descortino outra estratégia a não ser o encontro de famílias, a nível paroquial ou de zona, privilegiando a formação humana e espiritual. Santa Teresa era uma esperta de Deus e com sua vocação contagiou outros. Com idêntica “especialidade” saberemos mergulhar nas maravilhas dum Deus família para que muitos acreditem que não só é possível um modelo de família cristã mas que é urgente e necessário como contributo para uma sociedade com futuro. Podem falar de modelos alternativos. A Igreja não pode renunciar ao testemunho do que permanecerá. Assim Santa Teresa nos ajude. Por último, imploro de Santa Teresa famílias-viveiros de vocações de especial consagração. A família é o ambiente natural onde elas nascem e se desenvolvem. Que os pais não tenham medo de falar. Deus se encarregará de tocar os corações. Sé Catedral, 25/ 11/ 2005. D. Jorge Ferreira da Costa Ortiga, Arcebispo Primaz