Arquidiocese de Braga -

17 janeiro 2007

Creio na Vida e na Família

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Departamento Arquidiocesano da Pastoral Familiar

\nAcredito. Acredito na Família. Acredito na Vida. Perspectivo os como valores absolutos pelos quais vou pautando a minha humilde caminhada existencial. Reitero, uma vez mais, que a possibilidade de ser mãe é uma bênção, não só sob um ponto de vista atemporal, mas também olhando ao que em torno de nós vamos começando a constatar com apreensão, nomeadamente no tocante à infertilidade galopante e às gravidezes clinicamente cada vez mais complicadas. Reitero, uma vez mais, que a opção de ser mãe requer coragem para enfrentar, resistir, abdicar, aceitar, contemporizar, sob o prisma pessoal, familiar, profissional, económico, num mundo que condiciona a pessoa tornando-o indivíduo, sem uma política que proteja a instituição familiar, adversa à promoção da natalidade, inóspita aos valores da solidariedade. Reitero, uma vez mais, que ser mãe altera a nossa mundividência, a nossa maneira de ser, de estar, de fazer, os nossos sentidos, a nossa sensibilidade, as nossas capacidades, os nossos sentimentos. Reitero, uma vez mais, que as nossas comunidades se deveriam alegrar e manifestar o regozijo público face à vida que desperta intra-uterinamente e às nossas crianças que vão rareando, devido às dificuldades que insidiosamente já se infiltraram no nosso discurso, confinando nos a quadros de fatalidade e de conformismo que não se adequam com as nossas crenças, com os nossos valores. Reitero, uma vez mais, que urge proteger a maternidade, a criança que, não estando no exterior, do lado de cá, não deixa de ser criança, com o direito à vida. Há algum tempo atrás, conheci uma jovem mulher que, estando grávida, se viu de repente pressionada pelo seu entorno para compactuar com a morte do ser humano que crescia no seu ventre. A sua conjuntura profissional e económica não era, nem de longe nem de perto, a melhor; a situação com o pai da criança não estava firmada por nenhum compromisso sério; a família e o meio em que se movia eram extremamente preconceituosos e a priori incapazes de aceitar o nascimento naquelas condições, sobretudo quando o pai (que afinal nada pretendia assumir em termos relacionais) era o primeiro a empurrá la para o aborto que facilitaria a vida de todos. Durante um mês, a tal jovem mulher debateu se com um dilema que punha na arena, por um lado, os seus valores e as suas convicções mais profundas e, no lado oposto, o medo de sucumbir face ao abandono a que seria votada pela comunidade (família, conhecidos), as dificuldades que teria de enfrentar sozinha (económicas), ciente que muito provavelmente hipotecaria o seu futuro também profissionalmente. Decorrido um mês, optou conscientemente e sem qualquer réstia de arrependimento pela vida da criança. Como Pastoral Familiar, podemos reduplicar gestos de acolhimento, consciencializar que é necessário proteger a Vida, mobilizar nos socialmente para que se crie um enquadramento legal para aqueles que existem ainda intra-uterinamente. E, sobretudo, podemos demonstrar coragem para, nestes ambíguos tempos de charneira, afirmar publicamente aquilo em que acreditamos, aquilo que somos e por que lutamos, sem hesitações, sem dúvidas, sem dilemas. Helena Guimarães Departamento Arquidiocesano de Pastoral Familiar